Quinta-feira, Junho 21, 2007
Segunda-feira, Março 26, 2007
UIRAPURU melhores de 2006
A análise também é subjetivo porque como não sou músico avaliei de acordo com o que meus ouvidos "sentiram". Não há certo e errado, é apenas uma opinião. Como a revista abraça a bandeira, entre outras, do anti-jabá, discutiu-se muito a presença de alguns artistas na lista. Falou-se na Mariana Aydar, que fez um albúm certeiro com músicas pra tocar no rádio, além de ela ser filha de socialite, publicitário,etc...A questão é que se fossemos exlcuir aqueles que participam indiretamente do jabá teríamos que eliminar muitos outros concorrentes, como por exemplo o aclamado Sérgio Mendes que fez mais que todos um albúm americanizado comercial. Pegou clássicos da bossa nova e botou rappers americanos com o Black Eye Pies e ainda foi tocar no faustão, teve clip no fantástico ,etc...
Se for pra fugir do jabá, teríamos que excluir todos que pertencem a grandes gravadoras, ou alguém pode ser tão inocente em achar que caetano não participa do sistema "jabalístico"? Como acho que o prêmio é u m espaço pra crítica estritamente de música e não de conceitos (fazemos isto em outros espaços) não podemos ,na minha modesta opinião, eliminar bons músicos de nossa lista. É claro que se a discordância for em termos musicais aí sim é plausível questionamentos e mesmo assim altamente discutível já que tenho certeza que tanto quanto eu os outros jurados usaram da subjetividade pra decidir. Se o voto fosse ideológico eu votaria nas músicas do MST.
Mas enfim, aí vai minha lista.
Álbum – artista
1- Metropolitano- Eddie
2- Kavita 1- Mariana Aydar
3- Cão- Rômulo Fróes
4- Mirando a Estrela- Eta Carinae
5- Tecnomacumba- Rita Ribeiro
6- Futurismo - Kassin +2
7- Universo ao meu redor- Marisa Monte
8- Transfiguração- Cordel do Fogo Encantado
9- Transformer- Vários
10- Seres- Seres
11- Mombojó- Homem Espuma
12- Ultramen- Capa Preta
13- Bataclã FC- Assim Falou Bataclan
14- MAmelo Sound Syste- Velha Guarda 22
15- Edgar Scadurra- Amor Incondicional
Música – intérprete
1- Zé do Caroço - Mariana Aydar com Leci Brandão
2- Danada -Eddie com Erasto Vasconcelos
3- Deixe-se Acreditar – Transformer Mombojó com BTK and Spleen
4- Sobre a gente -Rômulo Fróes
5- P nos2 -Eddie
6- Festança -Mariana Aydar
7- Marcha- Rômulo Fróes
8- Samba Louco -Eta Carinae
9- Domingo 23- Rita Ribeiro
10- Olho de Shiva (Delay Records) - Eta Carinae
11- Cavaleiro de Aruanda -Rita Ribeiro
12- Louco de Deus (Perto de você) - Cordel do Fogo Encantado
13- Futurismo - Kassin +2
14- O Bonde do Dom- Marisa Monte
15- Samba Bobo- Seres
Show
1- Mundo Livre
2- Orquestra Imperial
3- Cansei de Ser Sexy
4- Del Rey
5- Los Hermanos
6- Nação Zumbi
7- Mombojó
8- Bléque
9- Subtropicais
10- Badrocks
Banda
1- Eddie
2- Los Hermanos
3- Eta Carinae
4- Orquestra Imperial
5- Cordel do Fogo Encantado
6- Mundo Livre
7- Nação Zumbi
8- Mombojó
9- Bléque
10- Seres
11- Ultramen
12- Bataclã
13- Subtropicais
Cantor
1- Rodrigo Amarante (Los Hermanos)
2- Rômulo Fróes
3- Zeca Pagodinho
4- Tonho Crocco (Ultramen)
5- Fernando Anitelli (O Teatro Mágico)
Cantora
1- Mariana Aydar
2- Rita Ribeiro
3- Marisa Monte
4- Karina Falcão(Eta Carinae)
5- Fabiana Cozza
Letrista
1- Nuno Ramos
2- Clima
3- Arnaldo Antunes
Guitarrista
1- Dirceu Mello (Eta Carinae)
2- Fábio Trummer (Eddie)
3- Lanny Gordin (da banda de Rômulo Fróes)
Baixista
1- Fábio Sá (da banda de Rômulo Fróes)
2- Rob Meira (Eddie)
3- Bebeto Castilho
Cordas acústicas
1- Clayton Barros (Cordel do Fogo Encantado)
2- Zé Barbeiro (da banda de Rômulo Fróes)
3- Lenine
Bateria
1- Curumin (da banda de Rômulo Fróes)
2- Mauricio Takara (Hurtmold)
3- Igor Cavalera (Sepultura)
Percussão
1- Guilherme Kastrup (da banda de Tom Zé)
2- Toca Ogam (Nação Zumbi)
3- Nego Henrique (Cordel do Fogo Encantado)
Teclados
1- André Oliveira (Eta Carinae e Eddie)
2- Bactéria (Mundo Livre. S/a)
3- Chiquinho (Mombojó)
Sopros
1- Mauro Zacharias (Los Hermanos e Orquestra Imperial)
2- Rafa (Mombojó)
3- Daniela Homsi (O Teatro Mágico)
DJ
1- BTK
2- Bruno Pedrosa
3- Dolores
50 álbuns ouvidos(Afroreggae- nenhum motivo explica a guerra; Alessandra leão- brinquedo de tambor; Anna costa- meu carnaval; Anna Luisa; Arnaldo Antunes- qualquer; Batclã fc- assim falou batclã; Bebeto Castilho –amendoeira; Caetano Veloso- cê; Canto dos malditos na terra do nunca; Chico Buarque- carioca; Cordel- transfiguração; Cpm22- mtv ao vivo; Digital groove- rabeca sanfona e pife; Du Souto; Eddie-metropolitano; Edgar scandurra- amor incondicional; Eta cariane- mirando a estrela; Fabiana cozza- Gilberto Gil- luminoso; Gram- seu minuto meu segundo; Jair oliveira- simples; Jussara Silveira- entre o amor e o mar; Kassin +2- futurismo; Lenine- acústico mtv; Mamelo sound system- velha guarda 22; Marcelo d2- meu samba é assim; Maria bethânia- mar de Sophia e pirata; Mariana aydar- kavita 1; Marisa monte- infinito particular e universo ao meu redor; Mombojo- homem espuma; Monjolo; Nasi- onde os anjos não ousam pisar; O teatro mágico- entrada dos raros; Relespublica- mtv apresenta; Rita ribeiro- tecnomacumba; Rômulo fróes- cão; Sepultura- Dante XXI; Seres; Sergio Mendes- Timeless; Skank- Carrossel; Tom Zé- dançêhsá; Transformer-vários, Ultramen- Capa Preta; Vou tirar você desse lugar- vários; Záfrica Brasil- tem cor age; Zé cafofinho- um pé na meia outro de fora; zefirina bomba; zumbira e os palmares)
Quinta-feira, Março 22, 2007
logo postarei.
há tanta coisa apra dizer que não sei direito por onde começar.
eneuanto isto vá lendo a nova dilúvio
www.odiluvio.com.br
e claro: beba chica!
www.chicachaca.com
abraços
f.u.c
Terça-feira, Janeiro 16, 2007
Fiz um samba triste de verão
a dor que se aloja no peito
e deixe de sofrer e viver
o peso do presente imperfeito
Trago a estúpida razão
anestesio a angústia
perdoa o meu coração
meu samba é som e é fúria
Deixo que o acaso me conduza
vou ser mais feliz
não crio expectativas
não rimo e calo a boca
autor: coutinho
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
5 anos de terrorismo em Guantanamo
Desde sua abertura, mais de 775 pessoas foram encarceradas sem direito de defesa nem acesso à Justiça. De acordo com dados da Anistia Internacional, hoje a prisão mantém 430 pessoas de 35 países diferentes. Há inúmeras denúncias de organismos internacionais de direitos humanos a respeito de torturas e abuso sexual, inclusive em menores de idade também ilegalmente presos. De acordo com a Human Rights Watch, a grande maioria são árabes acusados de ligações com a Al Qaeda e com os Talibãs, além, possivelmente, de ter membros do Hamas, do Hezzbolah, Iraquianos e todos muçulmanos contrários aos estados unidos.
A base é um verdadeiro campo de concentração que se não tem o extermínio de pessoas como foi feito com os judeus pelos nazistas apresenta a mesma desumanidade. Os presos ficam acorrentados nos pés e nas mãos todo tempo ,até mesmo na hora de domrir. As celas de tamanho minusculo (2x2) tem luz o tempo todo. Os presos só tem direito a 20 minutos de caminhada no pático cercado por arames farpados e cercas elétricas, três vezes por semana.
No fim de 2006, o governo estadunidense instituiu que os presos seriam julgados apenas por Comissões Militares do próprio País. Um jogo de cartas marcadas, tanto quanto foi o julgamento de Saddam Hussein por "autoridades" comprometidas com os acusadores.
A base ocupa mais de 115 quilômetros, no sudoeste da ilha de Cuba. Um acordo em 1934, antes da Revolução Cubana, permite que os Estados Unidos tenham direito a ficar ali até quando quiser, sem interferências do governo Cubano. MAs também o que é a pequena e resistente Cuba perto do Império que domina até mesmo a ONU? Os EUA não seguem a convenção de Genebra que dá direitos aos prisineiros de Guerra. O ditador Geroge W.Bush encontrou uma maneira de "burlar" o direito internacional cahamando os presos de "combatentes inimigos". Mas também o que esperar da ONU se está está fálida e desacreditada, pois apenas ao invés de ser uma liga dos países é comandada apenas por uma grande potência. O Conselho de Direitos Humanos não tem nem 1 décimo do poder do Conselho de Segurança. Que também não tem crédito nenhum, afinal mesmo não aprovando a invasão do Iraque, nada fez para punir os estados unidos que deveriam ter acatado a decisão do consellho. Além de forjarem provas, mentindo sobre as armas de destruição em massa são responsáveis de acordo com números do Iraq Body Count pela morte de mais de 50 mil civis no Iraque. Se as coisas já estavam tranquilas para os estados unidos, com o novo secretário-geral da ONU ,o sul coreano Ban Ki-Moon, forte aliado dos estadunidenses,a cosai tende a ficar mais fácil ainda é é questão de temp opara os marines anunciarem outros alvos como o Irã, o Líbano, a Síria, a Coréia do Norte, a Palestina e quem sabe até mesmo à Cuba, afinal já estão por ali mesmo com sua terrível e terrorista base de guantanamo.
Sábado, Dezembro 09, 2006
EDITORIAL dezembro 2006
Salve, salve caros leitores e leitoras!
Toda edição tem sua importância, assim como todo tópico, porém, algumas coisas são mais importantes que as outras. Essa é nossa vida. São as escolhas que fazemos, ou deixamos de fazer, nunca saberemos. È causa e efeito. Ou defeito. Não importa, é uma mudança. Os seres humanos também são sistemas abertos.
Nesta edição o Contraofensiva se reinventa. Instigando Metamorfose. Transformação, ou transfiguração cordeliana. Não é fruto de amadurecimento, pois não se sabe o que virá depois, mas revela um pouco do olhar inquietante sobre os fatos sócio-culturais da atualidade. E sobre si mesmo. Sobre qual seu papel. Fatos estes vistos a partir de determinados pontos de vistas, sinceros, falhos ou não, mas intrínsecos ao tema proposto pra edição: cultura. Afinal todos nós, somos agentes de manifestações culturais. Não há como fugir do empirismo, da prática.
Prova da revolução, ou insurreição interior, é que o que define a “liga” desta edição não tem nenhum critério político-ideológico no sentido de querer estabelecer uma verdade, pregar, ser objetivo, racional, coisas que vinham acontecendo ao longo do ano. O que também não quer dizer que este blog não vá se propor a ser o que era. Ele apenas reafirma e se auto-legitima pela incerteza. Afinal de contas, nem mesmo se pode chamar este espaço aqui de blog.
Não sei qual vai ser a peridiciosidade futura. Para este mês o formato é de revista digital.
Primeiramente pensei em rever a parte visual do site, mas faltou tempo e tesão. O formato é algo muito vago. Não se pode tentar enquadrar as manifestações. Elas têm a cara que tem, não há como definir parâmetros. Caso contrário não seria arte, seria produto. Este própria edição é uma manifestação. O que importa, metodologicamente falando, é o conteúdo.
Esta atualização tem entre seus “fins?” apresentar um projeto de especialização em jornalismo. Então, para entender a opção por cultura escrevo rapidamente dois conceitos modernos: revolução tecnológica e campos sociais.
O primeiro está definindo os novos contornos de um universo até então inimaginável, de infinitas possibilidades de comunicação. A revolução tecnológica está possibilitando que o conhecimento se torne livre e que cada um de nós sejamos produtores, embora grande parte deste conhecimento ainda esteja sob domínio de grandes corporações, como o fenômeno Google.
O segundo redefine a noção de classes e de relacionamento. O conceito de campo social, proposto por Pierre Bordieu, em trabalhos como La Distiction, propõe que estejamos todos inseridos num grande campo social que se constitui num espaço de jogo de relações. Tudo é relacional. O pensamento estruturalista percebe que há relações de dominação em formas de rede. Hora somos dominantes, hora dominados, de acordo com a distinção, individual ou ente grupos, definida através de seus capitais econômicos e culturais. A internet, fruto da revolução tecnológica, é uma rede, e como tal exerce (pela comunicação) um sentido de capital simbólico, onde podemos, como eu disse anteriormente, produzir, re-produzir, copiar (legal ou ilegalmente) e distribuir informação e assim redefinir a história das relações humanas do mundo moderno, onde as lutas de classes não se dão somente pelo caráter econômico, mas também cultural.
Os 10 tópicos desta edição representam um pouco do momento. São olhares sobre a cultura, a comunicação e o conhecimento livre. Tentei organiza-los nas mais diversas possibilidades jornalísticas: release, resenha, crônica, artigo, entrevista, ensaio fotográfico, perfil, matéria e poesia no-sense. Para cumprir todas estas demandas o Contraofensiva convidou os seguintes amig@s, aos quais agradeço profundamente: Chica, Manolo, Nico Soesquifre, Senhor FUC e AZ.
Boa leitura e até a próxima!
Fabricio Ungaretti Coutinho- Editor
contato: fabricioungaretti@gmail.com
Sexta-feira, Dezembro 08, 2006
Os Fatos
...
Os restos de unha do pé do
Manolo, entre outras coisas,
funcionam como pendrive e
CD-R. e as da mão como
DVD-RW Manolo.
Manolo convidou o Orkut
para entrar no Orkut. E
nessa época, o Manolo nem
estava no Orkut.
...
O Manolo não precisa ser
convidado para entrar nos
lugares ou participar das
coisas.
Manolo matou usando só a
força do pensamento a
última pessoa que perguntou
a ele se ele tinha suco de
caju.
...
Manolo carrega em seu
peito uma chave que abre
qualquer coisa. Ele a usa
como um simples adorno,
pois ele pode abrir o que
quiser só com o olhar.
*Trechos extraídos da coluna do amigo Manolo no Jornal Camaleão n°11
contato:jornalcamaleao@gmail.com
Quinta-feira, Dezembro 07, 2006
crônica sobre "nós" ou a tempestade de iansã
acabará de chegar de um velório.a noite caía. ventava muito. era dia de iansã. a senhora dos eguns (espíritos dos mortos). senti medo. peguei uma garrafa de chica gengibre, servi dois copos, engoli com pressa e liguei a tv.
perguntei a ele o que era a morte.
não sei! sei tampouco da vida. me assusta um pouco. conhecer a morte sem nem ao menos saber o que é a vida. tudo parece tão efêmero. será que faz sentido?
não sei! será que o sentido não está exatamente em só se saber o sentido depois que já não a se tem? digo, a morte será a explicação da vida?
não sei! e também não quero saber. quero crer que vou ter mais tempo para tentar descobrir.
bebemos a segunda dose e suspiramos.
está tudo errado. não arranjo emprego de jeito nenhum. as portas todas se fecham. está sendo difícil viver assim. em alguns momentos, breves instantes, porém intensos, pergunto-me está vida vale quanto?
não sei! respondeu ele. sei que um tanto vale pelo amor. só o amor é verdade. acho que os problemas existem pra reafirmar que nesta vida, longa ou curta, nós temos que amar. já disseram, irremediavelmente. quem não ama precisa de remédios, não acha?
não sei! acho que todos nós precisamos de remédios, cada um a sua maneira...o amor...o amor é um remédio, é gesto bruto, selvagem, instintivo, subjetivo. é a essência, a liberdade da alma. a mente não pode controlar. não há razões. não há lógica, mas faz sentido, eu sinto.
silêncio.
bebemos a terceira dose e prestamos atenção na televisão. mais minutos de silêncio, mais uma dose.
no meio da quarta dose pensei: estranho como sempre eu puxo os assuntos. e perguntei: você acha que existe um buraco negro no espaço aéreo?
não sei! acho que tem buraco negro na cabeça desses jornalistas plim-plim. a vida parece não ter valor. você só tem direito se for consumidor. isto é viver em sociedade, ser cidadão. ser consumidor lhe dá o direito de “invadir” a pista de um aeroporto. afinal de contas, imagine o enorme transtorno na sala de embarque (a imagem na tv mostra um homem sentado no chão digitando em seu laptop).
você é irônico.
é a vida. entrei no clima do bobo, sensacionalismo total. teatro dos vampiros. o avião atrasou o fígado não chegou. deviam ter feito como o giba e fretado um téco-téco. isto que o giba nem gosta de téco-téco, ele é da turma do marcelo columi.
irônico e ácido.aliás, você lembra daquele dia do lindo sol dourado? foi quando nos conhecemos. a única vez que a porta se abriu.
esvaziamos a garrafa na quinta rodada.
preciso ir embora e você?
ele? respondeu eu
era a primeira e última pergunta que eu me fazia.
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* neste mundo minusculo aos poucos tambem perderemos os assentos ou os erros ou as virgulas somente o ponto final.
Segunda-feira, Dezembro 04, 2006
Rê Liz divulga: Lançamento da revista O DILUVIO #9
Segunda, 11 de dezembro, as 22hs, no Opinião.
Ingressos antecipados: R$15,00 (até o dia 10 de dezembro), na Lancheria do Parque.
Ingressos no dia do show: R$ 20,00
Realização: Rei Magro.
Promoção:Revista O Diluvio
A revista O DILÚVIO colocará 10 nomes na lista pro show do mundo livre s/a pros primeiros que comprarem a nona edição com cd encartado na locadora Wallau Vídeo, que fica na Garibaldi esquina Cristóvão Colombo (F.:3286.5157). Isso mesmo, revista+CD = show de brinde. Promoção válida a partir de segunda, dia quatro, ao meio dia.
A edição de Verão da revista que não chove no molhado encarta o CD da banda carioca Seres, um caldeirão de groove-samba-ska.
+
*Entrevista com o cantor e compositor Otto.
*Reportagem especial sobre o jabá do verão e sobre o movimento Jabásta! , formado por artistas como BNegão e Chacal.
*Hay Campo?! O transporte coletivo boliviano
*over12: O Papai Noel dos shoppings tropicais
*Fogo na bomba!: esperando a hora de assaltar papai noel
* Peru, o incrivel animal que morreu na véspera
*Cinemanimal: Elefante, Guns Van Sant
*Que Conversa é essa?! China , nosso novo colunista.
*fandezine, contra-regra.
*leia a bula: a busca pelo corpo perfeito
+
*Ado Henrichs, Alan Moore e Jorge Ben
Terça-feira, Novembro 28, 2006
ENTREVISTADO - Márcio Ventura
Colaboraram com sábias perguntas: Pedro Jatoba e Guilherme Carlin.
Entrevista feita com o produtor Márcio Ventura, o Rei Magro, idealizador do projeto Segunda Maluca.
Você encontra também a entrevista, fotos e a cobertura dos shows da Segunda Maluca do dia 09/10 (horacios,stuarts e wander wildner) na página da revista O DILUVIO- a revista que não chove no molhado
www.odiluvio.com.br
Dilúvio pergunta? Como começou o projeto?
Márcio Ventuta responde: O Segunda Maluca começou em 1989 ele começou no Dr.Jekill. A idéia inicial do projeto é diferente de hoje. Como o Jekill era um bar pequeno...na real a segunda maluca tem uma influência muito forte de um projeto que existia nos anos 80 começinho dos 90 que era o Segunda sem Lei que era um projeto que rolava no Porto de Elis. Só que a idéia era parecida na história de ser segunda mas a idéia contextual era diferente. Segunda sem lei era temática. Daí ia lá o blues, segunda sem lei do metal. A Segunda Maluca sempre foi uma coisa mais diversificada com shows diversos. Mas como eu trabalhei uma época num projeto do Egisto Dal Santo e da Deborah Finocchiaro...e era muito bacana porque enchia, lotava, era muito legal! A cultura da coisa da segunda que eu acredito que já venha de outros eventos que rolavam antes...tinha o bar do mutuca tinha show...quer dizer a cena já existia...já aconteciam coisas apesar de ser um dia meio ímpar.
D: E vocês buscaram agregar um público diferente?
MV: Hoje até não porque hoje já acontecem varias coisas numa segunda, mas na época que começou a segunda maluca não tinha nada. Não tinha bar nenhum fazendo nada aí a gente teve a idéia de pegar um dia que u não concorre..concorre com o lance de ser segunda mas tu não tinha concorrentes de bares e festas. Então se tu conseguir pegar uma boa atração e um dia bacana que não, chova que não faça frio. A coisa foi indo , ficou no Jekill por um ano e oito meses . A gente saiu do Jekill e foi pro Garagem Hermética, uma passagem muito rápida. Foram 3 meses mas foi legal.
D: Isto foi auando?
MV:Isto foi em 2001, começo de 2001.Não lembro direito ,mas sei que foi 2001. Aí depois foi pro Manara, que é um bar na Goethe que até hoje trabalha com uma outra linha.
D: Mais pra massa?
MV:É. Mas na época era um bar que tinha alguns shows autorais bacanas. E eu conhecia o dono do bar há muito tempo e o cara era freqüentador das segundas maluca porque ele morava ali perto do Jekill. E numa conversa uma vez o cara nos convidou pra ir. E Era u m bar que tava na moda, tinha uma estrutura do caralho....Tinha mídia nas 3 fms da cidade. A gente ficou pensando um mês se ia ou não. Porque na verdade era a troca de um projeto super alternativo que ia se manter num bar com uma linguagem assim mais popular. Então a gente não tinha muita idéia como é que ia funcionar.
D: A gente quem?
MV: A gente é a Rei Mago Produções que é quem coordena a história da Segunda Maluca. A gente tinha medo de as pessoas não irem, tinha o riso de dar tudo errado e ao mesmo tempo era a oportundaide de levar as bandas pra um lugar diferente com uma estrutura mais legal que elas estavam acostumadas a tocar. E acabou rolando e acabou sendo muito legal, durou de 2001 a 2003 no Manara.
D: E que shows tu consideraria memoráveis nesta fase?
MV: A teve o Funk Como Le Gusta que é uam banda paulsita que foi inacreditável, foi o show mais cheio do Manara, da Segunda Maluca pelo menos. Teve também o show do Los Hermanos do lançamento do Bloco do Eu Sozinho, foi muito legal. Blues Etílicos, Garotos Podres, Replicantes, Cachorro Grande, O próprio Wander com o Frank Jorge, shows locais. Mofo de Alagoas.
D:E a partir do Manara então que o projeto ficou mais conhecido?
MV: Exatamente. Ficou maior. Porque aquela idéia inicial de lançar bandas virou um espaço pra trazer bandas já com u mcerto conceito mas sem perder o foco local com bandas abrindo os shows. Vou te dizer que o único show da Segunda Maluca que não teve abertura foi o Funk Como Le Gusta porque daí não tinha estrutura já que a banda é muito grande e não tinha como pôr ninguém , mas de resto nestes 7 anos sempre teve show de abertura com bandas locais.
D: E este projeto não rola só aqui em Porto Alegre não é?
MV: Em 2005 teve a Segunda Maluca itinerante. A gente fez um ano no Abbey Road em Novo Hamburgo, fez uma edição em Caxias, fez uma edição em Florianópolis que foi Mundo Livre lotação máxima da casa. Inclusive teve que ter uma edição extra na terça.
D: Segunda Maluca na terça é a coisa mais maluca que poderia acontecer...
MV:Isto que a Mundo Livre tinha feito dois shows na mesma semana. A gente também fez algumas edições num bar em São Leopoldo que é o Armazém San ´Lou e tá sempre buscando, já fez no Arca Pub em Cachoeirinha...
D: E a receptividade do público lá no Vale dos Sinos?
MV:É bacana. O Abbey funcionava legal. È calro que tem noites que não funcionam isto é inevitável.Como o bar é pequeno tu tem que se habituar não pode levar shows maiores. Tem que buscar shows mais acústicos pela estrutura do local, mas é elgal porque tu movimenta a cidade põe pessoas de lá pra tocar e tá fazendo uma coisa diferente em outros locais.
D: E já aconteceu de ter Segunda Maluca simultêaneas?
MV:Já. Por exemplo neste dia do show do Mundo Livre em Floripa tava rolando no Abbey Poliéster e Super Guidis. Nunca na vida que a gente pensou que isto iria acontecer. Além de ser itinerante, ser simultânea em locais fora da cidade natal do projeto. E isto foi muito gratificante. Na real a gente precisa de grana pra viver, todo undo tem suas contas, mas o que a gente paga na vida são as satisfações que a gente tem na vida com o trabalho com nossos relacionamentos,com os amigos, com a família, porque isto é impagável.
D: E além da questão inusitada da Segunda Maluca na terça-feira tem outros fatos que tu lembra..
MV:Semrpe tem as coisas bizarras. Principalmente quando vem gente de fora, tem a questão de pegar em aeroporto daí neguinho estranha, poxa show na segunda? Quando não era conhecida os caras não entendiam nada, imaginavam eu não ia dar nada.Por exemplo o Funk Como Lê Gusta, depois os caras ficaram apavorados, uma segunda com bar lotado, todo mundo dançando.Outra coisa engraçada foi a primeira vez da Mundo Livre. Eles estavam dando uma entrevista pra MTV com a Penélope e o Léo, daí eles passaram a genda que iriam tocar em Porto Alegre na segunda e a mina ficou questionando se segunda era dia de fazer show papapa. Bah, daí eu fiquei com aquilo na cabeça e o bar lotou e eles ficaram apavorados também. Se tu tem um bom produto pega um dia bom, pega começo de mês, as pessoas vão.
D: E como funciona pras bandas tocarem no projeto?
MV: A galera local nos procuram pra tocar, porque a gente já trabalha há bastante tempo na cena. Já bandas de fora a gente tenta encaixar a agenda. Nem sempre a gente consegue no momento que gostaríamos mas acaba rolando. A próxima edição é a Matanza, uma banda do Rio, lançando seu novo cd dia 06 de novembro no Opinião. E 11 de dezembro é aniversário da Segunda Maluca, 7 anos, com Mundo Livre. Esta é em primeira mão pros leitores da Dilúvio.
D: O Furo.
D: E como tu vê a cena nestes 7 anos, tem evoluído, até em comparação a outros estados?Com otu vê Porto Alegre?
MV: Porto Alegre é uma cidade legal, tem um monte de banda,aumentou os bares comparando quando a gente começou a 7 anos atrás, mas eu ainda acho que o público não cresce muito, quem acompnaha mais a cena alternativa. Porque passa 7 anos muitas pessoas que tavam na noite deixam de circular e entram outras.Claro que em termos de quantidade porque em qualidade o público tá excelente. Tudo bem tem falta de dinheiro mas acho que falta mais curiosidade, as pessoas se instigarem a buscar o novo o diferente. Mas isto é difícil pro grande público porque tu tem uma padronização de coisas muito ruins tanto de música quanto de propaganda em televisão. A gente vive numa cidade que até tem divulgação de alguns espaços, apesar de sermos meio que controlados por uma rede, mas Porto Alegre ainda consegue ser independente...
D: Esta empresa é a RBS?
MV: È.Eu não tenho nada contra nem nada a favor, mas eu só acho que as pessoas tem que trabalhar independente desta empresa e não acahr que porque é uma rede é mais fácil, pode até ser mas nem sempre é bacana. Eu não sei a gente até já trabalhou uma vez com eles com promoção deles mas acho que a coisa tem que ser mais real mais verdadeira tem que abrir o leque e não fazer de conta, só na propaganda.
D: E pra aumentar este público já pensaram em fazer eventos aberto, em locais públicos? Ou sito é uma Utopia?
MV: Não sei se Utopia, mas é bem difícil.A gente trabalha com apoiadores não tem patrocínio, a Rei Mago a gente nunca teve um evento pago.Pra não dizer que eu to mentindo na verdade co ma Rei Mago em 13 anos teve uma vez só um evento bancado pela Prefeitura do PT no Araújo Vianna, entrada livre e lotou. Tava lindo! Mas foi só esta vez em 13 anos.Tu pode tentar leis de incentivo, não sei talvez eu esteja ratiando, mas sei lá a vida corre tanto que as vezes não dá tempo. Tem gente que vira profissional de fazer estes projetos.
D: Falamos isto porque hoje nos vemos espaços como o Araújo Vianna e o Anfi-Teatro Pôr-do-Sol sem atividades periódicas e quando tem são shows megas das grandes empresas..
MV: Eu acho que estas empresas buscam outras coisas eles não querem regionalizar, patrocinar coisa locais. Eles pensam vamos fazer e trazem o Jota Quest pra gravar DVD. Os caras têm a maior fatia do bolo. A grande emissora divulga o show organizado pela grande empresa de telefonia que chama uma grande banda, etc...
MV: Mas acho que a gente tem que continuar trabalhando hoje tem muita gente naquele esquema do punk do faça você mesmo, produtores, bandas, vocês. Não é porque não vai vender 100m mil cópias que não o trablho não é legal tem que acreditar no que faz e correr riso. Trabalhar com arte é correr risco.
Segunda-feira, Novembro 27, 2006
Over 12- O Papai Noel dos Shoppings Tropicais
Texto para edição 9(dezembro de 2006) da revista O Dilúvio (www.odiluvio.com.br)
O Papai Noel moderno atua como um símbolo decadente de nossas vidas artificiais. Moldado através do tempo, do ser humano ao boneco-propaganda, Noel é hoje o mais cruel retrato da era capitalista.
O Natal na era moderna assume o papel de “época de compras” ao invés do seu real significado como veremos. Não representa caso isolado, onde o econômico tenha se colocado acima da história. Outros feriados oficiais de nosso calendário brasileiro também são bastante utilizados para o mesmo fim, como a páscoa e o dia da padroeira do Brasil Nossa Senhora Aparecida, ambas datas cristãs. A primeira, também utiliza símbolos para vender, como o coelho e o ovo. Já a propaganda pro dia 12 de outubro foca ainda mais seu “público-ALVO”: o imaginário infantil. Outros tão desejados feriados têm origens antropológicas nas mais diversas formas de manifestação. Há datas “cívicas” como a Proclamação da República e Independência. Outras, conquistadas pelo povo como o dia do Trabalhador e o Carnaval. E Existe até dia para os mortos. No entanto, talvez o Natal seja o caso mais claro em que se nota a desconstrução de mitos e a criação de ritos. Estes interesses econômicos, propagandeados pela publicidade, através do estímulo ao consumo, desembocam no comércio e na maneira como as pessoas se manifestam nesta data. O Papai Noel dos shoppings tropicais, pingando suor em pleno verão brasileiro, aparece na televisão vendendo um descascador de uva, em doze vezes no cartão.
Na antiguidade os povos pagãos celtas comemoravam o solstício de inverno, ou seja, o momento que o sol se afasta o máximo em latitude da linha do equador, e penetra seus raios na terra de forma perpendicular, com a “Festa da Luz”. Monumentos de pedras serviam para marcar a data certa, o início do inverno no hemisfério norte. Este período é o que corresponde hoje, ao nosso atual calendário gregoriano, entre 17 e 25 de dezembro, variando conforme o ciclo solar. Em 274 d.c, o Imperador Aureliano estabelece o dia 25 de dezembro, como o Dia do Nascimento do Sol Inconquistável.
Pouco depois, com a consolidação da mais famosa “dissidência” do cristianismo, a Igreja Católica Apostólica Romana, provoca a primeira mudança na história. Em 325 d.c a Igreja Católica convoca o Concílio de Nicéia e edita que só valem os testamentos de João, Lucas, Marcos e Mateus, tornando todos outros relatos sobre Cristo, apócrifos. Participa deste Concílio o Bispo São Nicolau, que é o embrião do Papai Noel. Em 350 d.c, o Papa Júlio I, decreta que o dia 25 de dezembro seria também a data de comemoração ao nascimento de Jesus. Associou a celebração pagã ao sol com o surgimento daquele que era a luz, Jesus Cristo, embora, não se saiba ao certo nem ao menos o ano que Jesus nasceu. Pesquisadores chegam a afirmar que Jesus tenha nascido pelo menos 4 anos antes do que a história oficial conta.
A história avança e o protestantismo, dissidente do catolicismo romano, fundamental na aplicação do capitalismo, introduz o Papai Noel no Natal. Foram as igrejas luteranas alemãs que criaram o conceito de troca de presentes em comemoração aquele que vinha ajudar os necessitados: São Nicolau.
Nicolau Taumaturgo nasce século III, na cidade de Mira, província de Lícia, na planície de Anatólia no sudoeste da costa da Ásia Menor. A história conta que muito jovem Nicolau perde os pais e recebe uma grande fortuna de herança. Nicolau então vira sacerdote e passa a distribuir secretamente todo seu dinheiro para os necessitados. O mito é de que certa vez um comerciante falido, na cidade de Patara, fez de seu antigo estabelecimento um bordel e de suas três filhas- prostitutas. Dizem então que Nicolau ao querer livrar as moças de um pecado grave teria jogado um saco de moedas para dentro da casa, agindo secretamente sem que o comerciante soubesse quem havia doado a quantidade necessária para quitar suas dívidas e tirar as jovens do caminho do pecado, de acordo com a tradição cristã. Como o dia de São Nicolau é comemorado em 6 de dezembro e naquela época as pessoas comemoravam o Natal por vários dias, associou-se ao dia 25 de dezembro, o mito do mito: Papai Noel. Nicolau de sacerdote à bispo, de santo à Papai Noel- aquele que vem presentear escondido na noite. Sua popularidade chega até os Países Baixos e o norte da Europa através dos marinheiros que se achavam protegidos das tempestades pelo Santo.
A já lenda atravessa continentes e nos Estados Unidos vira Santa Claus ou Father Chirstmas. Em 1822, na colônia holandesa de New Amsterdam, hoje Nova York, Clement Clark Moore, no poema “Twas the night before Christmans or a Visit from St.Nicholas- A noite antes do Natal ou a Visita de São Nicolau”, descreve-o como um velhinho de barbas brancas e bochechas rosadas em um trenó puxado por oito renas, costume na Escandinávia.
A partir daí, os Estados Unidos, maior potência capitalista de nossa era, propaga a versão moderna. Thomas Nast retrata pela primeira vez Papai Noel, com a publicação de um desenho encartado na revista “Harper´s Weekly” em 1866. Outros elementos aparecem como a cor vermelha, o cachimbo e as ervas na cabeça.
Em 1931 retiram-se os mais prazerosos elementos e o velho começa a consumir drogas: coca-cola. A mega empresa estadunidense Coca Cola Company contrata Haddon Sundblom para fazer as campanhas publicitárias de Natal. A multinacional difunde a nova imagem (quase cópia da anterior) para todos cantos do mundo até 1966, quando Sundblom deixa de fazer as bem sucedidas peças/ pinturas a óleo. No entanto, já era tarde demais. A imagem do Papai Noel estava diretamente associada à Coca-Cola, ao Natal e ao consumismo.
No Brasil, a comemoração do Natal sempre esteve relacionada à tradição cristã, já que foi explorado por Portugal, um país católico. Assim a data em relação à religião, ao invés do louvor ao deus sol, estabeleceu a relação das pessoas, com a inclusão de novas práticas ao decorrer do tempo como a troca de presentes, os pinheiros, os presépios, as meias na janela esperando moedas e o panetone. Ou seja, a prática natalina sempre foi universal. Isto produz algumas esquisitices como um Papai Noel com muita roupa num Brasil quente e tropical.
De uma maneira geral, a universalidade da data, num mundo moderno, capitalista, fixou o sentido do Natal no ato globalizante do consumo, onde o Papai Noel é o principal “garoto-propaganda”. A propaganda utiliza um mito para criar novos ritos, no caso, o ritual da compra. Marcas importadas, produtos fetichizados, falsas promoções, necessidades criadas. Tudo em nome de uma comemoração que na verdade começou com o simples ato de olhar o sol.
Para entender a sociedade é preciso que olhemos pra nós mesmos, para nossas práticas. Começa por analisar o passado, para entender o presente e tentar mudar o futuro. Começamos esquecendo o sentido pagão da celebração, perdendo o contato com a essência, a natureza. Depois jogamos fora as idéias de humildade e ajuda aos mais necessitados que pregaram Cristo e São Nicolau. Por último estamos substituindo o ato de reunir amigos e familiares para comer, beber, dançar e conversar, por atitudes mecânicas e interesseiras como comprar. Evidente que existem as boas exceções e espera-se que no presente e futuro, predomine o sentido da reunião, da festa, indiferentemente de presentes, seja pra celebrar Cristo,o sol ou a cerveja, afinal é verão!
CINEMATECA- Laranja Mecânica
A CINEMATECA DO SENHOR FUCClockwork Orange (Laranja Mecânica)
de Stanley Kubrick
1971
"Ouça sua gúliver e vidia a glaze de bog my drugue. Goverete com a devotchka bebendo moloko velocete ao som lovely lovely ludwing van bethoven."
Por Senhor FUC
Laranja Mecânica(Clockwork Orange), do diretor Stanley Kubrick, com o ator Malcom Macdowell, foi gravado em 1971 e sua história é baseada no livro homônimo de Anthony Burges. Clockwork Orange vem da gíria "cockney", muito usada pelas torcidas inglesas na década de 50, que denomina uma pessoa desequilibrada, um desajustado agressivo, que odeia as instituições e o seres, e por isto os agride. Ou ainda, nas próprias palavras do autor do livro: "o ser humano é dotado de vontade e pode usá-la para escolher entre o bem e o mal. Se só se pode fazer o bem, ou só se pode fazer o mal, é uma Laranja Mecânica- que significa que tem aparência de um organismo adorável, com cor e suco, mas que na realidade é um brinquedo mecânico para ser manipulado por Bog(Deus) ou pelo Diabo( no caso o todo poderosos estado)."
Nesta frase aparece um elemento muito interessante: uma palavra de um vocabulário imaginário. Kubrick levou pra tela a grande idéia de Burgess de criar uma linguagem falada também marcante, acrescentando ao roteiro palavras. No caso do filme, o espectador ouve várias palavras diferentes que não existem em nenhuma outra língua (e que não são traduzidas no filme). Mesmo assim em alguns momentos pelo contexto da frase é possível enteder o significado ou algo muito próximo. São gírias da gangue que mesclam palavras inglesas, russas e expressões ciganas. Entre elas, algumas tais como: gúliver- cabeça, drugue- comparsa, espachca- cochilo, , milicente- policial, toltchocos- porradas, glaze- olho, goverete- conversa, iarblas- testículos,devotchka- moça e videar- olhar.

A trama se passa num futuro não tão distante, mas com vários elementos futuristas na decoração dos ambientes. A história é narrada em primeira pessoa pelo personagem de Malcom Madowell, Alex, auto-intitulado the large. Além de Alex fazem parte da gangue seu 3 drugues: Georgie Boy(James Marcus), Dim(Wareen Clarke) e Pete(Aubrey Morris). Após tomarem seus molokos velocetes (uma espécie de leite com drogas), no Korova Milk Bar, e ficarem pré-dispostos à ultra-violence eles passam a cometer diversos crastes(crimes), como estupros e brigas de forma extremamente prazerosa. Uma notchi, os drugues, com intuito de livrarem-se daquel que era seu líder, atraiçoam Alex. Eles chamam os milicentes, após Alex ter assassinado uma mulher com uma estranha escultura fálica. Alex é preso e para livrar-se de cumprir a pena de 14 anos, resolve ser voluntário num tratamento criado pelo governo para reintegrar o bandido à sociedade, ou até mesmo para "desentupir" as cadeias. O tratamento Ludovico, de método behaviorista, o condiciona a associar imagens de que envolvem violência (como os desfiles do exército de hitler) com algo de bom que o paciente possa ter. No caso Alex tem uma grande paixão pela música de Ludwing Van Beethoven (várias cenas têm como trilha canções do compositor).

Drogado e amarrado a uma cadeira pela camisa de força é exposto por horas e horas a imagens de violência, enquanto ouve seu grande ídolo. A associação o deixa desconfortável e faz com que começe a ter reações físicas extremas como enjôos toda vez que vê cenas de violência. Após sair da cadeia, totalmente mudado pelo Tratamento Ludovico, ele passa a viver todas as situações em que antes ele havia prejudicado alguém, vendo-se nas mãos de suas vítimas, sofrendo as mesmas violências sem conseguir reagir já que o tratamento o condiciona a aceitar a violência como algo ruim .Assim ele fica incapaz de reagir com violência pois isto lhe causa náuseas. Fica impotente pra lidar com a violência que o cerca. E também não consegue se reintegrar a esta sociedade. Ele acaba sendo amparado por uma de suas vítimas, que via Alex como uma forma de comprovar a ineficácia do tratamento, ao mesmo tempo usando-o para fins políticos, já que esta vítima era de um partido de oposição ao governo responsável pelo tratamento. A vítima, no entanto, acredita que poderia lidar com seu carrasco, mas também seus desejos mais violentos afloram. Após ver sua mulher ser estuprada e levar uma surra que o deixou em cadeira de rodas, não há como ficar indiferente ao ter em sua casa aquele que o feriu. Esta vítima é o escritor (no filme) do livro Clockwork Orange, Frank Alexander(Patrick Magee). A história torna-se um círculo vicioso. Kubrick vai mostrando conceitos ao longo do filme em que colocam de um lado o personagem Alex e de outro a sociedade, ora Alex agride a sociedade em outra a sociedade agride Alex.
O filme acaba com a emblemática frase: "- Agora estou curado."No livro a história continua, Alex "curado" volta a cometer crimes mas resolve parar por vontade própria, o que dá um significado piscológico todo especial para a moral do filme.Como todo clássico, causa impacto. Para alguns positivo, para outros negativo. De qualquer maneira o primeiro passo é ver o filme. Então, assista! Agora, se você é um daqueles alucinados pelo filme a ponto de ter o dvd, ver pelo menos 2 vezes por ano, já ter lido o livro, feito trabalho de psicologia geral e até ter colocado aquela saqueira ridícula em alguam festa à fantasia , você vai se perguntar: porque eu estou lendo mais do mesmo e isto não me importa nem um pouco?

Perfil- Melhor viver de Chica do que morrer de tédio- Por Chica

Oi!
Meu nome é Chica.
Nasci num butecão fruto do encontro de meus 9 pais. Entre a plena comunicação planetária, a compreensão etílica do universo, o caos, a fúria e o som das vibrações fabicanas. Sob a lua 33 nasci quando sentiram na garganta minha alma pela primeira vez. Sou uma cachacinha ardente e saborosa. Sou bi. Bidestilada. Adoro que homens e mulheres me degustem até a última gota, porém, não gosto quando as pessoas não me dão valor, como se eu fosse mulher de vida fácil, me depreciando, chorando a graça do de graça como se houvesse vida fácil. Sou batalhadora, alternativa. Cada parte de mim tem um quê de especial e único. Nunca sou a mesma. E nenhuma outra é igual a mim. Se me quer, aceite-me como sou e não tente me tornar qualquer outra. Se quiser isto vá procurar suas belinhas, caninhas e outras inhas que você encontra em qualquer esquina. Sou forte mas sem perder a ternura.Curto flores, frutas, plantas e ervas. É só você me dizer como me quer: abacaxi, ameixa, amora, bergamota, butiá, catuaba, figo, gengibre, hortelã, maçãnela, morango e uva. Claro que de acordo com a época do ano, pois não gosto de me repetir. Tudo tem seu devido tempo.
Caso você tenha fetiches alcoólicos, posso te apresentar a Velha Chica, que esteve em reclusão numa casa de carvalho e bálsamo por longos 4 anos, que a deixaram muito madura.
Não se preocupe que comigo você nunca terá dor de cabeça. Mas claro, alguns cuidados são importantes. Procure não me beber de estômago vazio. Vó Chicona já dizia: saco vazio não para em pé. Não goze rápido.Gosto que me bebam aos pouquinhos, saboreando, me sentindo tocar os lábios, a lingua, até fazer parte de ti até sermos uma mente só. Não tenha pressa, as preliminares são importantes, então calma pra não apagar e me deixar na mão. Caso isto aconteça te sugiro outra companhia: a amiga água. A água ajuda a reidratar o organismo. E lembre-se de que se beber não vá dirigir. Sou muito sedutora, a ponto de deixar fora de si qualquer um, então não convém realizar atividades que exijam muita concentração e possam colocar a vida em risco. Afinal, é melhor viver de Chica do que morrer de tédio!
Se você quiser me conhecer entre em contato. Meu prazer é a sua satisfação.
O endereço de minha casa é www.chicachaca.com e minha caixa postal é chica@chicachaca.com
Tchau e até logo!
Beijos!
Chica.
Terça-feira, Novembro 14, 2006
Direito e ética no Jornalismo Cultural: a questão do jabá.
De que maneira a prática do jabá interfere na ética jornalística?
Pensar a ética jornalística na cultura, parte do princípio de estabelecer a real relação imprensa/empresa. Embora tanto as rádios quanto às televisões sejam concessões governamentais, elas são gerenciadas livremente, sem controle público, por empresas, havendo casos de quase monopólio, ou seja, uma grande empresa tem várias emissoras de rádio e televisão num mesmo local, como acontece no Rio Grande do Sul com a RBS que possui 3 canais de televisão (RBS, TV COM e Canal Rural) e 7 emissoras de rádio (Gaúcha, Farroupilha, Rural, Atlântida, Cidade, Itapema e Metrô).
Assim sendo o jornalismo crítico muitas vezes acaba se influenciando ou mesmo sendo obrigado mediante pressão, por “entrar no jogo”. A ética jornalística submete-se então a questões comerciais.
Para aprofundar, cita-se um caso, um tipo de prática que fere a ética jornalística, quando os interesses empresariais se sobrepõem aos interesses culturais da sociedade, o Jabá.
O termo Jabá deriva da palavra Jabaculê, que quer dizer: negociata, armação, suborno. É uma prática comum principalmente nas grandes rádios e nos programas de auditório das principais emissoras brasileiras. Logicamente pelo fato de estas rádios e estes programas possuírem mais audiência, ou seja, mais pessoas ouvindo e/ou assistindo, mais “consumidores” poderão se interessar por aquele “produto”. A indústria cultural transforma a obra em produto. Um produto precisa ser vendido e então os meios de comunicação de massa estimulam o consumo apresentando não o artista, mas o álbum do artista. Até aí tudo bem, não fosse o fato do Jabá. As emissoras de rádio e televisão são subornadas à apresentarem em seus programas determinado artista, não necessariamente porque o público quer ou porque o apresentador gosta do som, mas sim pelo fato de que a gravadora pagou para que aquele artista tocasse naquele programa. No caso específico do rádio (onde a programação musical é diária), o Jabá consiste em pagar a rádio para que a música de determinado artista toque tantas vezes ao dia quanto for o valor combinado da “propina”. O que ouvimos então é a mesma música de um único artista tocar incessantemente em todos principais horários, aqueles de maior audiência. Enquanto isto os artistas novos, com vergonha na cara e/ou sem dinheiro no bolso deixam de ter seu trabalho divulgado, o que contraria a legislação que diz que as rádios são concessões públicas e devem ser veículos de comunicação democráticos. Esta deturpação ocasiona uma inversão da realidade. Os sucessos musicais não são necessariamente aqueles que representam o presente panorama cultural. A mídia então “cria” artistas, que depois de um tempo somem e nunca mais voltam.
Antigamente as gravadoras ou os empresários dos artistas pagavam diretamente aos locutores. Hoje em dia esta prática institucionalizou-se. Os espaços na programação são acertados diretamente com o setor comercial da empresa de comunicação. Veja que não é uma negociação comercial no real sentido da palavra, onde se vendem espaços comerciais, como os intervalos comerciais- desculpem a repetição mas é bom frisar : comercial. O que acontece é a venda de espaços artísticos com intuitos comerciais. Não é a divulgação de um show, a promoção de um álbum no intervalo, é a deliberada compra de um tempo dentro de um programa cultural.
Um veículo pode comercializar seus espaços comerciais como nome diz para obter uma sustentação financeira, mas jamais seu espaço artístico.
O advogado e professor da Fundação Getúlio Vargas, Nehemias Gueiros Jr em seu livro “O direito autoral no show bussiness” detalha como é feito o jabá, chamado pelas gravadoras de plano de marketing. Diz ele no livro que as grandes gravadoras destinam verbas para a divulgação dos álbuns. Quanto mais “popular” o artista mais verbas de divulgação. Diz também que grande parte destas verbas de divulgação vai para os diretores de programação das grandes rádios. "O raciocínio desta gente é torto, paradoxal. Eles investem em artistas sem nenhum talento, colocam uma baita grana em cima e depois ficam esperando um retorno que não vem. Depois jogam a culpa do prejuízo na pirataria", explica e prossegue Nehemias. "Todas as gravadoras pagam jabá para os programadores. Vai estar mentindo quem negar isso. Pagam descaradamente, com viagens ao exterior, carros e muito, muito dinheiro. Pouca gente sabe, mas é o investimento pesado no jabá, que não é contabilizado pelas gravadoras, o grande responsável pelo alto preço dos CDs para o consumidor."
Para citar um exemplo atual, nos Estados Unidos a Federal Communications Commission, equivalente a Anatel no Brasil, fez severas investigações que subsidiaram o procurador geral de Nova York, Eliot Sprintzer a processar a Sony/BMG e a Warner, respectivamente em US$10 milhões e US$5 milhões. Nos Estados Unidos jabá é crime, no Brasil não. Dificilmente se acabará com o jabá, mas tornar crime, já um grande passo pra diminuição desta prática e pelo menos para punição.
O mercado fonográfico mundial é muito concentrado. Apenas 4 empresas detêm cerca de 80% do mercado mundial. São as chamadas “The Big Four”, na ordem: Universal Music, Sony/BMG, Warner Music e EMI Group. O que teoricamente facilitaria o controle por parte das autoridades. No entanto, no Brasil, a Anatel parece estar mais interessada em fechar rádios comunitárias que impedir o jabá.
Com o avanço da tecnologia, várias bandas estão procurando novas formas para divulgar seu trabalho e para que não fiquem reféns deste mercado cultural baseado no jabá estão disponibilizando suas músicas na internet. É o caso, dentre alguns outros bons exemplos, das bandas Bléque e Pedrada Afú. Há alguns músicos que até estão se organizando para tratar o jabá não só como falta de ética mas como crime. É o caso de Lobão, B.Negão, Marcelo Yuka e Dado Villa-lobos que participam do Movimento JáBasta!.
Além da mobilização social necessária, a luta pela criminalização do jabá se articula no âmbito legislativo para que vire lei. O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), enviou ao Congresso Nacional, em 2003, o projeto de lei 1048/03 que prevê a criminalização da prática do jabá. O projeto que conta com o apoio do atual Ministro da Cultura, Gilberto Gil, já foi aprovado nas comissões de Educação e Cultura, de Ciência e Tecnologia, de Comunicação e Informática e está atualmente na Comissão de Justiça e Cidadania. Este projeto, na verdade, é um desdobramento da lei n°4.117, de 1962, que instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações, explicitando uma punição que não havia anteriormente:
“ Art. 53A.Constitui crime, punível com a pena de detenção,de 1 (um) a 2 (dois) anos, sem prejuízo das sanções de multa, suspensão ou cassação, previstas nesta lei, receber, na qualidade de proprietário, gerente, responsável, radialista ou apresentador de pessoa jurídica autorizada, concessionária ou permissionária de serviço de radiodifusão, dinheiro, ou qualquer outra vantagem, direta ou indireta, de gravadora, artista ou seu empresário, promotor de concertos, ou afins, para executar ou privilegiar a execução de determinada música.”
Então vemos que a questão do jabá envolve gravadoras, artistas e veículos de comunicação. No entanto, esquecemos de um agente fundamental neste processo: o jornalista. Não entrarei nem na discussão de se quem apresenta os programas de televisão e rádio são jornalistas. Assim, partindo do pressuposto que são comunicadores questiona-se a maneira como se posicionam frente ao jabá.
Dificilmente vemos um comunicador vir a público manifestar repúdio ao Jabá. Na área esportiva podemos citar Jorge Kajuru que sempre que reclama das propagandas nos meios dos programas esportivos é demitido das emissoras e muitas vezes processado. Na área cultural, aqui no Rio Grande Do Sul são poucos que levantam a questão como bandeira. Podemos citar a rádio Ipanema FM e a Revista O Dilúvio. Mesmo assim pouco ou nada se discute a partir dos grandes veículos de comunicação, em especial aqueles que listei no início, do grupo RBS. Aliás por lá o jabá é mais do que institucionalizado pois o grupo também possui uma gravadora (Orbeat Music) que “curiosamente” lança seus discos com ampla divulgação tanto nos canais de televisão quanto nas emissoras de rádio da RBS.
Talvez seja o fato de boa parte dos apresentadores não ser jornalista e apesar de ter a parte técnica não ter uma fundamentação teórica sobre ética,jornalismo e cultura. Talvez seja culpa da falta de discussão anterior, dentro das faculdades para preparar o futuro jornalista cultural. Talvez seja o medo de perder emprego que faz com que o comunicador aceite as ordens comerciais da empresa de comunicação. Talvez seja a ambição que cega e compra os valores éticos. O certo é que o jabá interfere direta e negativamente no trabalho de um jornalista cultural, o que por conseguinte interfere na veracidade da produção cultural e no cotidiano das pessoas “comuns” que são enganadas por falsas informações. É a produção de bens artificiais.
Todo comunicador que se submete ao jabá e mesmo aquele que consente ao calar-se, está agindo contra os princípios morais da categoria. O código de ética do jornalista em relação à conduta do profissional, prevê,entre outras coisas, que é dever do jornalista combater e denunciar todas formas de corrupção, em especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação (artigo 9 letra f) e que o jornalista deve evitar a divulgação de fatos com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômicas(artigo 13 letra a).
Por isto devemos repudiar esta prática e denunciar todos aqueles que dela participam sejam artistas, advogados, empresários de gravadoras, empresários de redes de comunicação, produtores, apresentadores de programa de auditório, radialistas ou jornalistas culturais. Lutar pela democratização dos meios de comunicação de massa passa obrigatoriamente pela luta pelo fim do jabá.
Segunda-feira, Outubro 02, 2006
dados eleições 2006
| 1 | 13 - LULA | PT - PT/PRB/PC do B | 46.661.741 | 48,61 |
| 0002 | 45 - GERALDO ALCKMIN | PSDB - PSDB/PFL | 39.968.167 | 41,64 |
| 0003 | 50 - HELOÍSA HELENA | PSOL - PSTU/PCB/PSOL | 6.575.353 | 6,85 |
| 0004 | 12 - CRISTOVAM BUARQUE | PDT - PDT | 2.538.833 | 2,64 |
| 0005 | 44 - ANA MARIA RANGEL | PRP - PRP | 126.402 | 0,13 |
| 0006 | 27 - JOSÉ MARIA EYMAEL | PSDC - PSDC | 63.294 | 0,07 |
| 0007 | 17 - LUCIANO BIVAR | PSL - PSL | 62.064 | 0,06 |
| 0008 | 29 - RUI COSTA PIMENTA | PCO - PCO | 0 | 0,00 |
GOVERNADORES ELEITOS EM PRIMEIRO TURNO
Alagoas
| 45 - TEOTONIO VILELA FILHO | PSDB - PMDB / PPS / PSDB / PT do B | 733.405 | 55,85 |
Amapá
| 12 - WALDEZ | PDT - PDT / PP / PMDB / PV / PSC / PRONA | 160.150 | 53,69 |
Bahia
| 13 - JAQUES WAGNER | PT - PT / PMDB / PC do B / PSB / PPS / PV / PTB / PMN / PRB | 3.242.336 | 52,89 |
Ceará
| 40 - CID GOMES | PSB - PSB / PT / PC do B / PMDB / PRB / PP / PHS / PMN / PV | 2.411.457 | 62,38 |
Distrito Federal
| 25 - ARRUDA | PFL - PP / PTN / PSC / PL / PPS / PFL / PMN / PRONA | 663.364 | 50,38 |
Espírito Santo
| 15 - PAULO HARTUNG | PMDB - PTB / PMDB / PFL / PSDB | 1.326.175 | 77,27 |
MAto Grosso
| 23 - BLAIRO MAGGI | PPS - PP / PTB / PMDB / PTN / PL / PPS / PFL / PAN / PRTB / PMN / PTC / PSB / PV | 922.765 | 65,39 |
MAto Grosso do Sul
| 15 - ANDRÉ PUCCINELLI | PMDB - PMDB / PSC / PL / PPS / PFL / PAN / PRTB / PMN / PTC / PSDB / PT do B | 726.806 | 61,34 |
Minas Gerais
| 45 - AÉCIO NEVES | PSDB - PP / PTB / PSC / PL / PPS / PFL / PAN / PHS / PSB / PSDB | 7.482.809 | 77,03 |
Pará
| 45 - ALMIR GABRIEL | PSDB - PP / PTB / PSC / PL / PFL / PAN / PRTB / PHS / PMN / PTC / PV / PRP / PSDB / PRONA / PT do B | 1.370.272 | 43,83 |
Piauí
| 13 - WELLINGTON DIAS | PT - PT / PSB / PTB / PC do B / PL | 954.857 | 61,68 |
Rondônia
| 23 - IVO CASSOL | PPS - PTN / PPS / PFL / PAN / PV / PRONA | 387.208 | 54,14 |
Roraima
| 45 - OTTOMAR | PSDB - PP / PTB / PL / PFL / PSDB | 116.542 | 62,40 |
São Paulo
| 45 - SERRA | PSDB - PSDB / PFL / PTB / PPS | 12.381.038 | 57,93 |
Segipe
| 13 - DÉDA | PT - PT / PTB / PMDB / PL / PSB / PC do B | 524.826 | 52,46 |
Tocantins
| 15 - MARCELO MIRANDA | PMDB - PMDB / PPS / PFL | 340.824 | 51,49 |
GOVERNADOR SEGUNDO TURNO
Santa Catarina
15LUis Henrique(PMDB - PMDB / PFL / PSDB / PPS / PRTB / PT do B / PAN / PHS) x
11Esperidião Amin(PP - PP / PMN / PV / PRONA)
Rio Grande do Sul
45Yeda Crusius(PSDB - PSC / PL / PPS / PFL / PAN / PRTB / PHS / PTC / PSDB / PRONA / PT do B) x
13Olívio Dutra(PT - PT / PC do B)
Rio Grande do Norte
40Vilma(PSB - PSB / PTB / PT / PL / PPS / PHS / PMN / PC do B / PT do B) x
15Garibaldi Filho(PMDB - PMDB / PFL / PP / PTN)
Rio de JAneiro
15Sergio Cabral(PMDB - PP / PTB / PMDB / PSC / PL / PAN / PMN / PTC / PRONA) x
23 Denisse Frossard(PPS - PPS / PFL / PV)
Pernambuco
25 Mendonça(PFL - PMDB / PTN / PPS / PFL / PHS / PSDB) x
14 Eduardo Campos(PSB - PP / PDT / PSC / PL / PSB)
Paraná
15Roberto Requião(PMDB - PMDB / PSC) x
12 OSmar Dias(PDT - PP / PDT / PTB / PTN / PMN / PTC / PSB / PRONA / PT do B)
Paraíba
45Cássio(PSDB - PP / PTB / PTN / PL / PFL / PTC / PSDB / PT do B) x
15 Zé MAranhão(PMDB - PRB / PT / PMDB / PSB / PC do B)
Pará
45- Almir GAbriel(PSDB - PP / PTB / PSC / PL / PFL / PAN / PRTB / PHS / PMN / PTC / PV / PRP / PSDB / PRONA / PT do B) x
13-Anna Júlia (PT - PRB / PT / PTN / PSB / PC do B)
MAranhão
25- Roseana Sarney(PFL - PP / PTB / PMDB / PTN / PSC / PL / PFL / PRTB / PHS / PV / PRP) x
12-Jackson LAgo(PDT - PDT / PPS / PAN)
Goiás
11Alcides Rodrigues(PP - PP / PTB / PTN / PL / PPS / PAN / PRTB / PHS / PMN / PV / PRP / PSDB / PT do B) x
15Maguito(PMDB - PMDB / PSC / PRONA / PDT / PTC)
SENADORES
Acre-Tião Vianna(PT)
Alagoas-Collor(PRTB)* acreditem
Amapá- Sarney(PMDB) *mas ele não é do maanhão???
Amazonas- Alfredo Nascimento(PL)
Bahia- João Durval(PDT)
Ceará-Inácio(PCDOB)
Distrito Federal-Roriz(PMDB)
Espírito Santo-Renato Casgrande(PSB)
Goiás-Marconi Perillo(PSDB)
MAranhão- Epitácio Cafeteira(PTB)
MAto Grosso- Jaime Campos(PFL)
Mato Grosso do Sul-MArisa Serrano(PSDB)
Minas Gerais-Eliseu Rezende(PFL)
Pará-Mário Couto(PSDB)
PAraíba-Cícero Lucena(PSDB)
PAraná-Àlvaro Dias(PSDB) * a bancada ruralista está em festa
Pernambuco-JArbasVasconcelos(PMDB) * será ele mesmo? ainda vive?
Piauí-Joaõ Vicente(PTB)
Rio de JAneiro-Franciso Dornelles(PP)
Rio Grande do Norte-Rosalba Cialrini(PFL)
Rio Grande do Sul-Simon(PMDB) * mais um mandato. 32 anos mamando na teta.
Rondônia-Expedito Junior(PPS)
Roraima-Mozarildo(PTB)
Santa Catarina-Raimundo Colombo(PFL)
São PAulo-Eduardo Suplicy(PT)
Sergipe-Maria do Carmo(PFL)
Tocatins-Kátia Abreu(PFL)
Lista de parlamentares(dep.federal) acusados que foram eleitos
Fontes: congresso em foco, tranparência brasil, tse e último segundo
"Eita povo burro!" Daniel Konig
Pra começar um tijolaço: Paulo MAluf(PP) é odeputado federal com maior número de votOs em todo Brasil- 740 mil.
composição da bancada federal:
PMDB(86), PT(82), PFL(68), PSDB(66), PP(42),PSB(27), PL(25), PTB(23), PDT(22),PPS(20), PCdo B(14), PV(12), PSC(9), PTC(4), PMN(3). Psol(3), PHS(2), Prona(2), PAN(1), PRB(1) e PTdoB(1).
(1) Investigado pelo Ministério Público por suspeita de envolvimento com a máfia dos sanguessugas
(2) Acusado pela CPI dos Sanguessugas
(3) Responde a processo ou inquérito na Justiça
(4) Acusado de envolvimento com o mensalão
ALAGOAS
Benedito de Lira (PP) - 106.537 (reeleito) (1)
AMAPÁ
Davi Alcolumbre (PFL) - 12.377 (reeleito) (3)
DISTRITO FEDERAL
José Roberto Arruda (PFL) (3) p.s: governador
GOIÁS
Sandro Mabel (PL) - 108.629 (reeleito) (3) e (4)
Jovair Arantes (PTB) - 105.219 (reeleito) (3)
Rubens Otoni (PT) - 87.258 (reeleito) (3)
Luiz Bittencourt (PMDB) - 71.332 (reeleito) (3)
Carlos Alberto Leréia (PSDB) - 66.770 (reeleito) (3)
MARANHÃO
Clóvis Fecury (PFL) - 102.404 (reeleito) (3)
Dr. Ribamar Alves (PSB) - 62.952 (reeleito) (1)
MATO GROSSO
Thelma de Oliveira (PSDB) - 76.770 (reeleita) (3)
Welinton Fagundes (PL) - 78.215 (reeleito) (2)
Pedro Henry (PP) - 73.312 (reeleito) (2) e (4)
PARAÍBA
Marcondes Gadelha (PSB) - 39.361 (reeleito) (2)
RIO GRANDE DO SUL
Paulo Pimenta (PT) - 104.430 (reeleito) (4)
SÃO PAULO
Paulo Maluf (PP) - 739.821 (3)
Celso Russomano (PP) - 573.513 (reeleito) (3)
SERGIPE
Jackson Barreto (PTB) - 100.366 (reeleito) (4)
TOCANTINS
Osvaldo Reis (PMDB) - 40.752 (reeleito) (3)
Eduardo Gomes (PSDB) - 33.664 (reeleito) (3)
Manipulação na Mídia
Manipulação na Mídia
De Fabricio Ungaretti Coutinho
Me chamou a atenção algumas inversões de olhar da mídia sobre os fatos mais “espetaculares” dos últimos dias. È o que Arbex chama de Showrnalismo.
Três fatos: assassino solto é morto, modelo transa na praia e surge um dossiê que incrimina um candidato a presidência.
Três olhares da mídia: ex-namorada “supostamente” mata o Cel. Ubiratan; Vídeo da Cicarelli bate recorde no youtube; Petistas são acusados de comprar o dossiê.
Como diria Jack, vamos por partes.
O Coronel Ubiratan Guimarães foi o comandante da operação que matou 111 pessoas no presídio de Carandiru. Foi condenado a 632 anos de prisão.Estava solto. Era candidato a deputado estadual pelo PTB de São Paulo. Com o número de 14111. Em raríssimos momentos isto foi colocado. O foco da notícia foi se a advogada Carla Cepollino, sua ex-namorada, teria o assassinado ou não. Claro que o fato é a morte, mas não coloca ro contexto da história de vida dos protagonista é uma forma de manipulação.
A apresentadora e modelo Daniela Cicarelli foi “pega” transando com seu namorado em uma praia da Espanha. Isto é fato, lógico. No entanto o showrnalismo, a mídia de espetáculo, transformou a coisa em assunto nacional. E ao contrário do primeiro exemplo e do próximo que virá, fez vários questionamentos para além do fato em si. Discutiu-se entre outras coisas a ética do jornalista que estava invadindo a privacidade da modelo, o crime ou não de uma pessoa transar em local público e a globalização e as novas ferramentas de internet. Por incrível que pareça foi o fato que menos teve manipulação no sentido de ouvir vários lados, mostrar outras questões que provém do fato em si,etc... No entanto, também não deixa de ser um fato de manipulação, pois embora os temas debatidos sejam de interesse na área do direito e da comunicação, o tamanho desproporcional que a discussão gerou interferiu nas pautas “jornalísticas” dos meios de comunicação. O que nos perguntarmos: isto é de real interesse da sociedade? Se for: o que leva a população a se interessar mais pela vida dos outros do que por sua própria vida (saber mais sobre a política democrática representativa que interfere diretamente em suas vidas)? E se não for de interesse: porquê a mídia pautou este assunto exaustivamente?
Mas agora chega porque isto já tomou tempo demais. Vamos ao terceiro exemplo.
Um dossiê aparece em vésperas de eleição com uma fita de vídeo e fotos que mostram o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB), quando era ministro da saúde do governo FHC, entregando ambulâncias em Cuiabá em parceria com a Planam, empresa de Vedoim responsável pelos desvios de verbas públicas. O empresário tenta vender o dossiê para pessoas ligadas ao PT. Valdebran Carlos Padilha da Silva e Gedebran Pereira Passos são presos em um hotel com R$1.702,920. Qual foi o ponto de vista da grande imprensa: a compra do dossiê e não o dossiê.
Claro que é lamentável este tipo de atitude, a compra do dossiê. Certamente os responsáveis, estejam ligados ao PT ou não, interferiram na campanha de reeleição de Lula. Certamente que temos que saber de onde veio o dinheiro. Assim como até hoje não sabemos de onde veio dinheiro do mensalão. Mas e o fato? E o dossiê? E as apurações de que o esquema sanguessuga começou no governo FHC? E as investigações para saber se Serra estava envolvido? Isto não foi colocado em pauta na grande mídia em NENHUM momento.
Manipulação!
Abaixo coloco alguns conceitos do maravilhoso livro “Padrões de Manipulação na grande imprensa” de Perseu Abramo.
“É uma realidade artificial, não-real, irreal, criada e desenvolvida pela imprensa e apresentada no lugar da realidade real”(pg 23)
“Os padrões devem ser tomados como padrões, isto é, como tipos ou modelos de manipulação, em torno dos quis gira, com maior ou menor grau de aproximação ou distanciamento, a maioria das matérias da produção jornalística”(pg.25)
“1. Padrão de ocultação- É o padrão que se refere à ausência e à presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento, e nem mesmo de mera omissão diante do real. É ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade” (pg.25)
“2. Padrão de fragmentação- Eliminados os fatos definidos como não- jornalísticos, o “resto” da realidade é apresentado pela imprensa ao leitor não como uma realidade, com suas estruturas e interconexões, sua dinâmica e seus movimentos e processospróprios, suas causas, suas condições e suas conseqüências. O todo real é estilhaçado, despedaçado, fragmentado em milhões de minúsculos fatos particulares, na maior parte dos casos desconectados entre si” (pg 27)
“Seleção de aspectos...os critérios para essa seleção não residem necessariamente na natureza ou nas características do fato decomposto, mas sim nas decisões, na linha, no projeto do órgão de imprensa, que são transmitidos, impostos ou adotados pelos jornalistas desse órgão.”(pg.28)
“A descontextualização é uma decorrência da seleção de aspectos. Isolados como particularidades de um fato, o dado, a informação, a declaração perdem todo seu significado original e real para permanecer no limbo, sem significado aparente, ou receber outro significado, diferente e mesmo antagônico ao significado real original”(pg28)
“3.Padrão de inversão- Fragmentado o fato em aspectos particulares, todos eles descontextualizados, intervém o padrão de inversão, que opera o reordenamento das partes...3.1Inversão da relevância dos aspectos: o secundário é apresentado como principal e vice-versa;...3.2 Inversão da forma pelo conteúdo: o texto passa a ser mais importante que o fato que ele produz; a palavra, a frase, no lugar da informação; o tempo e o espaço da matéria predominando sobre a clareza da explicação; o visual harmônico sobre a veracidade ou a fidelidade; o ficcional espetaculoso sobre a realidade. 3.3 Inversão da versão pelo fato: não é o fato em si que passa a importar, mas a versão que dele tem o órgão de imprensa, seja essa versão originada no próprio órgão de imprensa, seja adotada ou aceita de alguém- da fonte das declarações e opiniões.” (pg29)
“Outro extremo da inversão do fato pela versão é o oficialismo, expressão aqui utilizada para indicar a fonte “oficial” de qualquer segmento da sociedade, e não apenas as autoridades do Estado ou do governo. No lugar dos fatos uma versão, sim ,mas de preferência a versão oficial...de maneira que o leitor não apenas acredite nela mas a aceite e adote.” (pg30)
“3.4 Inversão da opinião pela informação- ...substituir, inteira ou parcialmente, a informação pela opinião. Deve-se destacar quenão se trata de diquer que, além da informação, o órgão de imprensa apresenta também a opinião, o que seria justo, louvável e desejável, mas sim que o órgão de imprensa apresenta a opinião no lugar da informação, e com a agravante de fazer passar a opinião pela informação.”(pg 31)
“Padrão de Indução-...Alguns assuntos jamais, ou quase nunca, são tratados pela imprensa, enquanto outros aparecem quase todos os dias. Alguns segmentos sociais são vistos pela imprensa apenas sob alguns poucos ângulos, enquanto permanece na obscuridade toda a complexa riqueza de suas vidas e atividades. Alguns personagens jamais aparecem em muitos órgãos de comunicação, enquanto outros comparecem abusivamente, à saciedade, com uma irritante e enjoativa freqüência,” (pg34)
razões do voto
Razões do voto
De Fabrício Ungaretti Coutinho
Resenha do texto “Em busca das razões para o voto: o uso que o eleitor faz da propaganda política” de Luciana Fernandes Veiga.
O texto foi baseado em pesquisas qualitativas na ocasião da disputa presidencial de 1998, porém seus dados ainda são muito atuais e podemos ver elementos que devem ter se repetido nas eleições de 2006.
A primeira hipótese (de Downs 1957) é de que “o eleitor ao decidir seu voto, age a partir de cálculos de interesse e utilidade pessoal, a fim de maximizar ganhos”(pg.184)
A política quando não inserida no cotidiano não influencia diretamente o eleitor. Este precisa ter um contato mais direto com ações políticas em sua comunidade para ter uma maior clareza do sentido político. Isto não ocorre devido o fato de o dia-a-dia das pessoas ser muito corrido. O eleitor “comum” acorda cedo, vai pro trabalho, fica lá dia inteiro, chega tarde em casa e quer descansar e estar com sua família. Isto quando não são os casos de pessoas que passam dificuldades como os moradores de rua. Estes precisam de um prato de comida não vão ficar escutando as divagações ideológicas dos pequeno-burgueses pseudo-revolucionários. Os questionamentos do atual sistema capitalista sempre partem de uma minoria que tem acesso ao conhecimento, ou seja, a vanguarda. Como também eu já escrevi antes o PT surgiu como um partido de massas, por isto chegou onde chegou, pois atingiu diretamente a população. Os atuais partidos de esquerda (sim pois o PT não o é mais) são o quadro da vanguarda isolada. PSOL e PSTU são partidos criados de cima pra baixo, sem uma clara agitação popular e por isto seu discurso justo de ataque à política neoliberal não atinge as massas, prova disto é que vai ser muito difícil estes partidos sobreviverem as cláusulas de barreira. Alguns pregam a palavra de Marx sem levar em conta um de seus principais pontos: a prática é o critério da verdade. Se fosse pelo discurso tenho certeza que os candidatos do PSOL e PSTU estariam eleitos. No Rio Grande do Sul apenas a Luciana Genro(federal)foi eleita.
As mudanças não virão mais da disputa pelo poder,mas sim da mobilização social. O eleitor só vota quando associa determinado político a suas causas particulares.
No texto de LucianaVeiga ela cita Heller: “todo pensamento e toda ação se manifestam apenas em conseqüência de uma demanda do dia-a-dia”. È o chamado Economicismo.
Ela também coloca como uma das razões para o voto o que Bransford chamou de click de compreensão. A linguagem difícil dificulta a compreensão. A retórica tecnicista, ou melhor, o discurso complicado, dificulta o entendimento da população com menos acesso ao conhecimento. “O baixo conhecimento sobre os assuntos da política, quando não impossibilita a recepção de informações sobre o tema, torna a mesma muito custosa”(pg.185).
A escolha do voto é então decidida através do limitado conhecimento de política e a escolha parte através de razões subjetivas que levam muito mais em conta as características do candidato do que de um partido ou de um programa de governo. Soma-se a isto o fato de atualmente os partidos perderem credibilidade junto às massas. Não se sabe mais quem é de esquerda e quem é de direita. Num estado um partido se coliga com outro em que em outro estado são inimigos.Também porque nestas eleições o debate programático foi quase inexistente. Estamos indo pra um segundo turno e ninguém sabe realmente quais as propostas de Alckmin e Lula. Estes se colocam como adversários mas praticam o mesmo projeto neoliberal. Assim o eleitor decide votar no que mais lhe agrada. Naquele que resolverá seus problemas particulares. No mais “apresentável”. Neste texto de 1998 há depoimentos de pessoas que disseram que não votaram no Lula porque ele não sabia falar direito. Muitas vezes também o voto é em oposição. Fulano votou em Ciclano porque não queria votar no Beltrano.
Então tirada aquelas pessoas que tem acesso ao conhecimento e tirando também os militantes partidários, a grande massa vota por motivos pessoais.
È a Teoria dos Usos e Gratificações Pessoais. “De acordo com esta teoria, a mídia só se torna eficaz quando o próprio receptor lhe atribua tal eficácia, baseando-se precisamente na satisfação das necessidades” (pg188).
Neste sentido as propagandas eleitorais só influenciam o voto daqueles que não sabem em quem votar, o que infelizmente é a maioria dos casos. A pessoa só vai votar no candidato em função do horário eleitoral se tal propaganda reforçar uma visão já estruturada. Dificilmente uma pessoa irá desfazer seus pré-conceitos sobre algo em função da propaganda. Isto de constrói (ou destrói) a partir da intervenção direta no dia-a-dia.
È a Teoria de Assimilação e Contraste de Hovland. A mensagem é mais assimilada se concordar com nossas idéias pré-conceituadas. Ou então a Teoria de Recepção Seletiva que fala que o leitor decide seu voto pela coerência entre o que a propaganda diz e seus valores e atitudes pessoais. Portanto, aqueles que estão indecisos e como disse é uma grande parte, são bem mais influenciados diretamente pela propaganda política e podem sim mudar seu voto. No entanto ao escolher um candidato em função da imagem e não do objeto estão sujeitos a “errar” o seu voto. È a prática do vote no menos pior e facilita que os candidatos mais conhecidos, mesmo não tendo contato no dia-a-dia , possam utilizar-se da propaganda para ganhar votos dos indecisos e dos eleitores com menos acesso ao conhecimento para se elegeram com base em razões subjetivas.
Afinal de contas como é possível explicar que aqui no Sul o “cantor” Mano Changes(PP) e o homem do tempo Paulo Borges(PFL)- este último o deputado estadual mais votado, tenham sido eleitos com uma votação expressiva sem nunca terem participado de atividades políticas em nenhuma esfera?
Certamente porque eles cativaram um eleitorado que não vive a política no dia-a-dia, e sem ter uma fundamentação objetiva e lógica, para votar num candidato que vá resolver seus problemas imediatos, escolheram aqueles que lhe aparentaram melhor.
Então o que fica novamente de lição é que a esquerda precisa se reestruturar e não vai ser através de partidos políticos e sim da mobilização social para que consiga criar uma relação direta e participativa com o povo, caso contrário ficará sujeito à disputa propagandista no âmbito da subjetividade e assim apresentando uma linguagem muitas vezes complicada perderá para aqueles que são conhecidos da massa por outras atividades, como a música e a televisão.
p.s: eu ia usar como exemplo de “desconhecido político” o Clodovil (PTC) que ficou como terceiro deputado federal mais votado em São Paulo. Mas como usar isto como exemplo se o primeiro mais votado foi Paulo Maluf (PP)?Você acredita em pesquisas?
Infelizmente a relação sórdida dos poderes, para manter o status quo, prevaleceu nestas eleições. Como eu já havia escrito no texto "direito ao voto nulo", o TSE é mais um espaço de dominação ideológica a serviço das grandes estruturas partidárias. Não teve coragem para proibir a divulgação das pesquisas eleitorais.
A idéia de proibir as pesquisas quando faltasse 15 dias pra eleição foi descartada. Um dia antes ainda podiamos ver inúmeras pesquisas de jornais e institutos.
Foram váiros os casos onde as pesquisas não relatarm o que as urnas demosntraram. Por exemplo na Bahia todas pesquisas davam como certa a vitória de Paulo Souto(PFL). O candidato é apadrinhando de Toninho Malvadeza, velho político da época da ditadura(e que s emantém no pdoer até hoje) que possui vários veículos de comunicação na Bahia. No entanto o vencedor e em primeiro turno foi o petista Jaques Wagner ex-ministro de Lula. No Rio Grande do Sul outro fato curioso. Todas pesquisas apontavam o atual governador Germano Rigotto(PMDB) como primeiro colocado e uma disputa entre Yeda Crusius(PSDB) e Olívio Dutra(PT) para saber quem seria o candidato do governador no segundo turno. E não é que Yeda ficou em primeiro e Rigotto não foi ao segundo turno? Ninguém poderia imaginar isto. A decisão foi muito apertada e só com 99,8% de urnas apuradas é que tivemos o resultado final. Yeda teve 32,9%, Olívio 27,39% e Rigotto 27,12%.
Até que ponto as pesquisas eleitorais influenciaram esta inesperada votação?
O resultado só me leva a crer que muitos votos de Rigotto migraram para Yeda. Os eleitores anti-petistas podem ter mudado seu voto no ultimo instante influenciados pelas pesquisas.Vendoa possibildiade de ter dois candidatos da direita(Yeda e Rigotto) disputando um segundo turno e achando que Rigotto estava garantido ao invés de votarem em Rigotto votaram em Yeda para que esta superasse Olívio e fosse para o segundo turno. Ela superou. Rigotto ficou pelo caminho.
No cenário presidenciável pode também ter acontecido algo parecido. Heloísa Helena tinha em todas pesquisas uma média de 9%. Claro que há os 2% pra mais ou pra menos. Mas esperava-se que estes 2% fossem pra mais. Foram pra menos. Heloísa Helena teve 6,85%. Há possibilidade também de o eleitor anti-petista ao não querer que Lula ganhasse no primeiro turno e vendo as reais chances de Alcmin pelas pesquisas e de Heloisa Helena continuar estagnada ter trocado seu voto e ao invés de Heloisa Helena ter votado em Geraldo Alckmin.
Considerações sobre o último debate presidencial
Nunca saberemos se Lula perdeu mais não indo ou se teria perdido mais ainda se fosse.
Esta foi a grande temática do debate.
Assim como FHC fez em 1998 para se reeleger, Lula adotou a mesma prática de se resguardar do ataque dos adversários. Ainda mais depois de todas turbulências criadas após o caso do dossiê.
A assessoria de Lula fez certo ao optar por não ir ao debate?
Com certeza veríamos uma arena com muitas agressões. Vimos mesmo sem ele ir. "Autoritarismo", "covardia política" e "falta de respeito" foram algumas da menções que os outros candidatos fizeram a Lula.
A fórmula do debate da rede bobo permitia que os candidatos presentes fizessem perguntas para o Lula, mesmo sem ele estar lá. Nunca tinha visto isto.Enquanto os candidatos perguntavam a câmera focava na cadeira vazia. Um espetáculo sensacionalista. A questão é saber se Lula indo não teria aproveitado a chance para se sair bem das provocações. Eu sinceramente acho que ele deveria ter ido. Mas devemos respeitar sim o direito dele de não ir afinal de contas ir a debates não é uma regra.É o que a Marilena Chauí disse a respeito do "silêncio dos intelectuais" questionando a tal liberdade de imprensa que obriga as pessoas a se manifestarem. E o trio de candidatos cara-de-pau ainda vinham falar em falta grave com a democracia. Ora bolas e a rede bobo não convidar os demais candidatos não é uma grave falta contra democracia?
Ana Maria Rangel(PRP), Luciano Bivar(PSL), José Maria Eymael(PSDC) e Rui Pimenta(PCO) não foram convidados para o debate pois representam partidos pequenos.Ou seja, o de cima sobe o de baixo desce.
Propostas?
Muito poucas. Como eu disse, mais do mesmo. Cristovam Buarque(PDT) falando predominantemente em educação, Heloisa Helena(PSOL) atacando o sistema financeiro e Geraldo Alckmin(PSDB) atacando a corrupção como se o governo do partido dele não tivesse começado todos os atuais esquemas como mensalão,sanguessuga,etc....
Poucos dias depois recebi um e-mail repassado do psicólogo social e professor da PUCRS, Pedrinho Guareschi analisando alguns destes pontos. Tenho muito respeito pelo professor que faz um trabalho brilhante e fundamental na análise e crítica da mídia. Um ponto que ele colocou é que muito provavelmente a rede bobo tenha cometido um crime eleitoral ao se posicioanr enquanto "agente político". E que o fizeram foi devido ao fato do presidente não ter comparecido e assim possivelmente ter havido uma queda na audiência e consequentemente perdas econômicas. Não sei de fato a quantidade de perda que houve,mas com certeza houve. Muita gente preferiu ficar "zapeando" entre outros canais. Eu mesmo fiquei entre o VMB da MTV e o debate. Nossa mente tão influenciada(negativamente) pelo showrnalismo prefere ver imagens em movimento e questões polêmicas como no caso foi a aparição da Cicarelli após o video na praia e o beijo do Cazé e do Mion. A MTV aliás teve uma atitude pseudo-anarca ao longo de toda campanha eleitoral. Fez propaganda incentivando as pessoas a jogarem ovos e tomates em políticos e no VMB fez o velho discurso de que todo político é filha da puta. O que é um erro pois nem todos são. Misturaram jornalismo com panfletação.
Mas voltando ao debate...
A rede bobo não se comprotou como "agente político" porque ela É um "agente político". A mídia é o 4° poder e o que tem contato quase-direto com as pessoas. Ao longo de toda história a rede bobo se posicionou em nome de interesses dos grandes então não podemos achar que foi um ato isolado, que foi só no debate e para prejudicar Lula. TAmbém não devemos esquecer que a globo sempre esteve aliada ao poder. Começou sua história com incentivo da ditadura militar, apoiou Tancredo, apoiou Sarney, criou o Collor, apoiou o FHC e apoiou o LULA. Não importa quem vai estar lá, a rede bobo vai estar junto. Eles estão com uam enorme dívida e os canais de televisão são concessões públicas então o jogo sórdido vai continuar com Lula ou sem Lula. E se isto ainda acontece devemos lembrar que muito é por culpa do Lula. Não sejamos ingênuos ou "agentes políticos partidários". O Lula colocou como ministro das Comunicação o ex-repórter da globo, Hélio Costa, que entre outras coisas bancou a escolha do padrão de tv digital japonês que privilegia as grandes emissoras de tv e obrigou a Telebrás a pagar antes de esgotado os recursos jurídicos, R$253 milhões para seu amigo Uajdi Menezes Moreira. Lembremos também que Lula nada fez pela democratização dos meios de comunicação de massa. Nesta relação sórdida entre poderes, inclusive o midiático, Lula esqueceu o que rede bobo fez em 1989 com aquela vergonhosa edição do último debate e em todas falas (pelo menos as que aprecem na grande mídia) ele está legitimando a tal imparcilaidade da imprensa.
Por fim não esqueçamos que o governo Lula, juntamente com a Anatel e a Polícia Federal bateu recordes de fechamento de rádios comunitárias.
Então não tratemos o Lula como um pobre coitadinho que está sendo injustiçado pela globo. Se o está é por culpa de si mesmo, pois não teve coragem de fazer as mudanças necessárias na área da comunicação que evitariam que nós de novo estivessemos aqui discutindo o monopólio da mídia.
Como eu disse no início: mais do mesmo!
Fabricio Ungaretti Coutinho
Domingo, Outubro 01, 2006
Opinião Pública de quem?
De Fabricio Ungaretti Coutinho
O ser humano enquanto agente transformador do ambiente em que se inclui exerce e somente de tal maneira, uma influência neste, quando seu papel social é de protagonista de um contexto de mudança e produção do pensar individual em pró do coletivo. Não apenas com a mera reprodução do senso comum mas sim com a aquisição de informações e conseqüente transformação destas em conhecimento, tornado-se assim ser político das relações públicas em sociedade, formando e ajudando a fomentar uma opinião acerca do mundo, e suas percepções empíricas na sociedade.
Ser político porque ao tomar parte na estrutura que antes apenas o influenciava, torna-se protagonista e interage com o meio ,criando uma relação de agir em determinados assuntos, a fim de obter o que se deseja. Portanto, sendo responsável direto pelo conceito de opinião pública, não somente aceitando o que lhe foi passado e estabelecido como norma, moral ou definições de certo e errado como pensava Rosseau, mas literalmente opinando a respeito de determinado assunto de interesse público.
Mesmo que não compartilhando do que, em sua maioria ,é determinado como razão sobre tal, deixa de fazer parte da opinião pública, pois ao se apropriar do assunto, estabelece ligação direta com o fato objetivo e sua " verdade" subjetiva das coisas, sendo impossível qualquer comprovação científica de "Opinião Pública" bem como sua quantificação em pesquisas.
Em concordância com a tese do pensador Pierre Bordieu, defendo a afirmação de que "Opinião Pública" não existe. Pelo menos não como ela costuma ser descrita, a ver:
- discussão espontânea sobre um tema público, entre atores livres de influências externas designando uma opinião comum sobre este tema.
Para demonstrar a negação a esta afirmação, é preciso em primeiro lugar definir o que é opinião e o que é público.
Opinião é o consenso entre a observação do meio, comparada com a ética individual. Como a ética é a dimensão de realização do ser-próprio do homem, fica impossível de se ter duas opiniões iguais, pelo fato do homem ser uno em sua identidade, logo, jamais existindo um valor ético igual em dois seres humanos. Estabelece-se então somente uma relação de semelhança entre o "olhar " e o objeto, criando uma imagem ou como define Aristóteles, a forma das representações e que é diferente de sua natureza. Portanto mesmo que se isole a observação dos fatos e seja passado da mesma maneira para um grupo, ao comparar, e assim, produzir conhecimento, opinar e não meramente receber informação como já foi dito, a ética individual em sua natureza fará com que não se tenha uma "opinião pura" deste grupo sobre o assunto. As opiniões serão de caráter individual, jamais podendo através da quantificação destas opiniões, formar uma opinião geral.
Para continuar defendendo a idéia de que opinião pública não existe, conceituemos público.
É público, tudo aquilo que não pertence a uma pessoa ou grupo determinado É de todos, sendo feito para uso e não posse, como as idéias e as próprias relações públicas. Esta última exercendo papel fundamental na construção deste ser pensante agente transformador.
Como as relações, matéria viva e canal físico da associação seja privada ou pública, são feitas por seres individuais, novamente o conceito de público bem como de sua apropriação só será analisado e usado de acordo com as idéias individuais das pessoas que estão em um grupo e se relacionam.
Classificar Opinião Pública como um fenômeno de massa é diminuir sua abrangência psico-social, pois limita a formação da opinião a uma manifestação de determinado grupo, quando estes na verdade estão expondo seu ponto de vista das coisas, jamais podendo definir como público(que pertence à todos), esta opinião. O que existe são "opiniões cercadas" que designam idéias dirigidas de algum grupo com determinada ideologia que pretende assim, pressionar outras esferas de maior poder para obter o que desejam. Isto é a política e seus jogos de poder. Acontece que uma manifestação seja pela materialização das ideologias em movimentos sociais, comícios, passeatas, pesquisas de eleição, etc, quando analisada na relação governo(orgão máximo de poder) e determinado grupo, jamais englobara o todo(no caso do poder, o todo é a população em geral). A única forma de transformar esta " opinião cercada" em uma dita opinião pública, é através de outro orgão de poder com a capacidade de atingir esta população geral, neste caso a Mídia, que é quem verdadeiramente exerce pressão e influência no governo e na opinião pública.
O processo de tecnologização e informatização da sociedade contemporânea, fez com que se suprimisse outras formas de manifestações possiveis de serem diagnosticadas como função de pressão da opinião pública contra o poder. A Mídia é o caminho escolhido para levar essas manifestações ao alcance de todos, fazendo com que ecoe nos ouvidos do poder, ao tornar o governo mera parte da população geral.
A questão é que de acordo com Bordieu, os temas não são de real interesse de todos, ou seja, ele acredita que impomos assuntos. A Mídia enquanto canal, seria um reprodutor destes assuntos pautados de acordo com as expectativas dos grupos da sociedade, e apenas os potencializaria de forma isenta e imparcial para que houvesse a conscientização das pessoas que desconhecem o assunto, transformando- o em interesse público. Porém a Mídia não é isenta, ela atende a interesses dos grupos que a comandam, muitos destes contrários a alguns grupos da sociedade, fazendo prevalecer a opinião do grupo econômico-político que controla o meio de comunicação e passa ao povo a versão que bem quer de opinião pública, exercendo influencia em boa parte da população que acaba por engolir a versão dos fatos e aceitar esta " opinião cercada".
Como exemplo posso citar a relação do maior veículo de comunicação do Rio Grande do Sul e o maior Movimento Social do Brasil, respectivamente o Grupo RBS e MST-Movimento dos Trabalhadores sem Terra.
É nítida a opinião do grupo econômico dos Sirotski, amigos da direita e da UDR, mas deixo a questão política de lado para somente analisar as palavras escritas em um de seus jornais(Zero Hora) para demonstrar a diferença entre opinião pública que é, ou deveria, se é que ela existe, e eu creio que não, ser imparcial e verdadeira e a " opinião cercada" ,opinião do grupo hegêmonico controlador da mídia, maior espaço de poder e veículo de informação capaz de exercer influência na população geral e pressão no governo.
No estado do Rio Grande do Sul, esta relação, tomou espaço nas discussões cotidianas devido a polêmica da desapropriação de terras de Alfredo Southalli, na região de São Gabriel. Para entender melhor o caso: no dia 20 de Maio o Presidente Lula assina decreto desapropriando, para fins de reforma agrária, uma área de 13,2 mil hectares, iniciando no dia 10 de Junho uma Marcha dos Sem-Terra que parte de Pantano Grande em direção a São Gabriel. Durante o trajeto e os dias percorridos, os ruralistas organizaram uma contra-marcha, contando com o apoio do prefeito da cidade, bloquearam um viaduto e distribuíram folhetos instigando a população a matar os sem-terra. Demonstrando seu repúdio aos "baderneiros descumpridores da lei".
No dia14/08/03 , os ministros do supremo Tribunal Federal (STF), anularam a desapropriação dos 13,2 mil hectares de terras improdutivas pertencentes ao ruralista Alfredo Southall. A relatora do processo, a Ministra Ellen Gracie, aceitou o argumento de que a vistoria do Incra na propriedade não havia sido previamente notificada. O prefeito de são Gabriel, Rossano Dotto Gonçalves, assim declarou: - Espero que ponham um fim nessa "história de fazer reforma agrária" em São Gabriel.
Para deixar no ar a dúvida da suposta tendenciosidade do Jornal apenas gostaria de comentar um trecho do editorial do dia 15/08/03 , que já começa pelo nome deixando bem claro sua posição quanto a decisão da justiça: "Pelo Respeito à Lei - ...os agentes do poder público cometeram inadmissível irregularidade, ao não observarem pré-condições que encontram guarida na lei." Sendo que em um trecho anterior do mesmo editorial estava escrito " Os proprietários dos imóveis rurais foram regularmente notificados de que em data determinada, se efetivaria uma vistoria das terras. Esta foi impedida por interveniência dos ruralistas da região." Esta atitude, porém, em nenhum momento foi colocada como inadmissível irregularidade.
Como nos feudos de terras, aonde o proprietário impõe sua " verdade" aos trabalhadores, o Jornal zero Hora, acaba por tornar-se um verdadeiro feudo dentro da comunicação fazendo o jogo da relação de clientelismo, ligada a vínculos e favores.
De acordo com o Prof.Millman, no artigo a Metodologia do Jornalismo: Breve excurso sobre a natureza de um conflito, : "A incapacidade dos jornalistas de superarem a doutrina de compromisso, defendida pelos empresários de comunicação com relação ao establishment político e econômico, que se manifestam na editorialização das pautas, contribui para cretinizar o jornalismo, segundo expressão de Jânio de Freitas, e aliená-lo de seus compromissos autênticos."
A notícia acaba seguindo condições estruturais de uma atividade empresarial explorada tradicionalmente por oligarquias regionais.
A opinião dita pública é a " opinião cercada " dos grupos ecônomicos detentores do poder midíatico, capaz de exercer influência no poder maior, porém não tão popularmente abrangente, que é o governo. Influência que acaba também exercendo sobre a população que ao ver uma opinião colocada como verdade absoluta e como uma opinião da maioria, acaba por aceitar esta visão mascarada sobre determinado . Ou então, quando esta não é igual a estabelecida pela sua ética, julga encontrar-se a parte da opinião pública, quando na verdade, ele a integra sim, mas, não necessariamente sendo igual a dita opinião pública, pois esta não existe, é apenas a opinião cercada de um grupo mais poderoso.
BIBLIOGRAFIA:
Opinião Pública e Pesquisas Eleitorais- Marcello Baquero
Contribuições para o conceito de Opinião Pública- Rubens Figueiredo e Silvia Cervellini
A espiral do silencio. Opinião Pública: Nosso papel social- Elizabeth Noelleneuman
Metodologia do Jornalismo: Breve excurso sobre a natureza de um conflito- Millman
Terça-feira, Setembro 05, 2006
direito ao voto nulo II
Obrigado!
Fabricio Ungaretti Coutinho
Editor-Chefe de Contraofensiva
Redação da Revista O Dilúvio. Leia online a nova edição(n°8)- www.odiluvio.com.br
Comunicação Biblioteca Social Mundial
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Resposta sobre questionamentos relativos ao texto "Direito Ao Voto Nulo"
Caro C.
Concordo que só há avanço com organização da sociedade. Talvez tu não tenha entendido o meu texto. Eu defendo a democracia participativa, ou seja, que o povo participe efetivamente da política e não só através do voto. Propondo, cobrando e articulando políticas públicas. Eu disse que defendo o direito a votar nulo e não o voto nulo. Eu mesmo caro camarada, vou votar na Heloisa Helena, no Olivio e no Rosetto pq acho que eles tem boas propostas neste sentido. Não tenho candidato escolhido para deputado federal e deputado estadual. Não tenho porque nenhum candidato, até agora, me apresentou propostas objetivas e detalhadas. Na verdade sei pouquíssimo sobre candidaturas para deputado. No momento em que eu definir minha escolha, assim como está sendo com HH,Olivio e Rosetto, vai ser porque sei do trabalho e das propostas dele, não porque os vi na tv ou pq eu sou obrigado a votar em alguém. Assim vai ser com minha escolha pra deputado de federal e estadual.Vou votar não só em um "representante", mas em um mandato que tenha propostas de democracia participativa. Não é questão de exclusão dos poderes e sim de que o povo participe mais e não deixe que a representatividade seja impedimento de lutas sociais como tu bem sabe que acontece.
Acho que sim é possível casar mobilização social com poder institucional, mas atualmente só se prega(na intelectualidade de esquerda ou direita) que representantes no poder contribuam com os movimentos sociais e não o contrário, de a mobilização social levar representantes ao poder. Mobilização social de fato, de pessoas atuantes elegerem os seus representantes de acordo com as propostas de mandato popular participativo.
A política tem se feito de cima pra baixo. Os partidos entram nas esferas de organização da sociedade. Começa cedo você sabe, a juventude dos partidos se organizam para entrar nos diretórios acadêmicos das faculdades. Deveria ser o contrário, deveria os estudantes lutando localmente se organizarem e entrarem em partidos que absorvam suas causas estudantis, comunitárias,etc...
Nós de esquerda sempre estamos na ativa, mas temos muita dificuldade em atingir a massa e as grandes transformações só viram com uma grande mobilização de massa. Nós, eu tu e os outros comunicadores e militantes sociais de esquerda, bem ou mal somos uma "vanguarda" e não é o caso de ter vergonha, mas veja bem temos acesso a comunicação e um certo nível de conhecimento que nos permite pensar as coisas com maior compreensão. Hipócrita é achar que um morador de rua que não teve oportunidades está nas mesmas condições de entendimento de política que nós. Isso é uma leviandade, uma falácia. Até pode estar,tem capacidade, mas na prática, e a prática é o critério da verdade, dificilmente tem condições.
Agora, este morador de rua tem os mesmos direitos que nós, pois é tão cidadão quanto.Cidadão não no sentido de ser qualificado por um número de registro ou cadastro de pessoa física ou contribuinte, e sim no sentido de Humano de fazer parte da sociedade mesmo que como "marginal- aquele que está às margens da sociedade".
O que questiono é como que este morador de rua, cidadão como eu, seja obrigado a votar pontualmente através de punição e psicologicamente através destes discursos eleitorais que desmerecem a opção de anulação daquels que não tem consciência plena de candidatos compropostas participativas.
Parte da esquerda intelectual faz o discurso do Programa Faustão: Qual é a resposta? Não sabe? Bléimmm. Chuta então. Seu tempo está acabando.
Política não é jogo em que se possa permitir "chutar". Esse discurso do vote no menos pior é vergonhoso.
Sinceramente, tu acha que estas campanhas de comunicação dirigida(panfleteação,carro de som,cartaz,propaganda,etc..) podem mudar o pensamento estrutural de uma pessoa? Eu defendo que não, apenas direciona para uma determinada ideologia seja de esquerda ou direita. O que precisa é haver um trabalho de formação de consciência crítica que não apenas em época eleitoral.
Acho sim que a nova forma de fazer política vai passar pela organização em rede e que os pequenos grupos que atuam na micro política podem fazer a diferença socialmente falando, sejam rádios comunitárias,associações de bairro, ongs, movimentos sociais, casas e pontos de cultura, fundações, etc...
Acho que podemos construir avanços a partir da área institucional, mas sem mobilização nós vamos estar daqui a 8 anos discutindo a mesma coisa. Alias está questão de Estado é uma grande contradição dos pseudo-revolucionários. Hora negam que o estado possa ser motor de transformação, hora se apegam a ele como única solução de fazer política. Não é. É possível mudar o mundo sem tomar o poder.Agora é importante que essas contradições sejam colocados numa análise da realidade brasileira, uma análise material histórica, sem idealismos. Hoje em dia sim precisamos de um Estado e intervenção institucional para mudar, mas não podemos apenas centrar como única forma de fazer política e sim começar a já discutir maneiras de melhorar esta estrutura(reforma política?) e de como o povo poderá participar mais ativamante.
Repito: uma pessoa não é cidadã pq vota, mas sim pq participa ativamente da luta social.
Não sou anarquista, mas respeito quem é, assim como respeito todos e todas mesmo que tenham diferenças de pensamento seja em que área for. Não sei se conheces, por exemplo, o trabalho do Comitê de Resistência Popular da Restinga. Eles trabalham ativamente e diretamente na e com a comunidade da Restinga. Eles não são cidadãos?
Repito de novo também: já fui milititante filiado ao PT durante minha juventude, trabalhei com campanha eleitoral e até mesmo em boca de urna. Devo ter conseguido pelo menos uns 20 votos a poucos metros da sessão eleitoral. Pessoas que foram votar pq foram obrigadas.Pegaram o panfleto, olharam a cara do candidato, anotaram o numero e votaram, sem nem ao menos saber as propostas e certamente nem devem lembrar que votaram nele e passaram 4 anos sem cobrar, sem participar do mandato. Isto é ser cidadão?
Não concordo com a pregação do voto nulo pela disputa de poder.
Continuo tendo amigos militantes do PT e do PSOL. Questiono os que entraram no PSOL, que sairam descontentes do PT, assim como eu, se em a Heloisa Helena não indo pro segundo turno eles vão pregar o voto nulo, como fez no passado seu parceiro de chapa o PSTU, outro partido que começou de cima pra baixa tendo como foco a luta institucional. Se o PSOL ou qualquer outro partido e politico fizer isto aí sim tu poderás dizer que estão promovendo a despolitização.Pois assim estarão fazendo campanha pro voto nulo. Eu não faço campanha pro voto nulo,apenas defendo o direito de votar nulo para aqueles que acham que o voto não deveria ser obrigatório e tento esclarecer os leitores que as coisas não são bem como a grande mídia e o senso comum querem passar, tanto no apoio ao voto nulo quanto no rechaço ao voto nulo.Como diria o professor Wladimir Ungaretti, eu vim pra confundir!
Também não vejo um país somente construído de políticos pilantras. Tem gente boa sabemos disto, não estou e nunca fiz o discurso do senso comum de que todo mundo rouba. Aí que está o eixo da discussão.Não estou discutindo somente tendo como base as eleições, se votamos no bom, no ruim ou no menos pior. Se devemos votar ou não. Estou discutindo a forma de fazer política, para além das eleições. É como se estrutura a relação democrática (poder do povo). Não é apenas o "negar" e "defender" as eleições e políticos, mas pensar novas formas de organização social que não deixe-nos imobilizados e reféns da política partidária eleitoral. Me considero de esquerda, mas sei que há políticos de direita que também não roubam, no entanto, ele pode ser honesto, mas se eu não achar que as propostas dele são boas eu não vou votar nele. É isso que quero dizer. Não é votar por votar e sim votar com consciência, votar em um mandato, votar em propostas de democracia participativa.
Quanto a filtrar mensagens dos grandes meios de comunicação sim eu tenho condições pois estudei 5 anos de comunicação social, fui durante 3 anos militante e filiado de partido político e já se passam 7 anos desde que começei a me envolver com movimentos sociais, organizações não governamentais e grupos ativistas. Mas você acha que a grande população, aquela que lê diário gaúcho, consegue filtrar? Como tu explica então que o Pedro Simon provavelmente vá se reeleger para mais 8 anos? Pergunte para estas pessoas que indicam que vão votar nele se elas sabem o que ele fez nos útlimos 24 anos.Claro também lembrando que a gande imprensa é por natureza liberal.
quanto ao texto que me indicaste: http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12133
"A pregação do voto nulo está na praça. Seus defensores aparentam ser os mais radicais dos inconformados. Mas apenas incentivam a despolitização, descartam um direito duramente conquistado e fazem coro com a intolerância conservadora."
Sei que o texto do Gilberto Maringoni não foi feito pra mim, mas repito de novo só pra não esquecer: não estou pregando o voto nulo e sim o direito a votar nulo sem que o cidadão, mesmo o descontente, inconformado, seja taxado de alienado como todos estes textos, inclusive este que tu enviou, querem fazer crer. A contradição começa a partir da negação, ou o que John Hollaway chama de '' o grito". Então é compreensível do ponto de vista humano que se crie uma consciência coletiva de repudio face ao atual estado de fazer política. O que essa esquerda pseudo-revolucionária-intelecutual-partidária deveria fazer não é textos reprovando o voto nulo, mas textos com argumentos de organização política que melhorem esse nosso sitema que está falido e tanto direita,quanto esquerda sabem disto.
Também acho, em parte, que a pessoa que votar nulo só de raiva vai estar perdendo uma oportunidade de participar, mas também acho que a pessoa que votar porque dizem que é errado votar nulo e acabar votando em qualquer um, também não vai estar participando a não ser como um mero número nas estatísticas.
Mesmo não defendendoo voto nulo pelo voto nulo quero deixar meu apoio aqueles que o fazem com consciência, pensando a partir de outro paradigma politico e não pela disputa de poder. Pois ao contrário deste texto que tu me enviou há sim pessoas que defendem o voto nulo com argumentações. Não é porque estas argumentações não "batem" com as do texto que nós devemos desmerecer. Ele pode não concordar mas dizer que é uma opinião burra como parece querer colocar é o que gera despolitazação."É o sufrágio mais conservador possível, pois induz à passividade e à sensação de que seu praticante “não tem nada a ver com o que está aí”. Sequer questiona o próprio processo eleitoral"
Acho que meu texto questiona o processo eleitoral e que eu estou me colocando como participante da sociedade, contribuindo da maneira que me sinto mais a vontade: como comunicador.
Acho importante estes debates. Isto é democracia.
Agora sabemos que este textos via internet dificilmente chegam as classes mais desfavorecidas economicamente. Fica de novo na "vanguarda".
Precisamos discutir agora estas propostas. Isto sim deve permear o debate eleitoral e o pós debate- o acomphamento do mandato e das promessas de campanha.
Isto que eu quis dizer com meu texto. É que os candidatos tenham em seus dicursos a promessa de um mandato de participação popular com propostas sociais que deêm ferramentas para que o povo passe a se organizar e pensar melhor a sociedade, para ter condições físicas e psicológicas de desenvolver uma consciência crítica que permita que se vote em alguém comprometido de fato com a mudança da realidade local e não apenas eleger um "representante".
Devemos tentar levar para o grande público estes debates, isso é responsabilidade nossa enquanto cidadãos. Mas por aqui pelo mundo virtual tento contribuir também. Meus próximos textos serão no intuito de colocar para os candidatos o debate de propostas na área de reforma política, democracia particpativa, reforma agrária, direitos humanos, economia solidária, cultura, educação e comunicação, áreas que me interessam.
Tenho amigos que estão concorrendo, mas não vou votar neles só pq são meus amigos, vou votar se eu souber as propostas concretas deles. Pra ser sincero espero até outubro ter conhecimento do programa de vários bons candidatos para que eu vote bem e possa acompanhar o mandato. Caso contrário vou sim anular o voto, continuarei atuando na comunicação e política através de atos individuias e de organizados por grupos que participo ou tenho afinidades, cobrando daqueles que eu votei e cobrando também daqueles que eu não votei pois todos nós temos este direito.
Forte Abraço
Fabricio Ungaretti Coutinho
Segunda-feira, Agosto 28, 2006
Direito ao Voto Nulo
Fiquei um bom tempo pensando se eu deveria ou não escrever sobre voto nulo, e se sim, escrever o que e pra quem. Sempre pensei que os leitores poderiam encarar também como mais um ato eleitoral. Não é. Muito pelo contrário, o que escrevo agora deve ser inserido num processo de pensamento político e social e não apenas na velha retórica sistêmica (seja ela do “a favor” e do “contra”).
Decidi então que vou falar sobre o voto nulo sob uma perspectiva da democracia participativa. Respeito todos pensamentos, no entanto, não concordo com os que acreditam que a democracia representativa possa ser a melhor forma de organizar a sociedade e mais ainda com aqueles que pensam que essa forma de organização não é a mais certa e mesmo assim a defendem. São aqueles que dizem: “vote no menos pior, mas vote”.
A democracia representativa se constrói pelo voto, ou seja, você vai lá e vota em alguém que vai te representar no poder governamental. Este político é eleito para defender as prioridades daqueles que votaram nele. Então, a primeira falha da democracia representativa, e do sistema eleitoral, é de que quando não há uma participação efetiva da população cobrando, os políticos nem ao menos sabem quem votou neles e o que estes eleitores queriam que eles defendessem. Você poderia contra-argumentar que existem políticos que tem uma plataforma de campanha clara e que através de uma comunicação de massa o eleitor poderia ter condições de escolher aquele que defende seus interesses. Concordo, é possível, mas generaliza as lutas sociais retirando o poder de organização local e toorna nossas escolhas manipuláveis pela propaganda.
A segunda falha do sistema representativo é exatamente o fato de que uma representação nunca vai ser o objeto de estudo (povo, população,eleitores). Enquanto o indivíduo deixa de participar das decisões de forma ativa ele passa a delegar a outro sua responsabilidade. Não de estar na máquina governamental (executivo), mas a responsabilidade de pensar a construção de um país (legislativo). Isto passa pela atuação direta em suas comunidades e realidades e somente não por votar em alguém. Só a participação pode fazer com que uma sociedade se construa justa e solidária. O sistema representativo inibe a participação popular e burocratiza decisões de caráter social e humano.
A terceira falha do sistema eleitoral é que não se distingue a atuação do Executivo e do Legislativo. O Executivo que deveria ser independente, por ser guiado por partidos acaba cumprindo muitas vezes o papel de Legislativo. Se o papel do Executivo é executar o que for decidido pelo povo, num trabalho mais técnico, porque existem tantos cargos de confiança ao invés de concursos públicos? Acaba muitas vezes funcionando como espaço de trocas de cargos por favores políticos. Sem contar a paralisação que ocorre quando um Presdidnete também é candato nesta outra aberração do sistema político brasileiro que é a reeleição. Quando as decisões políticas do país não cabem mais à vontade de seu povo centraliza-se poder nas mãos de poucos que em caráter partidário se unem pra decidir o presente e futuro da nação com base na governabilidade (fatiar a estrutura de poder). Estas decisões acabam se sujeitando as decisões partidárias. A tarefa do executivo é dividida entre “representantes” dos partidos que compõem a coligação vencedora nas eleições, enquanto o legislativo, por sua vez, é composto por vários “representantes” de outros tantos partidos. Se não há um sistema de democracia participativa que acompanhe e julgue o trabalho dos políticos e partidos, cria-se a possibilidade de que indivíduos corruptíveis e corruptores tomem conta do governo se apropriando indevidamente do controle público (palavra que significa pertencente ao povo).
Tomemos como exemplo os últimos escândalos. Quase todos partidos participaram de esquemas como o “mensalão” e “sanguessugas”, além daqueles que cometeram outros tantos crimes. A corrupção que se estabelece a partir da implementação do sistema representativo obedece a ideologia da vigarice. Independente de ser na esquerda, na direita, na zaga ou no gol, há casos de roubo porque a construção de partidos está totalmente errada e porque somos levados a decidir com base numa campanha de marketing político e não na avaliação do trabalho e das propostas dos concorrentes. Ao contrário dos partidos criados através da atuação na luta contra a ditadura como é o caso do PT, os partidos recém criados como o PSOL, por exemplo, foram criados de cima para baixo. O PSOL originou-se da saída de integrantes do PT, descontentes com a sórdida aproximação do partido com políticos como Sarney e Roberto Jéferson e partidos como o PP e PL. O PSOL então já começa sua história sob a perspectiva da disputa pelo poder e não da mobilização social. A mesma idéia de vanguarda que fracassou com o PSTU, seu parceiro na coligação presidencial. O PT também abandonou suas bandeiras históricas e o apoio a movimentos sociais para se aliar a nível federal com velhos representantes da ditadura militar que “mamam” na teta do governo, com mercenários do governo Collor e com a bancada evangélica (campeã em deputados indicados nos escândalos). Há também, nessa disputa pelo poder, legendas de aluguel como esse PSL que têm um milionário candidato à presidência e candidato a governador em Goiás que quis vender seu horário na tv. Os partidos da direita como PSDB e PFL que entregam o patrimônio público para o capital privado e defendem interesses de altos empresários, ruralistas e neoliberais de todas espécies. O PDT que ainda parece viver do passado sempre relembrando a memória de Brizola e esquecendo que estão formando criminosos como o secretário da juventude de Porto Alegre que controlava o diretório central dos estudantes na PUC. O PMDB quer nos representar com políticos que não sabem se são de direita ou de esquerda, pois o importante é estar no governo. O PT de Lula , colocou como ministro das comunicações o Hélio Costa, antigo repórter da rede bobo e este aprovou o padrão japonês como sistema digital em uma medida unilateral que privilegiou as grandes emissoras de televisão. O PMDB de Hélio Costa é também o PMDB do governador Germano Riggoto que conseguiu com que o estado tivesse os piores índices econômicos de todo país e do senador Pedro Simon que está a 24 anos no poder. Sim eu disse 24 ANOS. Minha idade. Você sabe o que Simon fez pelos gaúchos até hoje? Aliás, você se lembra em quem votou na última eleição?
Mais razões para sustentar que o sistema representativo/ partidário não funciona. Só para citar os políticos gaúchos envolvidos em acusações: JOSE´GOUVEIA (PL)- SANGUESSUGA também responde por PORTE ILEGAL DE ARMA; DARCISIO PERONDI (PMDB)-IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA; ELISEU PADRILHA(PMDB)- CORRUPÇÃO PASSIVA; ÉRICO RIBEIRO(PP)- SANGUESSUGA também responde por CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA E APROPRIAÇÃO INDÉBITA; EDIR DE OLVIERIA(PTB)- SANGUESSUGA e PAULO PIMENTA(PT )- COMPRA DE VOTOS e MENSALÃO.
Além da representatividade e do sistema partidário um dos pontos que me levam a defender o direito ao voto nulo é que as eleições se sustentam a partir da comunicação de massa e técnicas de manipulação. Somente o debate consegue fazer com que os “representantes” se mostrem sem máscaras. Por mais boa intenção que possa ter o candidato e eu sei que há vários, produzir situações de marketing político como campanha na televisão e no rádio, panfletos, cartazes, passeatas e comícios parte da idéia de que se quer conquistar algo de alguém (o voto do eleitor). Para isto, utiliza-se de imagens, sons e textos que levam aquele cidadão a decidir por votar no político não somente por suas propostas ou pelo trabalho dele na comunidade, mas por “simpatizar”. Nestas eleições por exemplo, em Porto Alegre, vão concorrer o músico Mano Changes pelo partido da ditadura (PP) e o homem do tempo Paulo Borges pelo partido da ultra-direita(PFL). O que eles fizeram, além de aparecerem na televisão para ter bagagem suficiente para trabalhar com política?
Quem já como eu participou de campanhas eleitorais sabe quantas pessoas decidem seu voto a metros da sessão eleitoral recebendo panfleto na boca de urna. Espero que tenham sentido a mesma náusea que eu. E que dizer das pessoas que são pagas para panfletear, bandeirar e fazer passeatas? Dias desses uma menina me parou na Avenida Azenha para entregar um panfleto do Ibsen Pinheiro(PMDB), perguntei quais eram as propostas dele pra saúde. A menina ficou desconcertada, não sabia o que responder, tentou dar uma olhada no panfleto que entregava, mas não dizia nada. Deveríamos trocar o nome de sistema representativo para sistema simpatizante. Quantas pessoas vocês já viram falar que votaram em determinado candidato porque ele tinha uma boa apresentação e aparentava educação? Quantas promessas você já ouviu em cima do palanque e seu candidato não cumpriu? E que acha da poluição sonora dos carros de som e dos inúmeros panfletos que lotam sua caixa de correspondência? E os cartazes colados nos postes? Então quem tiver menos grana, colará menos cartazes e terá menos votos? É essa a lógica eleitoreira de fazer com que o povo participe? Onde está a democracia quando a propaganda política não é parelha e um partido tem mais tempo que o outro? Onde está a democracia quando não garante as necessidades básicas de crescimento para o cidadão, quando falta habitação, educação e saúde e quer que ele tenha consciência de escolher com bases racionais?
Onde está a democracia em tornar o voto obrigatório?
Acho uma grande palhaçada essa campanha de cidadania do TSE em véspera de eleição. O TSE, assim como o poder judiciário é cúmplice na vontade de manter o statos quo. Quantas propagandas do TSE você vê durante os mandatos? De que maneira o TSE apresenta pra sociedade as ferramentas de controle do poder público? Como o TSE colabora na construção da cidadania que não seja na divulgação desta falsa idéia de que votar é exercer a cidadania? Então quem não vota não é cidadão? Então quem vota porque é obrigado e vota no menos pior está exercendo sua cidadania e colaborando como desenvolvimento da sociedade?
Veja bem, eu não estou defendendo o voto nulo. Não me considero anarquista, embora também respeite a opinião desta corrente de pensamento. Estou defendendo o direito a votar nulo já que fomos privados do direito de não votar. E se eu não quiser votar em ninguém? E se ninguém tiver me apresentado propostas que eu considere importantes? E se ninguém me convencer que pode me ajudar a mudar a sociedade e cumprir um mandato participativo? E se eu quiser votar nulo para manifestar minha descrença com esse sistema democrático representativo partidário eleitoral? Porquê não tem a tecla anula na urna de votação? Você sabia que se 51% das pessoas anularem o voto é preciso realizar novas eleições?
O voto deve ser direito e não dever. Anular o voto é entre outras coisas exercer o direito de liberdade. Vou optar em votar com consciência em alguém que tenha propostas de democracia participativa e depois governe com apoio direto do povo ou vou anular meu voto se não tiver ninguém que eu ache que pode mudar o statos quo. Só não posso fazer voz aos que dizem que votar é exercer cidadania, que é obrigatório votar, que tem que votar no menos pior, que tem que votar naquele que é bonitinho na tv, naquele que é conhecido da massa por atividades públicas que não da política, naquele que paga pessoas para panfletear e poluir a cidade, etc...
O voto deve ser consciente e enquanto não vivermos em um lugar que tenha um sistema de comunicação de massa democrático, escolas que trabalhem a consciência crítica dos alunos desde cedo e o controle e participação da população nas atividades legislativas ficará cada vez mais difícil de escolher em quem votar. Não devemos votar por eliminação e sim por certeza. Quem não tem certeza, como eu, deve pelo menos ter o direito ao voto nulo sem receber as infelizes e infundadas críticas dos defensores da manutenção do sistema representativo eleitoral e partidário(sejam eles de direita,esquerda, centro ou zaga) que prevê a mera disputa e apropriação do poder e não a mobilização e transformação social.
Terça-feira, Agosto 15, 2006
Considerações sobre o primeiro debate para presidente em rede nacional de televisão
Ontem, dia 14 de agosto de 2006, foi ao ar o primeiro debate televisivo entre os candidatos a presidência da república na tv Bandeirantes.
Apenas dois candidatos não compareceram: Rui Pimenta (PCO) e Luis Inácio Lula da Silva (PT). O primeiro muito provavelmente não tenha sido convidado em função de seu partido não ter nenhum cargo federal legislativo. No entanto, Lula, oPTou por não ir para confronto de idéias. Talvez com medo do enfrentamento com Alckmin e Heloísa Helena que embora sejam de campos políticos opostos devem adotar a mesma tática de campanha: atacar o governo federal. Essa tática de não comparecer em debates já havia sido usada por FHC em 1998, e este acabou se reelegendo, coisa que Lula também deseja.
Tendo o jornalista Ricardo Boecht como moderador, o primeiro bloco destinou-se a apresentação dos candidatos e as respostas para uma mesma pergunta. Todos políticos sempre prometem mais emprego, mais educação, mais saúde, mais segurança e menos corrupção no entanto quase sempre é um discurso vago. Por isto perguntou-se para os candidatos qual destes temas é prioridade na sua gestão e quais as ações concretas a médio prazo.
Luciano Bivar (PSL), disse que é a reforma tributária e a criação de um imposto único. Cristovam Buarque (PDT) falou que sua prioridade é a educação pois é o único problema dos listados que resolve os outros. Disse ele: “É o único meio de fazer uma revolução”.
José Maria Eymael (PSDC) também citou a reforma tributária e utilizou slogans como se estive no horário eleitoral obrigatório. Disse ele: “Transformar o estado de senhor em servidor” e “Agora é comigo”.
Heloísa Helena (PSOL) começou atacando a ausência do presidente da república e disse que vai solucionar os problemas com mudanças na parte econômica, tirando o poder e dinheiro do capital financeiro através da redução da taxa de juros e assim aplicar em políticas sociais.
Geraldo Alckmin (PSDB) fez um monte de promessas e não respondeu a pergunta objetivamente. Disse que seu compromisso era resgatar a esperança e que faria uma agenda de crescimento e projetos nacionais de educação, saneamento, habitação e infra-estrutura. Nada de concreto.
Nos blocos seguintes os candidatos eram sorteados para escolher para quem iriam perguntar. Pergunta de 30 segundos, resposta de 2 minutos, réplica de 30 segundos e tréplica de 30 segundos. Desta vez com liberdade para escolher a pergunta o debate melhorou.
Eymael fez uma pergunta irônica a Alckmin: “O que o senhor NÃO fez para conter o PCC?”. Alckmin respondeu dizendo o que tinha feito. Que derrubou os índices de criminalidade, que colocou os líderes em regimes disciplinares e colocou como responsabilidade do presidente a onda de crimes. Em nenhum momento ele associou os problemas como se fossem de ordem social. Para Alckmin a violência será extinta apenas com a repressão. Eymael então rebateu de forma consciente afirmando que o problema está no sistema prisional que para ele funciona como um depósito e propôs a criação de um Ministério de Segurança Pública, a criação de um Plano Nacional de Segurança Pública e uma reforma completa no sistema prisional.
Heloisa Helena e Cristovam Buarque trocaram “figurinhas”. Falando sobre educação um elogiou o outro e fez crer que não fossem as dificuldades regionais entre PDT E PSOL, eles estariam numa mesma chapa.
Bivar continuou a discussão na área de segurança perguntando pra Eymael. Eymael apresentou outra proposta: uma política habitacional diferenciada para os policiais militares. Na réplica Bivar propôs a privatização dos presídios num modelo francês.
Buarque perguntou para Bivar se ele ficou mais decepcionado com a eliminação da seleção brasileira na copa do mundo ou como governo Lula. Talvez não esperando a pergunta, Bivar se enrolou nas palavras, mas disse em seguida que a decepção como governo Lula e os grandes partidos foi grande e que é lastimável que queiram fazer reforma política para acabar com os partidos pequenos. Na opinião de Bivar não são os partidos pequenos que causam ingovernabilidade e tampouco são responsáveis pelos atos de corrupção.
Eymael pediu as propostas de Buarque para o turismo enquanto força propulsora de desenvolvimento e geração de trabalho e renda. Buarque novamente falou em educação. “A escola é o melhor dinamizador de qualquer setor, inclusive o turismo”.
Alckmin perguntou para Bivar sobre a questão agrária. Bivar novamente expondo idéias capitalistas disse que o problema estava em dar ajuda para as famílias sem terra. Que o plano deveria ser ajudar os produtores rurais que devem 30 milhões para os bancos e que é inadmissível a política de assentamentos trazendo pessoas da cidade para o campo.
Bivar perguntou para Heloisa Helena quais as propostas dela para enxugar a máquina do governo. Heloisa respondeu que não é solução tirar o poder do estado que muito pelo contrário que o estado tem que se fortalecer pois é obrigação dar saúde, educação, segurança,etc...e que jogar para o investimento privado setores de competência do estado é exatamente o que tem feito com que nos últimos 12 anos (FHC + Lula) o Brasil tenha tirado dinheiro dos aposentados para dar para os banqueiros que nem ao menos pagam imposto de renda. Melhorar o poder do Estado, para ela, significa solucionar a ineficiência fiscal e social dos últimos governos que “sabotaram o desenvolvimento dando metade do orçamento para os medíocres especuladores do capital financeiro”
Em outro bloco, jornalistas da rede Bandeirantes fizeram perguntas para os candidatos e escolheram um outro candidato para comentar cada resposta.
O jornalista Joelmir Beting perguntou para CristovamBuarque se ele manteria o “bolsa família”. O político do PDT respondeu que o “bolsa família” é uma deformação do “bolsa escola”. Que a renda deve ser distribuída em contrapartida de as crianças freqüentarem escolas e que para aqueles que não tem filhos a solução é gerar emprego. Alckmin comentou a reposta dizendo que manteria o “bolsa família” em conjunto com o “bolsa escola”.
O jornalista Franklin Martins perguntou a Alckmin também ironizando: “Se o seu governo fez tudo certo na área de segurança porque as cosias estão dando erradas?”. Alckmin novamente colocou a culpa no governo federal e que a questão era fazer mais penitenciárias de segurança máxima. Heloísa Helena comentou dizendo que discorda completamente do tucano. Disse que existe uma irresponsabilidade demagógica e eleitoreira e que a culpa é sim do PT mas também do PSDB que tanto é responsável pelo governo de São Paulo quanto esteve no governo federal por 8 anos e nada fez.
O jornalista José Paulo Andrade perguntou para Heloísa Helena como ela vai lidar com o MST, a reforma agrária e a violência no campo. Ela respondeu que não representa o passado e por isto tem credibilidade para dizer que vai fazer aquilo que os outros só prometem em campanha pois ela tem uma responsabilidade com o social até mesmo devido a sua história de vida. Disse que FHC e Lula promoveram um processo de favelização no campo, colocando trabalhadores rurais em terra impróprias e/ou sem as mínimas condições técnicas para trabalhar. Disse que vai promover o apoio técnico e políticas de crédito para agricultura familiar e os assentamentos dinamizando a economia local ao invés da cultura do agronegócio para exportação. Heloisa Helena prometeu assentar 1 milhão de famílias por ano em seu governo e disse que não haverá violência no campo pelo fato de que ela vai fazer o que até agora ninguém fez: a reforma agrária.
Alckmin no primeiro embate mais forte com Heloisa Helena comentou a resposta de forma reacionária. “No meu governo invadiu vai ‘desenvadir’”, não tocando na questão dos latifúndios improdutivos, das fazendas com trabalho escravo, etc.... Heloísa reafirmou que não haverá ocupação de terras, retirando o sentido pejorativo da palavra invasão, pois as famílias vão ser assentadas em latifúndios que estão improdutivos e que no governo dela não haverá é invasão de políticos corruptos e de banqueiros.
Franklin Martins perguntou para Heloisa Helena como ela iria abaixar os juros. Ela respondeu que os governos anteriores não tiveram coragem para enfrentar os especuladores internacionais, que toda política de sabotagem é definida pelo Conselho Econômico Monetário e que a simples troca dos atuais ocupantes dos cargos por membros comprometidos com o desenvolvimento do país já seria o suficiente para intervir na queda da taxa de juros.
Os debates se seguiram sem muitas novidades embora com algumas outras propostas boas e outras tantas esdrúxulas. O que seguiu, no entanto, como tema presente, foi a ausência de Lula no debate e a melhor frase sobre a questão foi de Eymael: “O presidente Lula nunca viu nada, nunca soube de nada.Vai ver ele também não sabia que o debate seria hoje”.
Não sei ao certo quem seria o “vencedor” deste debate. Alckmin fez um monte de propostas (em determinado momento chegou usar os dedos para contar as áreas prioritárias assim como FHC fez em 1994) mas em nenhuma delas explicitou de que maneira iria fazer. Bivar se mostrou o candidato mais à direita com propostas de privatização e enxugamento do estado. Eymael sempre sorridente e com seus slogans, embora com algumas propostas boas não parece ter força para vencer nem eleição de síndico. Os candidatos que melhor se saíram no debate foram Heloisa Helena e Cristovam Buarque, os únicos com propostas claras de intervenção social respectivamente nas áreas econômica e educacional. A única coisa certa é que um candidato foi o grande derrotado da noite: Lula. Ao não comparecer perdeu a chance de falar sobre coisas boas de seu governo e para se defender de cosias ruins que aconteceram. Perdeu a oportunidade de dialogar diretamente como público. O presidente certamente vai explorar a campanha eleitoral através do horário eleitoral gratuito que não é democrático como o debate. No horário eleitoral gratuito o tempo não é igual e um adversário não pode debater com outro. Para se ter uma idéia na propaganda eleitoral Lula terá 7 minutos e 21 segundos e Alckmin 10 minutos e 22 segundos, enquanto Cristovam Buarque terá 2 minutos e 23 segundos e Heloisa Helena apenas 1 minuto e 11 segundos. Depois de todo escândalo de caixa 2 e financiamentos de campanhas, podemos ter uma outra eleição decidida pelo marketing e suas propagandas, panfletos, festas e carros de som.
Mas é claro, isto depende de você.
lixo da prefeitura de porto alegre
Em novembro de 2005 o DMLU(Departamento Municipal de Limpeza Urbana) contratou a empresa Profill para fazer um diagnóstico da situação do lixo em Porto Alegre. A Profill por sua vez contratou o consultor Fábio Pierdomenico. Fábio teve hospedagem paga por uma das empresa concorrentes na licitação.
O Ministério Púvlico e a Polícia Civil desvendaram as sórdidas ligações e o DMLU foi obrigado a suspender o processo de licitação.
O diretor do DMLU, Garipô Salistre pediu demissão e foi substituído por Mário Moncks. Mas Fogaça continua lá.
O edital previa um gasto de R$305 milhões.
Segunda-feira, Agosto 14, 2006
parlamentares sanguessugas
Os deputados e senadores são acusados de terem recebido dinheiro em troca de apresentar emendas ao Orçamento da União para a compra de ambulâncias. A Planam, empresa acusada de participar da quadrilha , participava dos processos de licitações fraudulentas colocando um valor muito baixo, quase sempre abaixo de R$ 80 mil, o que permitia que os governos abrissem licitações por meio de carta-convite. A partir desta regra, os governantes enviavam convites a apenas três empresas. Duas, quase sempre empresas fantasmas, apresentavam orçamentos no valor máximo enquanto a Planam orçava um valor mais baixo do que das duas outras empresas mas bem maior em relação a média de outras empresas da área de saúde.Assim ganhava a licitação superfaturando dinheiro na hora da compra das ambulancias. Normalmente o esquema era aprovar a compra de uma ambulância por R$60 mil e comprar por R$30 mil. Dos R$30 mil que sobravam 20 mil iam para a Planam e 10 mil para o bolso dos parlamentares.
O que mais choca é que em mais um caso de corrupção na área da democracia representativa e da política partidária é que a lama se espalha por todos os lados. O PL, o PTB, o PP, o PFL, o PT, PSDB, o PMDB, o PSB , o PSC e o PRB constam na lista. Não são em sua maioria de partidos pequenos, muito pelo contrário. A falta de ética de determinados políticos não se restringe a ideologias. Da esquerda até a direita os parlamentares acusados representam aquilo que há de mais podre na democracia representativa: os parasitas.
A lista têm desde latifundiário do Rio Grande do Sul até policial militar de Minas Gerais. O Rio de Janeiro é o estado que mais tem parlamentares envolvidos, ao todo 13 integrantes. A chamada bancada evangélica é "representada" por 19 acusados. O escândalo envolve nada menos que 12% do congresso.
Eis os acusados:
Adelor Vieira (PMDB-SC)
Agnaldo Muniz (PP-RO)
Alceste Almeida (PTB-RR)
Almeida de Jesus (PL-CE)
Almerinda de Carvalho (PMDB-RJ)
Almir Moura (PFL-RJ)
Amauri Gasques (PL-SP)
Benedito Dias (PP-AP)
Benjamin Maranhão (PMDB-PB)
Cabo Júlio (PMDB-MG)
Carlos Dunga (PTB-PB)
Carlos Nader (PL-RJ)
Celcita Pinheiro (PFL-MT)
César Bandeira (PFL-MA)
Cleonâncio Fonseca (PP-SE)
Cleuber Carneiro (PTB-MG)
Coriolano Sales (PFL-BA)
Coronel Alves (PL-AP)
Edir Oliveira (PTB-RS)
Edna Macedo (PTB-SP)
Eduardo Seabra (PTB-AP)
Elaine Costa (PTB-RJ)
Enivaldo Ribeiro (PP-PB)
Érico Ribeiro (PP-RS)
Fernando Gonçalves (PTB-RJ)
Heleno Silva (PL-SE)
Ildeu Araújo (PP-SP)
Irapuan Teixeira (PP-SP)
Iris Simões (PTB-PR)
Isaías Silvestre (PSB-MG)
João Batista (PP-SP)
João Caldas (PL-AL)
João Correia (PMDB-AC)
João Grandão (PT-MS)
João Magalhães (PMDB-MG)
João Mendes de Jesus (PSB-RJ)
Jonival Lucas Junior (PTB-BA)
Jorge Pinheiro (PL-DF)
José Divino (PSDB-RJ)
José Militão (PTB-MG)
Josué Bengston (PTB-PA)
Junior Betão (PL-AC)
Laura Carneiro (PFL-RJ)
Lino Rossi (PP-MT)
Marcelino Fraga (PMDB-ES)
Marcondes Gadelha (PSB-PB)
Marcos Abramo (PP-SP)
Marcos de Jesus (PFL-PE)
Maurício Rabelo (PL-TO)
Neuton Lima (PTB-SP)
Nilton Capixaba (PTB-RO)
Osmânio Pereira (PTB-MG)
Pastor Amarildo (PSC-TO)
Paulo Baltazar (PSB-RJ)
Paulo Feijó (sem partido-RJ)
Paulo Gouveia (PL-RS)
Pedro Henry (PP-MT)
Raimundo Santos (PL-PA)
Reginaldo Germano(PP-BA)
Reinaldo Betão (PL-RJ)
Reinaldo Gripp (PL-RJ)
Ricardo Rique (PL-PB)
Ricarte de Freitas (PTB-MT)
Robério Nunes (PFL-BA)
Vanderlei Assis (PP-SP)
Vieira Reis (PRB-RJ)
Wanderval Santos (PL-SP)
Wellington Fagundes (PL-MT)
Wellington Roberto (PL-PB)
Sen. Magno Malta (PL-ES)
Sen. Ney Suassuna (PMDB-PB)
Sen. Serys Slhessarenko (PT-MT)
Segunda-feira, Agosto 07, 2006
CHICA e a origem da cachaça

CACHAÇA BIDESTILADA CHICA
Cachaça de alambique curtida com frutas:
gengibre, figo, caroço de ameixa, maçã com canela e ouro(6 anos).
Peça já as suas!
Melhor viver de Chica do que com tédio!
Butecanha Empreendimento de Economia Solidária
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obs: atendemos bares e festas.
HISTÓRIA DA CACHAÇA
hipótese 1: Fonte: Museu do Homem do Nordeste, Fundação Joaquim Nabuco, Recife – PE
Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado). Não pensaram duas vezes. Misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. O "azedo" do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formou goteiras no teto do engenho, que pingavam constantemente. Era a cachaça, já formada, que pingava. Daí o nome "PINGA". Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores, ardia muito. Por isso deram o nome de "ÁGUA-ARDENTE". Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. Então, sempre que queriam ficar alegres, repetiam o processo. Com o tempo a fabricação da cachaça foi sendo aprimorada e caiu no gosto da população em geral. Hoje em dia é artigo de exportação.
hipótese 2: fonte: carvalheira
História da cachaça A versão mais aceita da origem da Cachaça é que ela teria sido descoberta por acaso, como subproduto da produção brasileira de açúcar mascavo e rapadura, no início do Século XVI. Durante o processo, o caldo de cana era fervido nos tachos, para ser limpo e concentrado em uma massa espessa, sendo retirada a espuma ou borra sobrenadante, através de grandes espumadeiras ou conchas perfuradas. Essa borra, acumulada em cochos de madeira, fermentava, transformando-se em uma "garapa azeda" ou vinho de cana, que era servida como complemento da alimentação dos animais e até dos escravos.A essa espuma dava-se o nome de "cagaça"; daí se derivou, possivelmente, a palavra "cachaça". Outra versão para origem do nome é de que essa bebida era utilizada também para amolecer a carne de porco, chamado então de "cachaço". Supõe-se que a destilação desta "garapa azeda", em alambiques de barro, deu origem a nossa Cachaça.Há dúvidas quanto ao surgimento dos primeiros engenhos no Brasil, se em Olinda-PE ou em S.Vicente-SP, mas foi com certeza nas Capitanias Hereditárias de Pernambuco e de S.Vicente, as duas que deram certo, que se iniciou e se desenvolveu a produção de açúcar e da Cachaça no Brasil, depois se espalhando a cultura da cana e a construção de engenhos em outras capitanias, como a da Bahia, de Ilhéus, da Paraíba do Sul (Rio de Janeiro) e, posteriormente, em Minas Gerais, no século XVII com a corrida do ouro.Segundo Varnhagem, F.A. (História Gral do Brasil - 3ª edição, vol. 1, pág. 124), Itamaracá, depois incorporada a Pernambuco, teria sido o primeiro local onde seria instalado um engenho primitivo e que exportaria açúcar para Lisboa, antes da implantação das capitanias hereditárias.Os primeiros escravos chegados ao Brasil aderiram à bebida, que lhes era servida pelos Senhores de Engenho, para que agüentassem as duras jornadas de trabalho, como também para alegrar as suas festas e seus momentos de lazer.Com o passar do tempo, as técnicas de produção foram aperfeiçoadas, passando a Cachaça a ser destilada em alambiques de cobre e a ser chamada de Aguardente de Cana; ganhou fama e passou a freqüentar tanto a Senzala como a Casa Grande e a ser apreciada também por visitantes ilustres e autoridades. Era então consumida em banquetes e festas populares e começou a ganhar fama na Europa e na Ásia, sendo até usada como uma das principais moedas no pagamento do tráfego dos escravos para o Brasil, onde a cultura canavieira exigia cada vez mais mão-de-obra. A tal ponto que a Capitania de Pernambuco passou a ser o maior produtor de açúcar do mundo e as altas cotações do açúcar no mercado internacional, motivou a invasão holandesa, através da Companhia das Índias Ocidentais, em 1630. A ocupação holandesa em Pernambuco intensificou a produção de Cachaça e o seu uso como moeda na aquisição dos escravos africanos.A Coroa Portuguesa, que não via com bons olhos a popularização da Cachaça, devido à concorrência com a "bagaceira" e seus próprios vinhos, proibiu várias vezes a sua produção, a comercialização e até o seu consumo no Brasil, criando diversas taxas severas sobre o destilado. E assim se fez, em 1756, com o subsídio voluntário para reconstruir Lisboa, abalada por um terremoto, e em 1773 uma nova taxação, desta vez para sustentar os professores régios, quando foi instituído o chamado subsídio literário.As investidas da Metrópole contra a Cachaça, tornou-se um símbolo de resistência à dominação portuguesa para os revoltosos pernambucanos e inconfidentes mineiros e, até a independência, proclamada por D. Pedro I, brindar com a Cachaça significava lutar contra a opressão colonial.
hipótese 3: fonte:batuque na cozinha
A aguardente de cana é a bebida mais popular do Brasil. Obtida a partir da destilação do caldo de cana fermentado, é uma bebida que apresenta um teor alcoólico entre 38º e 54º GL. A cachaça, apesar de ser conhecida como sinônimo de aguardente, se distingue do aguardente de cana por ser resultante da distilação do mel produzido pela fermentação alcóolica. Apesar desta distinção técnica, não há uma diferenciação clara entre os dois tipos de bebida, na medida em que ambas são provenientes do chamado vinho de cana que é o caldo de cana fermentado. Técnica à parte, é conhecida por diversos outros nomes particulares em cada região do Brasil : abrideira, água que passarinho não bebe, amarelinha, arrebenta peito, caninha, cobertor de pobre, cura tudo, danada, esquenta corpo, maria branca, mata paixão, perigosa, quebra goela, suor de alambique, teimosa, entre tantos outros. Sua história no Brasil, remonta aos primórdios do século XV quando os portugueses que aqui se estabeleceram, implantaram os primeiros núcleos de povoamento e trouxeram a nossa matéria prima, a cana, objetivando a produção de açúcar. A origem da cachaça está na garapa, um sub-produto da produção de açúcar que se obtém a partir da espuma que se forma na caldeira em que se purifica o caldo de cana e que era colocada ao relento em cochos de madeira para alimentar os animais. Como fermenta com relativa facilidade, um dia alguém experimentou essa garapa fermentada e notou que era melhor do que o cauim, uma bebida que os índios produziam a partir da fermentação do milho ou mandioca. Essa garapa fermentada tornou-se conhecida por cagaça e passou a ser fornecida aos escravos para que pudessem suportar melhor a pesada carga de trabalho nos canaviais. Logo, porém, tiveram a idéia de destilar a cagaça, nascendo assim a cachaça ou "vinho" da cana-de-açúcar, cujos registros apontam a descoberta feita por acaso entre 1532 e 1548, na Capitania de São Vicente. As primeiras destilarias de cachaça surgiram nos séculos XVI e XVII com o nome de "casas de cozer méis", que se multiplicaram rapidamente, pela facilidade de já existirem engenhos para produção de açúcar e rapadura. A novidade foi tão apreciada que se tornou moeda corrente entre os escravos. A cachaça era uma ameaça aos interesses portugueses que preferiam importar a bebida Bagaceira. Quando a corte percebeu que o consumo da bagaceira diminuia e a cachaça aumentava, saindo das senzalas, se introduzindo não só na mesa do senhor do engenho, como também nas casas portuguesas, em 1635 tentaram proibir seu consumo e em 1339 parar a sua fabricação. Não obtendo êxito, em 1756 o rei de Portugal taxou a nova bebida. Por volta de 1819, a aguardente do Brasil já era considerado um dos principais produtos da economia brasileira e dos que mais contribuíam com impostos, beneficiando principalmente Portugal. Apesar de todas as tentativas de reduzir seu consumo, a cachaça se tornava uma bebida cada vez mais apreciada, servindo também para abrandar o frio, sobretudo nas baixas temperaturas como as da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, onde uma grande população se aglomerava em busca de ouro. A aguardente brasileira foi assim, um símbolo de resistência à dominação portuguesa e esteve presente na mesa dos Inconfidentes. Logo melhoram as técnicas de produção. A cachaça era exaltada por todos como uma ótima bebida e consumida até em banquetes palacianos. Tornou-se a bebida dos brasileiros que, pôr amor à pátria, recusavam o vinho, especialmente os que vinham de Portugal e faziam questão de brindar com cachaça.
Quarta-feira, Agosto 02, 2006
massacre de qana
A cidade de Qana al Jalil, fica a 85 quilômetros de Beirute, ao sul de Tiro, é para os libaneses o local das "Bodas de Canaã", onde Jesus Cristo realizou seu primeiro milagre, transformando a água em vinho durante um casamento. Para Israel, entretanto, o local mencionado no Evangelho de São João se situa em uma cidade homônima na Galiléia, próxima a Nazaré, cidade onde Jesus passou a infância.Em 1994, o xeque xiita de Qana, Jaafar Sayegh, quis construir uma mesquita no suposto local do milagre, e o Exército libanês interveio para proteger o lugar. Qana também é há dez anos local de morte de civis libaneses em confrontos entre Israel e o Hizbollah. Em 18 de abril de 1996, durante a operação armada israelense no Líbano, denominada "Vinhas da Ira", vários mísseis israelenses atingiram em cheio um abrigo da Força Interina das Nações Unidas no Líbano. O ataque deixou 105 mortos, entre eles vários civis que se escondiam no local.Esse acontecimento marcou uma reviravolta na ofensiva. Diante da reprovação do mundo inteiro e dos incessantes apelos pelo fim das hostilidades, um cessar-fogo entre Israel e o Hizbollah foi obtido em 26 de abril. O acordo previa que Exército israelense e sua milícia complementar, o Exército do Líbano Sul, e grupos como o Hizbollah não poderiam realizar ataques contra ou a partir de zonas habitadas para que os civis fossem poupados.A operação "Vinhas da Ira", desencadeada no dia 11 de abril de 1996, registrou cerca de 600 incursões aéreas israelenses e o disparo de 23 mil obuses e fez, em 16 dias, 175 mortos e 351 feridos, na maioria civis. Agora em 2006, Qana novamente é massacrada por um ato de guerra do exército israelense. Num ataque aéreo, mataram de 60 civis na cidade libanesa de Qana. Entre as vítimas 37 crianças.
israel ataca hizbollah mata civis e ONU se submete novamente aos estados unidos
fontes: agência carta maior, france press e reuters.
O mais "novo" conflito no Oriente Médio começou com a captura de dois soldados israelenses pelo Hizbollah, no dia 12 de julho. Assim, o exército israelense começou sua ofensiva e os ataques não somente ao grupo fundamentalista mas também ao povo libanês. De acordo com números do Alto Conselho de Auxílio, criado pela ONU após o início da guerra, 3.243 pessoas ficaram feridas, 913.760 pessoas abandonaram suas moradias, e morreram 841 pessoas.
Nestas 3 semanas de ataque, israel causou danos de cerca de 2 bilhões de dólares à infra-estrutura do Líbano, afirmou hoje, quarta-feira, 02 de agosto, o ministro dos Transportes e Obras Públicas do país árabe, Mohammed al-Safadi.Os bombardeios destruíram pontes e estradas, que ligam o Líbano a Síria, além de destruírem o único aeroporto internacional do país. Também controlaram alguns portos da parte sul da fronteira com o mar mediterrâneo. Povos e aldeias mais pobres, que não puderam fugir, se encontram isolados. Os comboios da ONU com ajuda humanitária naõ receberam de israel o compromisso de manter a passagem segura até estes locais.Cada comboio deve ser negociado entre a ONU no Líbano e o governo de israel, com mediação da sede em Nova York e logicamente os interesses imperialistas dos estados unidos.
No pior ataque aéreo israelense , mais de 60 civis morreram na cidade libanesa de Qana. Entre as vítimas 37 crianças.
O Conselho de "Segurança" da ONU reuniu-se no domingo em Nova York e aprovou por unanimidade uma declaração deplorando o ataque em Qana. Mas os estados unidos se posicionaram ao lado de israel não aceitando um imediato cessar fogo proposto pelo secretário Kofi Annan e pelos outros países-membros do Conselho de "Segurança".
A França vinha sendo apontada como o país que estaria no comando da força, mas Chirac,assim como os outros mebros do Conselho, só cogitam de levar seus soldados para solo libanês, após o imediato cessar-fogo de israel e um plano de atuação na fronteira do Líbano com israel, organizado e executado pela ONU. Do outro lado, israel e estados unidos dizem que só será possível um cessar fogo após as tropas de outros países estarem no Líbano.
Enquanto isto,as forças israelenses ingressam ainda mais no território libanês, e cresce o sentimento de ódio aos israelenses e estadunidenses na maioria dos países árabes, muitos até então forte aliado dos EUA como o Kuwait e o Egito, por exemplo. Além é claro de grandes possibilidades de aumentar a resistência para o território palestino e a Síria e um eventual posicionamento mais forte do Irã.
Infelizmente todas projeções apontam para o agravemento da crise, da guerra e somente se a ONU, ou melhor, se os países-membros da ONU, em especial os componentes do Conselho de "Segurança" aprovarem sanções rígidas aos governos terroristas de israel e estados unidos é que poderemos ter uma solução não só pra este terrível fato, mas sim para acabar com o império estabelecido em nossa história contemporânea. Ou estes países cumprem os tratados de direitos humanos, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, ou estes países são expulsos da ONU, ou então que se feche a ONU.
A origem do estado de Israel
Karam explica que, apesar de outras regiões terem sido cogitadas para a instalação do "Estado de Israel", em fins do século 19 – como Uganda (na África Oriental) e a Bacia do Rio da Prata – , a região da Palestina Otomana acabou se sobressaindo das demais em virtude principalmente das migrações massivas, a partir de 1917, incentivadas pelo governo britânico – que "via com bons olhos" imperialistas a criação de um "lar nacional judaico" na Palestina histórica (de maioria populacional árabe e islâmica).
Karam é formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) onde, durante a graduação, concentrou e aprofundou seus estudos acerca da História do Islã, do Oriente Médio e do conflito palestino-israelense. Além de possuir experiência em pesquisa acadêmica nessa área, foi conferencista e professor de cursos sobre a História do Islã e do Oriente Médio na Colômbia. No Brasil, já atuou como palestrante, participou de debates e entrevistas no rádio e na televisão e escreveu artigos sobre tais temas. Atualmente, finaliza uma temporada de cursos e palestras sobre a História do Islã e do Oriente Médio e a História do Brasil em Bogotá e dedica-se ao curso de Mestrado em História Social na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).
Sobre o desenrolar do conflito atual, Karam acredita que "a maioria dos governos dos países ocidentais que pertencem ao que, numa linguagem marxista, chamamos de "centro do sistema capitalista" (como o G-7, a Rússia e a Austrália), e também seus aliados da periferia, respaldará claramente Israel ou, em alguns poucos casos, levantará a bandeira da "paz" – conceito que, esvaziado de seu real sentido e propósito, tornou-se uma espécie de "moda pós-moderna politicamente correta" das relações internacionais".
Porém, duvida "da adoção de medidas e sanções concretas contra o uso desproporcionado e ilegal da força militar por parte de Israel ao atacar a Faixa de Gaza e o Líbano nessas últimas semanas". Para Karam, o massivo apoio interno que o Hezbollah tem recebido advém de "grupos sociais libaneses historicamente marginalizados (operários, classes médias urbanas e camponeses de maioria xiita) pela elite burguesa-liberal tanto cristã como muçulmana sunita de Beirute e das principais cidades do país".
Brasil de Fato – O senhor poderia nos fazer um resumo sobre a origem do "Estado de Israel".
Christian Karam– O termo "sionismo" foi criado em 1885 pelo escritor judeu-austríaco Nathan Birnbaum como uma alusão a "Sion", um dos nomes bíblicos de Jerusalém (Al-Quds para os árabes e muçulmanos). Nessa época, "sionismo" basicamente significava uma resposta ao problema nacional judeu que advinha de dois principais fatos: da dispersão judaica em vários países e regiões do mundo; e da sua constituição, em cada um desses países, como uma minoria populacional, onde inclusive muitos judeus eram perseguidos, como era o caso da Europa anti-semita do século 19. Assim, a solução sionista pretendia acabar com essa situação, através do retorno a "Sion" (que hoje, conhecemos como um fenômeno histórico idealizado e concebido como o mito de origem fundador do nacionalismo judeu moderno), onde conformariam uma maioria populacional e uma entidade político-estatal independente. Assim, é nesse espectro que surge o sionismo político internacional fundado pelo jornalista judeu-húngaro Theodor Herzl (1860-1904) na Europa em fins do século 19 como um movimento nacionalista preponderantemente laico e secular que visava à fundação de um Estado nacional judaico. Para Herzl, o "problema judaico" (abordado no seu livro "O Estado judeu", de 1896) não se resolveria através da assimilação a outras sociedades ou países, e nem era de origem econômica, social ou religiosa, mas sim nacional. Com isso, Herzl via como única solução possível o abandono da diáspora pelos judeus para a conquista de um território sobre o qual exerceriam uma soberania para organizar e estabelecer o seu próprio estado nacional.
BF – A história que uma região na África havia sido especulada para receber os judeus pós-guerra confere?
Karam– Em fins do século 19, os sionistas haviam proposto a colonização judaica da Palestina Otomana, apesar de terem cogitado outras regiões, como Uganda (na África Oriental) e a Bacia do Rio da Prata. Assim, se em algum momento entre os dois "pós-guerras" (1918 ou 1945) especulou-se sobre outra região que não a Palestina para a imigração e colonização judaicas com vistas à formação de um Estado hebreu, isso foi em vão e sem sentido, pois, antes desses dois períodos históricos, a decisão pela Palestina já havia sido tomada e as migrações massivas já haviam iniciado, principalmente a partir de 1917, quando a Declaração Balfour britânica "via com bons olhos" a criação de um "lar nacional judaico" na Palestina histórica (de maioria populacional árabe e islâmica). Isso denota o claro apoio colonial e imperialista inglês à causa nacional sionista que, entre outros atores (como a ONU), determinou a partilha da Palestina entre um Estado árabe e outro judeu em 1947 e a criação do Estado de Israel em 1948.
BF - Como se portam os judeus não-sionistas? Li que eles criticam a criação do Estado de Israel por ter se baseado num conceito de "raça" – assim como os nazistas caracterizavam os judeus. O senhor poderia explicar isso melhor?
Karam – Creio que hoje em dia é um pouco difícil falar em "judeus não-sionistas", porque o conceito político-nacional "sionista", devido aos próprios fatos e processos históricos que experimentou ao longo do século 20, é hoje considerado quase como sinônimo de "conservadorismo" ou de uma "ideologia de direita e reacionária", e acabou por abarcar, em linhas gerais, o termo étnico-cultural (e religioso) "judeu". Assim, atualmente seria um pouco complicado separar um do outro, e dizer que há "sionistas" e que há "judeus" que não seriam sionistas.
Porém, historicamente isso não ocorreu assim. Como vimos, a principal corrente do sionismo (a "trabalhista", que se opunha à "revisionista", de direita) nasceu de um pensamento laico e secular e de uma ideologia com matizes político-filosóficos marxistas que, inclusive, não dava quase importância ao Judaísmo como tal e era contrário à via armada, opção defendida pelos revisionistas para a conquista territorial e a fundação de um Estado. O que ocorreu foi que a corrente "revisionista" de direita quase que sequestrou os ideais e a estratégia de ação dos pais fundadores do sionismo da primeira metade do século 20 após a criação do Estado de Israel em 1948 (para alguns, até antes, nos anos 1930-40, quando vemos o endurecimento da investida sionista na Palestina, cuja retaliação foi a revolta árabe-palestina de 1936-39) e, principalmente, depois da Guerra dos Seis Dias de 1967, fenômeno que se alastra até hoje. Isso não significa que atualmente não exista todo um espectro político-ideológico progressista e de esquerda em Israel (embora enfraquecido), que é pacifista e pró-palestinos, mas que não deixa de ser também "sionista", se considerarmos esse termo na sua acepção original e histórica.
BF – Mas quem seriam os judeus não-sionistas de hoje?
Karam– Se formos considerar o que tu chamas de "judeu não-sionista", acredito que essa expressão então deveria ser entendida como equivalente aos atuais judeus de esquerda e pacifistas. Ademais, devemos assinalar que os chamados "judeus ortodoxos", que na acepção atual seriam o melhor exemplo de "sionistas", são, paradoxalmente, contrários à própria existência do Estado de Israel, justamente porque ele é fruto de um projeto laico e secular, que não teria aguardado o regresso do Messias, o único encarregado de realizar tal façanha segundo a chamada visão "fundamentalista" judaica.
BF – Desde a criação do Estado de Israel, quais territórios principais eles ocuparam? Quando falamos em Palestina, devemos considerar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia juntas e só isso?
Karam – Segundo a partilha da Palestina histórica, proposta e aprovada pela ONU, o Estado árabe deveria ficar com aproximadamente 43% do território, enquanto que, ao Estado judeu-sionista, competiria controlar 56%. Os restantes 1%, Jerusalém, seriam colocados sob um mandato internacional administrado pela ONU. Essa divisão respeitava muito pouco dois fatores essenciais – a ocupação das terras e a maioria populacional – pois a maioria do território seria controlada por uma minoria judaica (30%). Segundo o estudioso Henri Cattan, os sionistas "não respeitaram nem antes nem depois os limites fixados pela resolução de partilha da ONU", pois, antes da fundação de Israel e da primeira guerra árabe-israelense, os judeus, através de sua superioridade econômica e militar (e paramilitar das milícias de direita), já tinham comprado 6% das terras e invadido a maior parte delas, expulsando a população civil árabe-palestina. Assim, após a primeira guerra árabe-israelense de 1948-49, a ocupação sionista da Palestina havia ascendido a mais de 70% do território, deixando aos árabes as piores terras de cultivo para sobreviver. Após a Guerra dos Seis Dias de 1967, quando Israel conquista a Cisjordânia à Jordânia, a Faixa de Gaza e a Península do Sinai (esta seria devolvida depois) ao Egito e as colinas de Golã à Síria, aprofunda-se ainda mais o fenômeno da "direitização" e militarização do sionismo, pois, segundo o historiador israelense Shlomo Ben-Ami, "o sionismo se redefinia perigosamente (...) devido ao encontro dos israelenses com as ‘terras bíblicas’ da Judéia e Samaria (...)", numa alusão à perda de legitimidade histórica e política de Israel em manter os territórios ocupados, situação que persiste na Cisjordânia, Faixa de Gaza e nas colinas de Golã, o que hoje representa quase 80% do território da Palestina histórica sob controle e administração israelense. Assim, aquilo que os palestinos hoje reivindicam para constituir seu Estado soberano nada mais é do que 20% das terras originais do mandato britânico, um valor bem menor do que os 43% do plano de partilha de 1947.
BF – O objetivo de Israel é derrubar o governo do Hamas?
Karam – Eu diria que, a curto prazo, o objetivo de Israel é enfraquecer o democraticamente eleito e, portanto, legítimo governo palestino do Hamas, para talvez tentar conduzi-lo à queda a médio e longo prazos. O problema é que o próprio Estado de Israel e a política externa dos EUA são culpados pela eleição do Hamas ao terem debilitado politicamente e atacado (inclusive militarmente) as instituições do governo anterior da al-Fatah de Arafat, facção centrista da OLP, que também vinha sofrendo um desgaste interno e enfrentando acusações de corrupção, principalmente por parte dos integristas islâmicos e da esquerda palestina, que ainda não teve a oportunidade de governar. Diz-se que o atual dilema norte-americano e de seu aliado israelense na região é ter de escolher entre governos civis laicos esquerdistas (às vezes não tão democráticos) e um islamismo político religioso e reacionário (e às vezes democrático), este tendo constituído um fenômeno em grande medida apoiado e difundido pelos EUA e por Israel durante a Guerra Fria, mas que jamais poderiam imaginar que se voltaria contra eles e que chegaria ao poder.
BF – O assassinato do primeiro-ministro libanês, pró-EUA, Hariri pode ser considerado o início de tudo?
Karam – Não. O assassinato do ex-primeiro-ministro libanês representa mais um fato de todo esse processo que envolve a causa palestina e a ocupação israelense de terras árabes e a ressonância e influência que ambas vêm tendo na região nas últimas décadas. Esse é o caso da ramificação sírio-libanesa do conflito, em que o Hezbollah libanês pró-sírio e apoiado pelo Irã tem obtido, no âmbito político-social, um massivo apoio interno de grupos sociais libaneses historicamente marginalizados (operários, classes médias urbanas e camponeses de maioria xiita) pela elite burguesa-liberal tanto cristã (notadamente maronita) como muçulmana sunita de Beirute e das principais cidades do país. Externamente, o Hezbollah constituiu-se, para as massas árabes e muçulmanas, como o grande vencedor ao infligir, após 18 anos de enfrentamentos, uma derrota a Israel (que, em 2000, retirou suas tropas ocupantes da então chamada "zona de segurança" do sul do Líbano). Assim, o Hezbollah e outros grupos guerrilheiros e de resistência (alguns fundamentalistas, outros não) e os próprios países do Oriente Médio (Líbano, Síria, Irã, etc.) que representem um projeto político-econômico oposto ou que sejam simplesmente uma voz dissonante em relação à política externa norte-americana (e de seu quase Estado-vassalo, Israel) são e serão considerados como parte de um plano mais amplo de reestruturação geopolítica, econômica e militar, que já vem ocorrendo no Oriente Médio e na Ásia Central, como é o caso do Iraque e do Afeganistão, e cujo objetivo é impor a "" à região de acordo com as normas do "" neoconservador de Washington.
BF – E o islamismo nisso tudo? A união das correntes deve perdurar até quando?
Karam – Nos casos específicos do Hezbollah libanês e do Hamas palestino não penso que possamos formalmente falar de uma "união das correntes". O que há é uma espécie de solidariedade e apoio indireto mútuo entre esses grupos, mesmo porque o islamismo político do Hamas difere daquele do Hezbollah (por exemplo, este grupo é xiita e, aquele, sunita). Porém, uma semelhança estratégica da luta de ambos que poderíamos apontar, como o faz o especialista no tema, o francês Olivier Roy, seria a incorporação da defesa de um nacionalismo árabe e/ou islâmico ao discurso islamista/fundamentalista do Hamas e do Hezbollah, numa alusão meramente tática (mas não de uma ideologia marxista ou comunista) ao que propunham ou faziam os nacionalismos das esquerdas pan-árabes e socialistas dos anos 1950-70, os reais grandes perdedores dessa verdadeira "batalha" político-ideológica e sócio-econômica pelo controle do poder estatal no Oriente Médio e nos países árabes nos últimos 30 anos.
BF – Como os governantes do mundo ocidental vão se posicionar se a guerra adquirir contornos mais dramáticos? Quem seriam os "Aliados" e o "Eixo" de uma terceira guerra?
Karam– Ora, a maioria dos governos dos países ocidentais que pertencem ao que, numa linguagem marxista, chamamos de "centro do sistema capitalista" (como o G-7, a Rússia e a Austrália), e também seus aliados da periferia desse sistema (alguns países da Europa Oriental, América Latina, Ásia Oriental, África Subsaariana e do próprio Oriente Médio) respalda e respaldará claramente Israel ou, em alguns poucos casos, até criticará Israel e levantará a bandeira da "paz", conceito que, esvaziado de seu real sentido e propósito, tornou-se uma espécie de "moda pós-moderna politicamente correta" das relações internacionais. Porém, duvido muito da adoção de medidas e sanções concretas contra o uso desproporcionado e ilegal da força militar por parte de Israel ao atacar a Faixa de Gaza e o Líbano nessas últimas duas semanas. Não acredito na propagação do conflito para além das fronteiras do Oriente Médio de uma guerra que, na verdade, é até sub-regional (o que não envolveria o Irã), porque já há outras duas frentes de batalhas na área (Iraque e Afeganistão), mas principalmente porque o que Israel está fazendo é servir a sua potência protetora e financiadora ao pôr em prática o projeto geopolítico republicano da administração Bush dirigido a reorganizar as forças políticas do Oriente Médio, ainda que, neste caso, seu alcance e objetivo sejam, pelo menos num primeiro momento, de nível sub-regional (Palestina, Líbano e, indiretamente, Síria).
Don Ramon o anti-herói dos anos 80.
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Ramón Goméz Valdés y Castillo, nasceu na Cidade do México em 6 de abril de 1923 e faleceu com câncer no pulmão em 9 de agosto de 1988. Fez mais de 50 filmes mas foi a partir de 1971, com o seriado “Chavo Del Ocho” e seu personagem Don Ramon que ficou conhecido internacionalmente.
Em 1979 saiu programa, após a briga de Carlos Villagran (Kiko) e Roberto Gómez Bolanõs (Chavo). Ramon foi trabalhar com Villagrán nos seriados “ah, que Kiko!” e “Frederrico”, voltando ao seriado na terceira fase, aquela em que os episódios se passam predominantemente no restaurante de Doña Florinda (Florinda Meza) e na escola do Prof.Jirafales(Ruben Aguirre).
Embora o seriado “Chavo Del Ocho”, tenha sua primeira parte nos anos 70, com todos personagens e maioria das filmagens na vila, no Brasil o seriado começou a ser exibido em 1984 pelo SBT, então TVS. “Chaves”, desde então vem acompanhando a infância de pelo menos duas gerações. Prova disto é que neste ano, houve dias em que o programa “bateu” a audiência de jogo da Copa do Mundo.
Todos personagens carregavam características psicológicas muito fortes, além de juntos se inserirem num contexto social. Um cortiço mexicano, uma mulher ex-classe média, um professor, um rico capitalista, uma idosa, 3 crianças, uma delas um menino órfão e um desempregado: Seu Madruga(Don Ramon).
Para Roberto Gomes Bolanõs, o Chespirito, redator do programa e intérprete do personagem principal, Don Ramon era o que era Ramon Valdez e por isto talvez ele tenha ‘interpretado” com tamanha naturalidade.
Para mim Don Ramon ou Seu Madruga é maior exemplo de anti-herói dos anos 80. Na verdade, acho ele um herói. Mas, se pensarmos que a cultura de massa estadunidense tenha apresentado um outro conceito de herói, o do “super-herói”, ou seja, aquele que tem determinados atributos físicos que não são humanos, afirmo que o “esquelético” Seu Madruga era um anti-herói.
O anti-herói não preocupa-se com a falsa moral, aquela em que qualquer coisa que o herói faça, mesmo que seja ruim, uma vingança, é justificável. O anti-herói age por necessidade. A virtude do anti-herói é a malandragem. O personagem Seu Madruga utiliza sua esperteza para vencer as dificuldades sociais que passa. Com carisma convence o dono do cortiço, Seu Barriga (Edgar Vivar), que vai arranjar dinheiro para pagar o aluguel. E ele consegue. Todo mês, ele pagava, pois sempre continuava devendo os mesmos 14 meses. Com garra e coragem faz vários trabalhos: carpinteiro, leiteiro, vendedor de doces, fotógrafo, cabeleireiro e pedreiro. Retratando a realidade mexicana (e também a brasileira, por isto a identificação imediata), de sub-empregos para as classes baixas.
Mais que isso, ele foi um guerreiro ao criar sozinho sua filha(Chiquinha) e um cavalheiro ao jamais levantar a mão para Dona Florinda(Florinda Meza).
Para as crianças era o palhaço, aquele que fazia rir apenas com um gesto. Como quando jogava o chapéu no chão. Entre seus bordões estão: “o que que foi que que foi que que há?”, “Só não te dou outra porque...”. Mas a frase que melhor qualifica o anti-heroismo de Seu Madruga é: “a vingança nunca é plena mata a alma e envenena”.
Terça-feira, Agosto 01, 2006
o conselho de "segurança" da ONU, a expansão estadunidense e a volta da barbárie.
Após a segunda guerra mundial (1939- 1945) surgem manifestações pela criação de um sistema internacional de direitos humanos, como por exemplo, a carta da ONU (Organização das Nações Unidas) em 1945, o Tribunal de Nuremberg em 1946 , a Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948 e a Convenção de Genebra em 1949. “A proteção do indivíduo deixou de ser uma questão doméstica do Estado e passou a ser uma questão internacional.” (fundamentos e história dos direitos humanos. Daniela Ikwa, Flávia Piovesan,Guilherme de Almeida e Verônica Gomes)
A ONU surge tendo como principais objetivos a manutenção da paz e a segurança internacional, a promoção dos direitos humanos e a cooperação internacional nas esferas social e econômica. No entanto, a ONU perde sua legitimidade quando não consegue alcançar estes objetivos e os direitos sociais, culturais, civis e políticos se submetem ao "deveres" econômicos das grandes potências internacionais.
A ONU é formada por uma assembléia geral composta por todos membros da organização que podem discutir a qualquer momento qualquer ponto que seja objeto da carta da ONU de 1945. O Secretariado é o órgão administrativo da ONU. O atual secretário geral é Koffi Annan. O Conselho Econômico e Social é composto por 27 membros e é a estrutura a qual pertence à Comissão de Direitos Humanos da ONU, que foi criada em 1946. Infelizmente esse Conselho que também discute propostas culturais,econômicas e sociais, não é o principal órgão da ONU. Cabe ao Conselho de Segurança ser responsável por manter a paz e impor sanções de caráter econômico e militar a todos estados-membros da ONU. O Conselho de Segurança é composto por 15 estados-membros sendo 5 membros permanentes: China, França, Rússia, reino unido e estados unidos.
São estes países que controlam o cenário mundial. Tanto no aspecto econômico como político e militar. Os outros estados-membros diante de grandes crimes contra a humanidade até se posicionam contrários mas não tem o poder de intervir nas questões.
Na esfera militar os estados unidos são claramente o país que decide sobre a segurança mundial. Uma segurança, assim, criada de forma artificial, privilegiando interesses de uma só nação. E essa influência total sobre os demais países, acentuou-se no governo do republicano George W.Bush, com os EUA sendo o centro de um grande império.
Para se consolidar como o país imperialista desta era , além dos mecanismos econômicos que impõe ao terceiro mundo, para além da cultura de massa midíatica, da globalização vertical e dos produtos culturais enlatados, eclode no Oriente Médio o projeto de expansão territorial, dominação política e econômica.
Assim foi quando o exército estadunidense, após o 11 de setembro, invadiu o Afeganistão para “cassar” Bin Laden e mataram inúmeros civis. Os militares destruíram cidades para depois chamarem empresas estadunidenses a participarem da construção física das cidades. Tem o controle sobre os campos de papoulas, fonte da heroína. Implantou um governo subserviente e mantém tropas militares estrategicamente posicionadas ante os inimigos na região: Irã, Líbano e Síria.
A ONU nada fez.
O passo seguinte foi apresentar ao Conselho de Segurança uma proposta de intervenção multi-lateral no Iraque, para destruir supostas armas de destruição em massa. Com apoio do reino unido e indo contra a resolução da maioria do Conselho(França, Rússia e China), forjou provas, invadiu o Iraque e destituiu o governo sunita que ajudara a construir para parar o domínio xiita na região. Anos depois, captura o agora ex-aliado, Saddam Hussein e se instala como dizem aqui no sul, de mala e cuia. Mais um território para bases militares. Economicamente, se beneficiam com o controle da produção de petróleo, material de primeira necessidade para o país que mais consome e produz lixo. Mais empresas participando da reconstrução das cidades. Mortes e mais mortes a cada dia. Mai civis mortos. Outro governo subserviente. A fórmula é a mesma. As armas não são encontradas.
O ONU perdeu seu papel e as instâncias de poder que poderiam levar a uma contribuição realmente social e uniforme para todos povos do planeta, não conseguem se impor ante o imperialismo militar estadunidense.
O conflito no Oriente Médio pode nos estar levando a uma próxima grande guerra. O plano de expansão estadunidense inclui minar o poder da Síria, Irã e Líbano. Os estados unidos estão a passos de intervir militarmente e quase que unilateralmente, de novo. Claro que sempre contam com o apoio de reino unido e de israel.
E a ONU que surgiu para manter a paz fica refém das “vontades” dessas 3 potências lideradas pelos estados unidos.
É o re-início da barbárie.
Segunda-feira, Julho 24, 2006
Direitos Humanos nas eleições 2006
Atualmente o Brasil possui inúmeros Conselhos não só federais, mas também estaduais e municipais que fiscalizam, discutem, elaboram e praticam ações para proteger os direitos humanos, numa parceria entre estado e sociedade. Estes conselhos além de serem paritários (número igual de representantes da sociedade e do governo), devem ter total autonomia política, somente se vinculando aos órgãos governamentais administrativamente. Na última Conferência Nacional de Direitos Humanos, se colocou a necessidade de que os representantes da sociedade fossem 60% do total de integrantes dos conselhos.
No entanto, mesmo com todos avanços na luta e na divulgação dos direitos humanos, segundo o Relatório sobre os Direitos Humanos no Brasil 2005, publicado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, o Brasil ainda apresenta um forte quadro de violações dos direitos humanos. Os compromissos firmados pelos últimos governos democráticos (Collor, Fernando Henrique e Lula) ou não foram cumpridos ou foram cumpridos parcialmente. Entre alguns, podemos citar a questão da reforma agrária e do assentamento de famílias sem terra, bem como da punição aos atos de violência no campo. Por exemplo, no Pará, nos últimos 30 anos foram 772 casos de assassinatos de trabalhadores rurais e em apenas 3 casos houve julgamento dos mandantes.
Em relação aos povos indígenas, a situação é alarmante. Utilizando outro exemplo para elucidar melhor a questão, podemos apresentar o caso dos índios Tupinikim e Guarani no Espírito Santo. Estes estão sendo dizimados e expulsos de suas terras, que em última instância pertencem ao patrimônio da União, pela multinacional Aracruz Celulose.
Estas multinacionais se instalam em solo brasileiro, devastam a mata(crime de violência ambiental) e em conluio com os senhores feudais locais também praticam o trabalho escravo. De 1995 a 2005, cerca de 16 mil trabalhadores foram libertados do cárcere privado em que sobreviviam em fazendas. Tramita na Câmara uma proposta de emenda constitucional que propõe a expropriação de toda e qualquer propriedade que haja trabalho escravo. E como é ano de eleição essa votação, assim como tantas outras, só deve ficar para depois do ano que vem.
Enquanto isto a violência segue. A cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil.
Os negros continuam sendo discriminados, assim como as pessoas portadoras de necessidades especiais e os glbt (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros).
Sem contar os casos de violência ambiental e educacional (quando o estado não consegue que crianças tenham acesso à escola).
A violência contra os direitos humanos também é velada, ou seja, ataca de forma “invisível”. Nesta linha, podemos incluir uma questão atual, a da comunicação. Indivíduos somente têm acesso a informações mediante a comunicação de massa apresentada principalmente pela TV globo, que constitui um caso de monopólio que nos faz refletir se realmente vivemos em um estado democrático. Raríssimas são as opções de acesso a informação fora da televisão. Agora mesmo poucas pessoas terão acesso a este texto e em sua maioria pessoas de um nível social mais favorecido e somente poderemos mudar esta situação com a inclusão digital, com acesso à informática nas periferias brasileiras.
As pautas das políticas públicas sempre são pontuais, não atacando as raízes dos problemas. Assim governo sai, governo entra, e as ações sociais são assistencialistas, como o programa Fome Zero que transforma o indivíduo em mendigo que pede esmolas (e em futuro eleitor) e não em cidadão com direito a geração de renda através do emprego. É lógico que a caridade é importante, e a fome não tem ideologia, mas deve vir acompanhada de um projeto sério de soberania alimentar e desenvolvimento regional. Para isto é preciso que os governos destinem uma quantidade maior de seu orçamento para tratar estas questões de direitos humanos que envolvem tanto a área social e econômica quanto à proteção individual do ser humano.
Infelizmente o que vemos é os orçamentos se destinarem a pagamento de dívidas e liberação de emendas para obras de políticos.
Enquanto isto os direitos humanos são tratados quase sempre no âmbito do discurso e não da prática, produzindo inúmeros documentos e protocolos que ficam engavetados.
É importante que se cobre dos candidatos suas propostas também na área de direitos humanos. Devemos votar em um projeto, em um mandato, em uma candidatura de fato popular. Se não estaremos fadados novamente a decidir nossos representantes com base no marketing político e suas belas propagandas (televisas ou impressas), onde todo político é bonzinho e vai mudar as coisas. E nesse caso a única saída é votar nulo.
Por fim é bom ressaltar que os direitos humanos partem não só de ações representativas dos legisladores, mas de uma prática coletiva e participativa de movimentos sociais e indivíduos conscientes. Mas que cobrar das “autoridades” é nosso direito e dever.
Porto Alegre, 24 de Julho de 2006.
Fabrício Ungaretti Coutinho
Comunicador
http:contraofensiva.blogspot.com
Terça-feira, Julho 18, 2006
cpi das sanguessugas
notem que não tem ninguém do PT, mas lembrem-se que outros partidos que fazem parte desse governo como PTB,PL e PP tem vários nomes. Além deles tem parlamentares do PMDB(dividida entre o apoio a lula e alckmin) e os partidos de direita coligados PSDB-PFL.
Parlamentares já notificados
Paulo Feijó (PSDB-RJ)
Paulo Baltazar (PSB-RJ)J
oão Caldas (PL-AL)
Cabo Júlio (PMDB-MG)
Pedro Henry (PP-MT)
Bispo Wanderval (PL-SP)
Iris Simões (PTB-PR)
Benedito Dias (PP-AP)Lino Rossi (PP-MT)
Edir de Oliveira (PTB-RS)
Teté Bezerra (PMDB-MT)
Fernando Gonçalves (PTB-RJ)
Almeida de Jesus (PL-CE)
Pastor Amarildo (PSC-TO)
Nilton Capixaba (PTB-RO)
Parlamentares notificados a partir de hoje (18/07/06)
Reinaldo Betão (PL-RJ)
Isaias Silvestre (PSB-MG)
José Militão (PTB-MG)
Wellignton Fagundes (PL-MT)
Mario Negromonte (PP-BA)
Laura Carneiro (PFL-RJ)
Zelinda Novaes (PFL-BA)
Vieira Reis (PRB=-RJ)
Junior Betão (PL-AC)
Ribamar Alves (PSB-MA)
Eduardo Gomes (PSDB-TO)
Eduardo Seabra (PTB-AP)
Osmanio Pereira (PTB-MG)
Jefferson Campos (PTB-SP)
João Batista (PP-SP)
Vanderlei Assis (PP-SP)
João Mendes de Jesus (PSB-RJ)
Dr. Heleno (PSB-RJ)
Reinaldo Gripp (PL-RJ)
José Divino (PTB-RR)
Alceste Almeida (PTB-RR)
Marcos Abramo (PP-SP)
Nélio Dias (PP-RN)
Ricarte de Freitas (PTB-MT)
Cleonâncio Fonseca (PP-SE)
Benedito de Lira (PP-AL)
Reginaldo Germano (PP-BA)
Ricardo Estima (PPS-SP)
Neuton Lima (PTB-SP)
João Correia (PMDb-AC)
Amuari Gasques (PL-SP)
Mauríco Rabelo (PL-TO)
Coroliano Sales (PFL-BA)
Almir Moura (PFL-RJ)
Marcelino Fraga (PMDB-ES)
Ney Suassuna (PMDB-PB)
Raimundo Santos (PL-PA)
Edna Macedo (PTB-SP)
Irapuan Teixeira (PP-SP)
Itamar Serpa (PSDB-RJ)
Enivaldo Ribeiro (PP-PB)
Elaine Costa (PTB-RJ)
Quinta-feira, Julho 13, 2006
dia mundial do rock livre
aproveite
anos 60
Celly Campello- Estúpido Cupido(1960)
anos 70
Erasmo Carlos- Carlos, Erasmo(1971)
anos 80
Lobão- Vida Bandida(1987)
anos 90
Graforréia Xilarmônica- Coisa de louco II (1995)
anos 2000
Los Hermanos- Bloco do eu sozinho(2001)
Tom Zé na TV DILÚVIO
Ficha técnica: Direção: Guilherme Carlin
Assitente de direção: Leonardo Mereu
Roteiro: Fabricio Ungaretti Coutinho e Guilherme Carlin
Produção: Claudio Bischoff e Fabricio Ungaretti Coutinho
Câmeras: Cassiano Griesang, Guilherme Carlin e Leonardo Mereu
Iluminação: Cassiano Griesang e Fabricio Ungaretti Coutinho
Atores: Claudio Bischoff (Dr.Burgone),
Tina Glyari (Electra),
Luana Michellotti(Medéia)
Cristina Werlang (Ariadne)
http://www.odiluvio.com.br/tv/tomze.htm
parte 3- globo e as eleições
A “cobertura” do Jornal Nacional fica marcada pelo apoio à Fernando Collor de Mello, candidato do pequeno PRN.
No dia 16 de dezembro, o JN noticia o resgate do empresário Abílio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, que tinha sido seqüestrado uma semana antes. Tentou-se uma ligação dos seqüestradores com o PT. Depois foi comprovado que as acusações era falsas. Porém já era tarde. Lula perdera a eleição em 17 de dezembro.
Mas foi o dia 15 que entrou para história. Trata-se da edição do debate presidencial do dia 14.
A rede globo apresentou duas edições desse último debate, no dia seguinte à sua realização: uma no jornal Hoje por volta das 13h e outra no Jornal Nacional. O segundo resumo provocou grande polêmica. A Globo foi acusada de ter favorecido o candidato do PRN, tanto na seleção dos momentos como no tempo dado a cada candidato, já que Fernando Collor teve um minuto e meio a mais que o adversário.(Memória Globo, 2004, p. 211)
Relata Octavio Tostes (editor de texto do JN), “Quando eu estava assistindo ao VT, na ilha 10, o Ronald de Carvalho entrou e disse textualmente: ‘ É para fazer uma edição com o pior do Lula e o melhor do Collor’(...) Alberico pediu que se pusessem na edição duas coisas, das quais não me lembro se eram deslizes do Lula ou falas favoráveis do Collor. Certamente não eram coisas favoráveis ao Lula. Foi uma edição manipulada.[1]
Alberico de Souza Cruz foi promovido a diretor da Central Globo de Jornalismo, no lugar de Armando Nogueira.
Em 1992 Collor sofre impeachmeant e a Globo é um dos últimos veículos a “abandonar” Collor. Roberto Marinho que sempre esteve ligado ao governo, ao ver que os caras pintadas haviam tomado as ruas do Brasil em mais uma manifestação popular, resolve demonizar PC Farias, como relata o jornalista Nirlando Beirão, na matéria o Céu é o limite, a beatificação de Roberto Marinho, na revista Carta Capital de 20 de abril de 2005.
Itamar Assume e quem recebe os holofotes da mídia é o secretário da fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que cria o plano real.
No dia 2 de setembro de 1994, Rubens Ricupero- substituto de FHC no ministério da Fazenda- gravou uma entrevista como jornalista Carlos Monforte da Globo.
Antes das gravações, uma conversa entre os dois foi captada acidentalmente por algumas antenas parabólicas domésticas que estavam na mesma freqüência do sinal emitido via satélite pela Embratel. O incidente teve grandes repercussões, pois Ricupero admitiu usar eleitoralmente os indicadores econômicos positivos do governo em favor do candidato do PSDB. Entre outras afirmações, disse não ter escrúpulos de esconder o que era ruim e divulgar o que era bom. O ministro chegou a citar a Rede Globo, alegando que ele, Rubens Ricupero, era um “achado” para a emissora, que em vez do “apoio ostensivo” à candidatura FH podia coloca-lo nos seus telejornais, numa espécie de apoio indireto. (Memória Globo, 2004,p. 280)
Eleito e reeleito em 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso, privatizou diversos bens e serviços públicos com o Programa Nacional de Desestatização(PND). “Uma das edições do JN mais polêmica foi a do dia 28 de julho de 1998, quando nasceu Sasha, filha da apresentadora Xuxa. O assunto ocupou mais de dez minutos do telejornal, enquanto o leilão da Telebrás e da Telesp, que iria acontecer no dia seguinte, ficou com menos de quatro minutos.” (Memória Globo, 2004, p.289)
Em 2002, o Jornal Nacional faz uma cobertura mais ”isenta”, sem criticar Lula que se candidatava pela quarta vez. Lula agora com uma nova postura criada pelo marketeiro Duda Mendonça embora em sua campanha tenha feito um discurso de mudança. Pouco antes das eleições divulga uma Carta aos Brasileiros para tranqüilizar o mercado,se comprometendo a manter a política econômica neoliberal. Com a coligação com o PL(Partido Liberal) e o PP(Partido Progressista), em nome da governabilidade procurou manter uma relação cordial com a Globo. O primeiro pronunciamento do presidente eleito é no Jornal Nacional.
E em 2006,como será? *
[1] Memória Globo, 2004, p. 220
*A partir de Setembro toda cobertura das eleições aqui.
parte 2- globo e a redemocratização
parte 2- O governo militar cai e a Globo continua no poder.
À medida que a política econômica ia naufragando, pulsavam os movimentos grevistas, destacadamente o dos metalúrgicos do ABC- região da grande São Paulo que abrange Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema. Destaca-se o líder sindical Lula, que chega a ser preso nesta época, demonstrando ainda fortes vestígios do regime opressor. Neste momento, em 1981, se realiza a primeira Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat), que viria dois anos mais tarde a resultar na criação da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Em 1981, duas bombas explodem em um show comemorativo ao Dia do Trabalho, no Riocentro, Rio de Janeiro. Os mortos eram dois militares do DOI-CODI[1]. As primeiras versões do governo, e transmitidas pela TV Globo, colocavam a culpa nos comunistas, chegando em uma edição o Jornal Nacional mostrar dois tubos de gás lacrimogêneo como se fossem as bombas. Mais tarde se comprovaria que o atentado fora tramado pelo militares.
Em 1982, nas primeiras eleições diretas para governador, pós-ditadura, a rede globo montou em todo país um esquema paralelo de apuração dos votos. A idéia era divulgar os resultados das urnas com rapidez, antecipando os números dos TREs[2]. Quem fazia a apuração era uma equipe montada pelo jornal Globo que passava os dados para a TV.
O TSE[3] decidiu, naquele ano, informatizar a apuração, com a empresa estatal, Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados). No Rio de Janeiro, a firma contratada foi a Proconsult.
Nas primeiras contabilizações havia um predomínio de votos para o PDS e PMDB, superdimensionando os candidatos Moreira Franco e Miro Teixeira. É que os primeiros votos contabilizados foram os do interior aonde, estes partidos, tinham mais base. A Globo mesmo com seu esquema de apuração paralelo divulgava os mesmo números. Houve problemas com a apuração, chegando a parar devido a erros da Proconsult em seu modelo de projeção conhecido como “fator delta”. O responsável pelo programa era um militar, o tenente-coronel Haroldo Lobão.
Três dias após a eleição, nenhum resultado e muito tumulto. Brizola, candidato do PDT, criticou a lentidão nas apurações e a cobertura das Organizações Globo. “Mas como é que eu posso me conformar que vocês computem a toda hora urnas do interior e deixem as urnas da cidade, aqui?” , disse Brizola (Cf. Memória Globo. Jornal Nacional: a história da notícia, p111)
Leonel Brizola, que acabou eleito governador do Rio, foi um dos mais ferozes críticos das organizações Globo.
Em 1983, forma-se uma frente de todos partidos culminando com a proposta de emenda à Constituição, por Dante Oliveira, deputado pelo PMDB, prevendo eleições diretas pra presidente.
Em seguida, sob liderança do deputado Ulysses Guimarães, lança-se a campanha “Diretas Já”.
As pressões pela abertura se intensificam e a Globo deixa de cobrir as manifestações. Somente em 1984 é transmitido um comício pela Globo. Mesmo assim, o Jornal Nacional informou, erroneamente, que milhares de pessoas se reuniram na praça da Sé para comemorarem o aniversário de 430 anos da cidade de São Paulo. Quase 300 mil pessoas gritavam “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” .
Os quatro meses que antecederam a votação da emenda Dante de Oliveira foram dedicados à organização de comícios, que se realizaram por todo o país. A globo acompanhou os comícios apenas nos telejornais locais. Naquele primeiro momento, as manifestações não entraram nos noticiários da rede. Roberto Marinho, em entrevista a revista Veja de 5 de setembro de 1984, explicou: “Achamos que os comícios pró-diretas poderiam representar um fator de inquietação nacional e, por isso, realizamos num primeiro momento apenas reportagens regionais. (Memória Globo, 2004, p. 156)
O congresso rejeita a emenda e realiza uma eleição indireta pelo colegio eleitoral. Roberto Marinho que antes apoiava Paulo Maluf, o candidato governista do PDS, passa para o lado do outro político do PMDB, Tancredo Neves e tem em seu amigo Antônio Carlos Magalhães, figura chave para a construção da Aliança Democrática que reuniria os dissidentes do PDS ligados a ACM. Tancredo vence Paulo Maluf, tendo como vice José Sarney.
“E nem causa estranheza que, no dia de sua eleição pelo Colégio eleitoral, tenha sido com o empresário Roberto Marinho que Tancredo almoçou festivamente.” ( HERZ; DANIEL, 1987, p.31)
O jogo de relações leva ACM ao ministério das Comunicações, área de interesse de Roberto Marinho. Com o apoio do amigo, ganha o controle acionário da NEC(Nippon Eletric Company), do empresário Mário Granero.
Para retribuir a ajuda, Roberto Marinho tira da TV Aratu os direitos de retransmissão da Globo na Bahia e passa à TV Bahia, de parentes e amigos de Magalhães.
A Nike joga bonito? (texto enviado por gibran lachowski)
De Gibran Lachowski, jornalista em Cuiabá e mestrando em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Há na Copa muito mais do que o que se passa dentro dos gramados. E isso, que também muito interessa, pouco ou quase nada é noticiado. Em nome do dinheiro. Da ganância. Do comprometimento firme entre grupos econômicos, políticos. Em nome da hegemonia de pensamento. Da hegemonia da imagem, da aparência. Da produção da imagem desejada e desejável. Mesmo assim o esforço em manter a bela beca de quem banca a festa salta aos olhos. Por isso é bom o estado de sensibilidade permanente. Para captar o instante de desvio, as nuanças do desequilíbrio, os períodos de realidade proibida. Aquilo que em seguida poderá ser “corrigido”, e geralmente o é. Escrevo sobre algo que se inscreve na nossa realidade como patamar de grande controle social, como instância de influência sobre o inconsciente. Como capitalização da subjetividade de conjuntos enormes de pessoas. (Ou seria das subjetividades?) E isso se dá, diariamente, na arena midiática. Nos jornais, telejornais, rádiojornais, jornais virtuais... Lembro-me de Aldous Huxley (“Admirável mundo novo”), de Pedrinho Guareschi (que fala do “coronelismo midiático”), do filme “O show de Truman” (dirigido por Peter Weir e cujo papel principal foi maravilhosamente interpretado por Jim Carrey). Lembro-me de Ciro Marcondes Filho em “Quem manipula quem – poder e massas na indústria da cultura e da comunicação do Brasil”, livro que cita o funcionamento do “modo de pensar capitalista”. Parece teoria da conspiração? Exagero? Apocalipse, inevitabilidade, alucinação? Não. Creio ser a realidade, nua, diária, que se traveste de forma atraente, para atrair, porém, para que não se veja além de sua vestimenta opaca. Poder de medusa. Efeito de medusa. Chama e petrifica. E o que é a Nike, senão uma empresa-logotipo – termo que ouvi do professor Juan Mederos numa aula de “Tópicos Especiais em Estudos da Cultura”, do mestrado de Estudos de Linguagem da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso)? Nike-fetiche
Afinal, a Nike não confecciona materiais esportivos. Ela se configura como um conjunto de escritórios que carimbam mercadorias. Que nelas pincelam sua estonteante marca de status quo. A Nike é, portanto, um fetiche. Algo que milhões de pessoas buscam a partir da posse de produtos divulgados, que está embutido nos mesmos; algo imaterial, que podemos chamar de estilo de vida, modus vivendi. Uma produtora de sonhos tão lindos, brilhantes, que promove viagens imaginárias de porte invejável não pode, então, conviver com a realidade da miséria, da desigualdade social, muito menos permitir que os seus potenciais consumidores observem tanta desgraça. Por isso é que dissocia-se do processo produtivo das mercadorias. Tatua-se (ou melhor, é tatuada) nas mentes de milhões de pessoas como uma instância de brilho próprio, que afirma-se apartada de toda a realidade possível. Pois Nike está acima do que é costumeiro. Suor, sangue, escravidão em dias atuais, seja em Cingapura, Taiwan, seja em qualquer outro lugar... isso é tudo intriga, mentira, inveja. Não é ela, a Nike, que faz essas atrocidades com o ser humano! São empresas terceirizadas por ela. E essas terceirizadas terceirizam parte do serviço a outras mais. Ou seja: a Nike fica distante de tudo isso. Nem toca o horror. E a propósito, para que sindicatos que desejam defender homens, mulheres, mulheres grávidas, crianças de jornadas insuportáveis de trabalho? E nem é a Nike que impede essas coisas que tanto chamam de direitos. Ela, a Nike, está muito mais preocupada em fazer carimbos cada vez mais reluzentes, próprios para as pessoas que gostam e sabem brilhar, como o Ronaldo Nazário e como você. Aliás, você e Ronaldo Nazário são iguais, pois se ele conseguiu, você também pode. Da mesma forma, para que Estado, para que leis trabalhistas. Muito bem se vive com o mercado regulando a lei da oferta e procura, com a flexibilização das relações entre empregados e bons patrões. E quem vai acreditar – ou se acreditar, quem vai pôr a culpa na Nike – nessa história de que a marca que produziu a campanha publicitária “Joga bonito” paga ao ano à seleção brasileira de futebol 13 milhões de euros, ou cerca de R$ 38 milhões, e que os trabalhadores asiáticos recebem ao dia, graciosamente, só 3,76 euros, ou em torno de R$ 11, pela confecção dos materias dos astros da bola? Isso é coisa dessa tal de Oxfam Internacional, uma ong. Isso é coisa desse tal de “Brasil de Fato”, jornal de esquerda, que apóia movimentos sociais e fica veiculando esse tipo de notícias, só para denegrir as imagens de grandes empresas. E não vilipendiaram a imagem apenas da Nike. Também icnluiram Adidas (responsável pela confecção das bolas da Copa), Puma, Lotto, Umbro, Asics, Fila, Kappa, Mizuno, New Balance, Reebok, Speedo. Perturbação
Como não dissociar o processo produtivo das mercadorias se o que a indústria da capitalização da subjetividade quer é vender sonhos? Se a Nike quer ganhar muito dinheiro com isso, não pode permitir que a realidade perturbe a criação de uma realidade tão mais interessante para se desejar viver. O pensador francês Jean Baudrillard já dizia em 1968, em seu livro “O sistema dos objetos”, que a publicidade vive de impedir a perturbação da realidade. O valor monetário, o trabalho, o choro de dor e a exploração podem cortar a “relação miraculosa” (termo dele) entre o consumidor e a sociedade distribuidora de bens, que lhe remonta subjetivamente à sua primeira infância, quando sua mãe distribuia, gratuitamente, tudo o que necessitava. Por isso é que as propagandas da Nike em época de Copa não podem, nem devem, mostrar que a maioria esmagadora (a redundância se faz necessária) dos jogadores de futebol brasileiros não ascendem socialmente pelo caminho da bola. A maioria deles pára antes de virar estrela (alias, é parada, porque tem que ganhar dinheiro para sobreviver). Por isso é que aquela propaganda da Nike intitulada “Espírito de Equipe” é do jeito que é. Gente feliz, muito feliz, sorrindo muito, cantando muito. Um vestiário com muita luz, com materiais da Nike espalhados por todos os cantos. Jogadores trocando de roupa para o jogo e, ao mesmo tempo, tocando a bola, mostrando todo o talento nato (será) do brasileiro em termos de futebol. Atletas reunidos em roda, rezando para jogarem bem, e a marca Nike ali, fixada nas camisetas do Brasil, perto do peito, do coração brasileiro. Depois, jogadores em bela jogada que termina em gol, que termina em comemoração na lateral do campo. Uma propaganda muito bem iluminada para não lembrar das favelas de onde boa parte desses jogadores veio; das favelas onde milhões de seus contemporâneos ainda habitam e onde outros tantos já foram enterrados. Mas isso não importa. O importante é torcer pela seleção brasileira. Cantar o hino nacional. Comprar bandeirolas. Adesivos. Camisetas. Chuteiras. Enfeitar-se de patriota. De brasileiro. Principalmente se for da marca Nike. Afinal, a Nike joga bonito. A Nike joga bonito?
Terça-feira, Julho 11, 2006
Vladek e Anja
“Vladek e Anja”Per Fabricio Ungaretti Coutinho
O HQ “Maus”, de Art Spiegelman, é a história de um sobrevivente.
A primeira parte que retrata meados dos anos 30 até o inverno de 1944 “Meu pai sangra história”, é composta de 6 histórias em quadrinhos que foram publicadas na revista Raw entre 1980 e 1991. São elas: O Sheik, lua-de-mel, prisioneiro de guerra, o laço aperta, buraco de ratos e a ratoeira.
O autor conta a história de seu Pai, Vladek Spiegelman, com momentos de sutileza e rara compreensão humana até momentos de pura brutalidade. A verdade nua e crua desvendando a história e as atitudes estúpidas que o preconceito causa. Neste caso o tempo marca uma das maiores perseguições contra uma raça, um povo(uma de tantas outras perseguições, como por exemplo o apartheid na África).
Não sei ao certo o número de mortos, mais ou menos 5 milhões de Judeus, mas depois de ler “Maus” consegui ver a segunda guerra, o nazismo e a matança de Judeus de uma forma muito íntima que relata não somente a parte de análise histórica mas também a partir do mais profundo conhecimento, a prática.

Art mostra os dramas vividos por seus pais desde o início do poder de Hitler, passa pela ocupação da Polônia e mostra as atrocidades do campo de concentração em Auschwitz.
Spiegelman, ganhador do prêmio Pulitzer, ilustra também um pouco de sua própria história e de maneira corajosa expõe todas suas angústias e seu relacionamento difícil com o pai. Para ilustrar algo tão pessoal, ele utiliza elementos gerais de rápida associação coletiva. Seus personagens são bixos. Os judeus como aqueles que são submetidos a situações degradantes, em lugares obscuros e imundos, os ratos. Os nazistas, como aqueles que caçam, os gatos.
Talvez não fosse a intenção mas foi uma bela homenagem à linda história de amor de seus pais, Vladek e Anja, desde o casamento, em 14 de fevereiro de 1937, na bela mansão do sogro capitalista dono de fábrica em Sosnowiec, na Polônia, até o auge da perseguição, que é a captura e o campo de concentração e extermínio em Auschwitz.
Na segunda parte “Aqui meus problemas começaram. De Mauschwitz às Catskill e mais adiante” que tem mais 5 quadrinhos: Mauschwitz, Auschwitz(o tempo voa), ...e aqui meus problemas começaram, salvo e a segunda lua-de-mel.

Art também desenha os momentos em que passa entrevistando seu pai. Art é Artie.
Quando Mala, a segunda mulher de Vladek, vai embora, Artie, têm que passar uma semana no chalé do velho Vladek. È nesse momento que o autor tem um choque com sua própria realidade e afloram variadas emoções a partir de todo conflito com seu pai.
Vladek conta para seu filho todos horrores. È a parte mais nebulosa da história, é a carnificina, o gás zyklon B, os fornos, as covas, os corpos empilhados, Auschwitz.
Vladek vai para um lado, Anja vai para o outro.
Cada dia é um dia de sobrevivência. Vladek ensina inglês para um “Kapo” durante a quarentena, carrega pedras, trabalha como funileiro, sapateiro, e só reencontra Anja em Sosnowiec no fim da guerra em setembro de 1945.
As ilustrações de Spiegelman são em preto e branco.
Uma é a total ausência de cor, a outra são todas as cores. Uma completa a outra. Perfeito para contrapor a concepção racial de Hitler.
E o que fica é o aprendizado de que alma não tem cor e que o amor salva.
Quinta-feira, Julho 06, 2006
eleições 2006- bens dos presidenciáveis
acompanhe e cobre.
depois de tudo, nenhuma alteração no financiamento de campanha.
tenho certeza que a coisa vai continuar a mesma.
reparem que o candidato do psl declara um valor alto, parelho com um de grande nome.
alguém dúvida que vai ter a "segunda caixa"?
estiamtiva de gastos com a campanha eleitoral
valor máximo declarado
cristovão buarque(pdt)- 20 milhões
geraldo alckmin(psdb)- 85 milhões
luis inácio lula da silva(pt)- 89 milhões
josé maria eymael(psdc)- 20 milhões
heloisa helena(psol)- 5 milhões
luciano caldas bivar(psl)- 60 milhões
rui costa pimenta(pco)- 100 mil
+
TSE divulga declaração de bens do candidatos à presidência da república.
reparem também no valor total do patromônio declarado deste candidato do psl.
são mais 8 milhões de reais.
somente no seu cofre particular em casa ele tem 30 mil.
e lembrem-se: ainda pode haver os bens não-declaráveis, aqueles em nomes de laranjas...
veja os números no link abaixo
http://www.tse.gov.br/sadEleicao2006DivCand/procCandidatoListar.jsp?cargo=0
Terça-feira, Julho 04, 2006
os 7 pecados capitais da seleção brasileira
Tá bom, todos nós sabemos que o futebol não é a salvação para os nosso males, que muito pelo contrário, por vezes acaba sendo um remédio amortecedor, que nos aliena ante a realidade social brasileira. Mas, não sejamos hipócritas, como vários pseudo-intelectuais. É ou não é bom de vez em quando nos desligarmos da realidade? E sim, por vezes também o futebol é o que resta de alegria para um povo sofrido.
Uma coisa que sempre falei para meu amigo Jairo, que me dizia que eu não deveria torcer para o Grêmio por determinadas razões históricas: "Futebol não é racional, futebol é paixão, é insanidade pura".
Afinal como explicar torcer para 11 homens correndo atrás de uma bola? E que eles se dizendo profissionais, fazem as mesmas coisas todo dia e no dia do jogo acabam fazendo-as de forma errada? Que dirigentes e comentaristas esportivos se aproveitam da imagem associada aos clubes para se lançarem na carreira política? E mesmo assim continuamos torcendo.
Portanto, falar sobre a eliminação da seleção brasileira, parte do pressuposto da emoção.
GULA: Excesso na comida e bebida.
Ronaldo realmente é um fenômeno, ninguém nega isso.Por tudo que ele já fez na seleção e pelas dificuldades que superou merece nossos aplausos. Com seus 3 gols nesta copa se tornou o maior artilheiro da competição em todos os tempos. Porém vale lembrar todo o tempo que a seleção perdeu em treinamento ao optar pela escalação de Ronaldo que se sustentou pelo nome. O problema do ataque é que tínhamos dois jogadores com características iguais jogando juntos. Culparam o Adriano por não ter atuado bem, mas como ele iria atuar bem se não estava na sua posição de ofício? Todo mundo sabe que ele é um jogador lento, de finalização que não pode ficar buscando o jogo, armar. Todo mundo menos o Parreira. A gula fez com que Ronaldo se apresentasse a seleção com 6 quilos a mais na bagagem. Arrisco até que era excesso de líquido proveniente das inúmeras bramas que ele deve tomar. A própria marca afirma “Com Ronaldo desde 1994”. Como unir um grupo, quando um jogador joga com o nome e outro, como no caso do Fred, por exemplo, entra, joga 6 minutos e faz um gol e nunca mais tem oportunidade? Isto leva à inveja.
INVEJA: Desejo de possuir algo que outro possui.
Todos nós invejamos algo ou alguém em algum momento de nossas vidas. No esporte este sentimento é muito presente e se multiplica quando se junta 23 jogadores. É um sentimento natural e que não necessariamente leva o outro a odiar ou querer prejudicar para conquistar aquilo, porém, com certeza, faz com que seja difícil unir estas pessoas em torno de um objetivo comum. Novamente pelo nome foram escalados Cafu e Roberto Carlos. Também não devemos esquecer tudo que eles conquistaram, mas futebol é momento, tem que jogar os que estão com melhor preparo. Seus reservas, Cicinho e Gilberto jogaram contra o Japão. O primeiro deu o passe para o primeiro gol e o segundo até fez o dele. E depois? Banco para os dois. Cicinho foi colocado no jogo contra a França faltando pouco mais de 15 minutos. No gol que tomamos Roberto Carlos, responsável pela marcação em Thierry Henry estava parado na linha da grande área, ajeitando a meia. Fora o gol na cara que ele perdeu contra Gana e os inúmeros balões, chutões totalmente fora do alvo: o gol. Não acho que tenha faltado vontade para eles, nem que seja culpa da idade, afinal Zidane destruiu no meio-de-campo.Mas realmente eles não estavam bem e se não estavam deveriam ter saído. Isto gera a avareza.
AVAREZA: Desejo intenso de possuir alguma coisa
Não há como o coletivo se sobressair quando o foco é as conquistas pessoais. Cafu talvez seja o maior exemplo disto. Em quase todas entrevistas(e verdade seja dita que a imprensa,que formula as perguntas é tão responsável quanto), Cafu aparecia falando de mais um recorde que tinha quebrado. Recordista de partidas pela seleção, recordista de jogos em copa do mundo, que a meta era ser o primeiro a erguer duas vezes a taça, etc....
Isso provoca o orgulho.
ORGULHO: Conceito elevado que alguém faz de si mesmo.
O que dizer da entrevista coletiva dada por Parreira? Uma frase sintetiza toda soberba.: “Não sei o que dizer pois não estava preparado para a derrota”. Quer dizer que ele chegou achando que seria uma barbada ganhar a copa. Pois se você tem o mínimo de pé no chão, você minimamente organiza nas idéias a possibilidade de aquilo que se faz pode não dar certo. Faltou humildade. Eu já havia dito isto, era visível. Como um time vai ganhar se não treina? Foram apenas 4 coletivos (titulares contra reservas) em 1 mês de preparação. Enquanto isto os jogadores ficavam fazendo rodinha de bobo, rachão(onde ninguém tem posição), e acrobacias com a bola que realmente é muito bonito de ver, mas não ganha jogo. Sem contar o ‘big brother” que a coisa se tornou. Jogadores dando entrevistas exclusivas para o Jornal Nacional as 2horas da madrugada no horário da Alemanha, os milhões e mais milhões que alguns jogadores ganharam antes da copa fazendo propagandas que variavam desde chiclete e cerveja até bancos multinacionais. Há inclusive aqueles que dizem que a seleção perdeu por causa do pagode. Será que esta festa toda não causa preguiça?
PREGUIÇA: Propensão para não trabalhar, negligência.
Como disse antes é uma discrepância a vida de jogador de futebol. Parece que eles vivem num mundo paralelo, ainda mais para a realidade brasileira. Jogadores consagrados, famosos, cheios de mulheres em volta e com os bolsos cheios pelos altos salários e a grana que entra com estas propagandas. Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, ganha 100 mil reais por dia, é por DIA. Então é justo que se cobre sim daquele que foi por dois anos considerado o melhor atleta do mundo. Qualquer profissional, mesmo aquele que ganha um salário mínimo é cobrado pelo serviço que presta. Porque não cobrar o Ronaldinho Gaúcho? Se esperava muito dele.Chegou na Copa sendo comparado com Pelé. Pois Ronaldinho não chega nem nos pés de Maradona, Zico, Romário, Zidane e outros craques. Contando suas duas copas jogadas ele participou de 11 jogos e somente em um jogou bola, aquele contra Inglaterra em 2002 que ele fez um golaço de falta, embora também há os que digam que foi sem querer.Se esperava pelo menos que ele tivesse garra, assumisse a condição d emelhor do mundo e fosse atrás da bola, corresse, tentasse dribles. O que se viu foi um jogador burocrático com a bola nos pés e escondido quando sem a bola. Mesmo quando foi colocado na sua posição, no ataque, nada fez. Chamar de mercenário talvez seja forte demais, mesmo quando ele jurava amores pelo Grêmio e pelas costas assinava um pré-contrato com o PSG. Talvez ele tenha, como qualquer humano, se deixado enganar pelas ilusões da matéria, a luxúria.
LUXÚRIA: Apego aos prazeres carnais.
Não necessariamente está ligada ao sexo, embora também desse um grande texto sobre o assédio das Maria-chuteiras aos craques. Diz respeito ao íntimo desejo de ter coisas e se apegar a elas, e cada vez mais coisas e melhores e mais prazerosas que no caso acaba sendo as coisas caras. Imagine você poder ter tudo que quer. O que para nós seria algo exuberante para eles é algo simples, o exuberante para eles é para nós algo inimaginável. Não foi, nem um nem dois jogadores que reclamaram da concentração. Foram vários. Poxa, ter que ficar um mês num castelo, com diárias milionárias pagas, com comida, ar condicionado, quarto individual, telefone celular liberado, videogame com tv de plasma, pagode liberado, folgas para compras nas pacatas e belas cidades da Alemanha, academia, fisioterapeuta, massagista, camareira e até campo de golfe, deve ser realmente "ruim". De vez em quando ir fazer umas embaixadinhas, um rachão divertido em campo,etc...Perderam-se os critérios, o senso da realidade. Num País de população em grande maioria pobre como o nosso os jogadores se dizerem descontentes por isto é ultrajante e provoca em muitos um sentimento de ira.
IRA:cólera,raiva,desejo de vingança.
Fim de Copa os jogadores voltam pras suas mansões e a vida continua. São poucos os que dão entrevistas. A maioria prefere fugir da torcida e se esconder da imprensa. Enquanto isto alguns torcedores indignados gritando “vergonha”, “mercenários”. Em reportagem apresentada no site terra.com.Br, diz que no dia seguinte Ronaldinho Gaúcho promoveu uma grande festa em sua casa e depois foi para uma boate. Em Chapecó, moradores queimaram uma estátua do jogador. E depois de lutar com garra em todos jogos, será que o verdadeiro quarteto mágico(Dida, Lúcio, Juan e Zé Roberto) não sentiram nem um pouquinho de raiva contra seus companheiros mais famosos?
O que fica de tudo isto é que todos somos iguais, pois somos humanos e que ninguém é perfeito a ponto de ser execrado por deixar que sentimentos naturais, considerados como os 7 pecados capitais, atrapalhem nossa conduta, nem os jogadores e nem a torcida que protesta.
Futebol é emoção!
“olha lá quem acha que perder é ser menos na vida, olha lá que smepre quer vitória e perde a glória de chorar e eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar, pra não faltar amor” Marcelo Camelo
Quinta-feira, Junho 29, 2006
escolhido "nosso" padrão digital
Depois de investir R$50 milhões na formação de “22 consórcios de universidades brasileiras, envolvendo 1.500 pesquisadores”(fonte:frente nacional por um sistema democrático de rádio e tv digital), o presidente Lula está aprovando a escolha do sistema defendido pelo ministro das Comunicações Hélio Costa e que deve manter a concentração dos meios de comunicação de massa, favorecendo predominantemente a maior emissora do país, a rede Globo. Aliás, o ministro Hélio Costa é ex-repórter desta emissora,diga-se de passagem.
Em primeiro lugar, quer dizer que os R$50 milhões investidos no Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), foram postos no ralo, sem falar na falta de ética para com os pesquisadores envolvidos e que no fim não foram ouvidos.
Em segundo, mas não menos importante, a decisão da escolha do sistema japonês(ISDB), proposta pelas organizações globo, vai contra as discussões que envolviam a sociedade civil, aonde se pediam que a aplicação da tv digital viesse juntamente com uma regulamentação das emissoras que possibilita-se uma quebra no ‘monopólio’ da televisão e que cria-se uma maior regulamentação e democratização dos meios de comunicação de massa.
“A elaboração de uma nova legislação deve preceder a introdução da tv digital afim de evitar a elaboração de fatos consumados que terminem beneficiando o poder econômico”(fonte:informativo intervozes maio 2006. pg.03)
Enquanto a sociedade, através de coletivos de comunicação ,em especial a Frente Nacional por um Sistema Democrático(FNDC) de Rádio e TV Digital, realizou debates e audiências públicas, o governo manteve, a porta fechada, uma decisão autoritária que beneficia interesses particulares e não públicos.
“O elemento central dessa disputa é o espectro eletromagnético por onde trafegam os sinais do rádio e da televisão.Trata-se de um bem público limitado, mas que no Brasil é tratado como propriedade daqueles que, na realidade, são meros concessionários”(fonte: informativo intervozes pg.04).
Esse espectro ou também chamado “canal” é uma faixa aonde da maneira atual, analógica, cabe apenas uma programação, uma emissora. Com a introdução do sistema digital é possível que nesse mesmo espaço caibam até oito programações, o que faria com que novas emissoras surgissem e fizessem concorrência com os canais atuais. Poderia-se utilizar este espaço para canais públicos que divulgassem conteúdo local. No entanto, a rede globo, se colocou contra a implementação do sistema brasileiro, só aceitando casoa emissora que hoje possui este espaço como concessão de passar uma grade de programação, não divida com outras 7 programações de outras empresas, mas sim continue utilizando o mesmo espaço e que ela sim utilize as 7 programações que abrem em proveito próprio, ou seja, teríamos 8 canais de uma mesma emissora.
Segunda-feira, Junho 26, 2006
parte 1- globo, time life e a ditadura militar
em homenagem ao grande professor daniel herz, falecido em 30 de maio deste ano publico aqui trechos do capítul oteórico de minha monografia, apresentada em dezembro do ano passado, a qual utilizei e muito como fundamentação teórica o livro do autor "a história secreta da rede globo".
ao longo da semana estarei publicando em partes aqui no blog
parte 1 -A globo, time life e a ditadura militar
A televisão hoje é o meio de comunicação que mais tem alcance, já que os jornais impressos requerem o pagamento dos mesmos para ter acesso às informações, enquanto a televisão ao se comprar o aparelho se tem para o resto da vida (a não ser que o aparelho estrague), informações em imagens e em tempo instantâneo, ao contrário do que acontece com os jornais impressos que registram o que aconteceu no dia anterior e não conseguem transmitir a realidade com detalhes visuais que são fundamentais para o sujeito participar do fato, como se este se transpusesse para dentro da tela da TV.
A televisão surge no Brasil em 1950, quando vai ao ar , ao vivo, a TV Tupi, de Assis Chateaubriand, a primeira emissora de TV da América Latina. Mas é só na década de 70 com a TV Globo, que ela se torna o maior meio de comunicação de massa, até então exercido pela rádio, colocando o projeto de integração nacional dos militares em prática. O governo militar estabelecia uma política cultural ligada a sua lógica de segurança nacional, ou seja, ter controle sobre o povo. Para isto era preciso um canal oficial. A escolhida foi a Globo.
"Analisando estes antecedentes, o papel histórico que vem sendo cumprido por essa que é a maior empresa de comunicação do hemisfério sul, podemos começar a entender o verdadeiro conteúdo de certa entonação de voz do locutor Cid Moreira no Jornal Nacional, o valor real das inúmeras homenagens que o ‘d.r’ Roberto está continuamente recebendo, a intenção disfarçada na escolha de uma notícia, o sentido ideológico do comportamento de determinado personagem de uma novela, a significação, enfim, do modo que a Globo quer que seu público perceba a realidade" [1]
O Jornal Nacional, o primeiro telejornal transmitido nacionalmente, se caracteriza como o principal programa jornalístico da emissora recém formada, constituindo um forte espaço para a propaganda oficial do governo militar. Estréia no dia 1° de setembro de 1969, como o próprio apresentador Hilton Gomes disse na primeira frase do JN : “ O Jornal Nacional da Rede Globo, um serviço de notícias integrando o Brasil Novo, inaugura-se neste momento: imagem e som de todo o Brasil” .
A manchete já explicava a ligação da Globo com o regime, na verdade com o poder, como veremos adiante. Falava sobre o estado de saúde do presidente Costa e Silva, com uma declaração do então ministro da fazenda, Delfim Netto. (Cf. Memória Globo. Jornal Nacional: a notícia faz história, p.24.)
Em 1961 a Globo firma um contrato principal e um de acordo de assistência técnica com o grupo estadunidense Time-Life. A rede globo ficaria responsável pela compra e instalação dos equipamentos, que foram comprados com uma taxa de dólar 1/3 mais baixa que o valor de mercado em vigor, enquanto isto a Time-Life daria a assessoria técnica.
Pelo contrato principal a Time-Life obtém 30% dos lucros líquidos da TV Globo, ou seja, um ato ilegal, já que não podia haver participação estrangeira nos lucros de empresas brasileiras de comunicação. Enquanto isto no contrato de assistência técnica colocava-se na ‘obrigação’ de dar assistência na elaboração do conteúdo da programação e noticiários, mais um prática proibida. Como disse Daniel Herz( 1987, p. 115): “A time não assiste tecnicamente a Tv Globo, mas de fato administra e gere todo seu patrimônio.” Ambos violaram o código brasileiro de telecomunicações da época ao não relatar o acordo para Conselho Nacional de telecomunicações(CONTEL).
Apenas dois anos após a assinatura destes contratos é que a Globo enviou um dos contratos- o de assistência técnica- para a Superintendência da Moeda e do Crédito(SUMOC), hoje com o nome de Banco Central. Mesmo assim os documentos não puderam ser lidos pois continham muitas rasuras. O contrato sem rasuras só viria ser entregue, por ordem do CONTEL(Conselho Nacional de Telecomunicações) em julho de 1965.
Novamente para burlar as leis, já com o escândalo instaurado, trocaram o contrato principal por um contrato de arrendamento de um terreno onde se localizava a Globo. No contrato a Globo seria locatária do prédio vendido a Time Life. O problema é que o contrato foi feito antes mesmo da venda à Time–Life, isto é, alugou um prédio que era seu. Em troca do uso a Globo se compromete a pagar 45% do lucro líquido da empresa pelo aluguel. Somando aos 5% do lucro liquido, destinado a assessoria técnica, o grupo estadunidense Time-life detinha 50% da TV Globo, se tornando, uma empresa estrangeira, sócia majoritária de um meio de comunicação brasileiro com concessão governamental. Em 12 de fevereiro de 1966, somem, inexplicavelmente, as escrituras do arrendamento.
O CONTEL passa o ano de 1965 solicitando os documentos a TV Globo, que não os entrega. É então pedido a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), para investigar. Empresários de comunicação lançam o “Manifesto à Nação” denunciando os atos da Globo e transformando o caso em um escândalo público. Pressionada a Globo finalmente envia os documentos ao CONTEL em 21 de fevereiro de 66.
A Comissão Parlamentar de Inquérito é instaurada em 30 de março de 1966, recebendo notória oposição dos militares.
"O governo implantado em 1964 tratava de contornar as resistências que surgiam, inclusive na área militar, mas manobrava para garantir a implantação da Tv Globo, que seria instrumento fundamental na política de internacionalização da economia através da criação de um mercado nacional de produtos industriais sofisticados." ( Daniel Herz, 1987, p. 169)
As ligações com Roberto Campos, ministro do planejamento do governo militar de Castelo Branco são comprovadas, pois a assinatura do contrato da globo com a Time-Life foi feito quando Roberto Campos era embaixador em Washington e quem ajudou na elaboração dos contratos foi o advogado Luiz Gonzaga do Nascimento Silva, que trabalhava na equipe de Roberto Campos e veio a ser um dos grandes colaboradores da ditadura militar, sendo ministro do trabalho no governo Castelo Branco(64-67) e da previdência Social no governo Geisel(74-79).
Em 26 de abril de 1966 o CONTEL mesmo admitindo as irregularidades, dá noventa dias para a TV Globo, “ajustar”, os contratos e constitui uma comissão para elaborar um anteprojeto que tornaria legal a participação de empresas estrangeiras nos meios de comunicação do Brasil.
Em 22 de agosto de 1966, a CPI condena, por unanimidade, a Globo: “ Os contratos firmados entre TV Globo e Time-Life ferem o artigo 160 da constituição, porque uma empresa estrangeira não pode participar da orientação intelectual e administrativa de sociedade concessionária de canal de televisão; por isso, sugere-se ao Poder executivo aplicar à empresa faltosa a punição legal pela infrigência daquele dispositivo constitucional;...” [2]
O presidente Castelo Branco, pede novas investigações e passa para seu sucessor , o Marechal Artur Costa e Silva a decisão. Este, “legaliza”, a TV Globo, em 23 de setembro de 1968, indo contra a investigação da CPI.
Em 1969 a Time-Life desiste do contrato pois não estava dando o lucro esperado. Mal sabiam eles que a Globo se tornaria a maior emissora da América Latina.
Os militares não somente absolveram a Globo, como ajudaram, através da Embratel, abrindo linhas de crédito para a compra de televisores e inaugurando o Tronco Sul, que integrava Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo com os estúdios da Globo no Rio. “O resultado foi um país unificado na tela da televisão”. (Leandro Narloch, revista super interessante edição 214 junho de 2005, p. 51)
O slogan era “a notícia unindo seis milhões de brasileiros”.
Uma frase do general-presidente Garrastazu Médici talvez sintetize a relação entre a Globo e o regime militar: “Sinto-me feliz todas as noites quando assisto o noticiário. Porque, no noticiário da Globo, o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz”.
A partir de 1973 o Jornal Nacional passou a ser exibido à cores, para satisfação dos militares que viam nisto um sinal de modernidade importante de ser propagandeado para os brasileiros. A primeiro programa assim foi em 19 de julho do referido ano, quando se cobriu o funeral do senador Filinto Muller[3]
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[1] Daniel Herz, A história secreta da rede Globo, p.15.
[2] Parecer do relator Djalma Marinho apud Daniel Herz,1987, p.183-184
[3] Filinto Muller foi chefe da policia de Getúlio Vargas, responsável pela “caça” aos comunistas,como Olga Benário e Luis Carlos Prestes, se aproximou da gestapo(polícia nazista), foi acusado de tortura e posteriormente fundou o PSD(Partido Social Democrático) e durante a ditadura participou da Arena(Aliança Renovadora Nacional), partido de apoio ao governo militar.
Quinta-feira, Junho 22, 2006
eu só quis dizer....
pois então...eis que sou síndico
alô alô fuc o brasil
resolvendo os problemas de zezé camargo: chuva no telhado.
síndico: indivíduo escolhido para zelar ou defender os interesses de uma classe ou associação, procurador de uma comunidade.
síndicar: inquirir, avriguar,tomar informações.
mas a melhor explicação é do wikipedia: O Síndico é aquele que faz tudo aquilo que todos deveriam fazer pelo Condomínio, e não o fazem por falta de tempo ou disponibilidade, comodismo ou omissão.
tirando a vizinha mala, que creio todos condomínios tem, tá tudo certo. acho que são as próprias imobiliárias que "plantam" os vizinhos chatos com o intuito de perturbar o ambiente e assim precisarmos de uma entidade para nos organizarmos.
por falar em entidade, espírito e afins, a culpa da seleção estar jogando mal só pode ser do malvado do alexandre. claro, os jogos passam bem no horário da novela viagem, o que tira atenção do telespectador de suas malvadezas. que bobão.
ou a culpa pode ser do parreira também. outro bobão? nunca tinha visto isto. não, não um bobão, muito pelo contrário, até por vezes me sinto um. nunca tinha visto uma seleção que não treina. incrível. o metódo de aprendizagem deve ser por osmose. a seleção tem dificuldades para vencer a australia(que só ganha das ilhas salomão) e daí no resto da semana, até hoje, no dia do jogo contra o japão, o que a seleção fez? primeiro muitas entrevistas. todo dia tem uma matéria no jornal nacional sobre algum jogador, afinal de contas em época de copa os problemas sociais do brasil simplemente somem. além das entrevistas eles tem as folgas para conhecer as cidades alemãs aonde se hospedam e que nem sabem dizer o nome. mas tb que importa. ronaldinho gaucho ganha mais de 100 mil reais, por dia. é. por dia. grande parte do tempo passam na função de "acadimia", vendo outros jogos da copa, rangando ou jogando videogame. sem falar nas 8 horas de sono. quando vão a campo ficam correndo, alongando, fazendo roda de bobinho, 3 times de 7 jogadores em meio campo, um rachão onde ninguém tem posição, enfim tudo menos treinar os 11 titulares contra os 11 reservas. vai enteder...
e o jornal o bobo hein? parece que acabou antes mesmo de começar. mais um daqueles projetos ideológicos subversivos que comprovam que a prática é o critério da verdade.
no sábado passado, dia 17 de junho, faleceu o humorista claudio besserman vianna, o bussunda, humorista do casseta e planeta.que merda. não desejo a morte de ninguém ,mas poxa tanta gente aí, tipo malufs, acms e sarneys e quem vai é um cara que tb fazia palhaçada mas não roubava ninguém. porra, fala sério aí...quem vai imitar o ronaldo agora? e o lula? e o seringueiro que passa o dia na floresta tirando leito do pau?e o wilson montanha? e a baleíssima? e o marrentinho?
agora vou lá, este post não tem nada de muito nteressante, mas..eu só quis dizer....
Quarta-feira, Junho 14, 2006
monopólio da mídia no rs
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A segunda questão diz respeito ao monopólio na área da comunicação. Ao ser questionado sobre "as críticas ao fato de a RBS ter muitos meios de comunicação, uma concentração..", Sirotsky afirma: "São críticas decorrentes mais de uma ideologia do que uma realidade. A RBS não tem uma posição de monopólio, temos concorrentes em todos os mercados que atuamos. O que nós temos é uma liderança. (...) Essas discussões sobre concentração, monopólio são discursos acadêmicos, ultrapassados".A primeira parte desta afirmação, por si só, já daria um tratado. Nem Nelson, nem a RBS, sentem-se vinculados à uma ideologia!!! Ele, Diretor-Presidente de uma empresa, Presidente da ANJ - associação nacional que reúne o patronato da mídia, parece viver num mundo em que só há ingênuos, para se dar ao desplante de dizer tamanho disparate. Mas não entraremos nesta análise e vamos nos ater, exclusivamente, sobre a questão do monopólio.No box intitulado RBS em números que acompanha a matéria, pág. 5, apuramos o seguinte:
- 26 emissoras de rádio
- 18 emissoras de TV aberta
- 2 emissoras de TV comunitária
- 6 jornais diários
- Net Sul, sócia da plataforma nacional de televisão por assinatura
- Empresa de logística viaLOG
- Gravadora Orbeat Music
- Editora RBS Publicações
- Portal de serviços "hagah"
- Portal de notícias "clicrbs"- 4,7 mil colaboradores em seis estados brasileiros, sendo 855 jornalistas
Estendendo esta pesquisa ao portal da RBS (www.rbs.com.br), ainda encontramos:
- Central Multimídia RBS Rural
- RBS eventos
- DIREKT, empresa de marketing
- Fundação Mauricio Sirotsky Sobrinho
- RBS Participações S/A, holding do Grupo RBS
A permanecer no mundo dos ingênuos, imaginado por Nelson Sirotsky, reza a lenda que a legislação brasileira sobre a Comunicação Social diz o seguinte:
- O Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967 (ainda do período militar) "estabelece que nenhuma empresa, ou pessoa, pode ter a propriedade de mais de dez emissoras de televisão em todo o território, e duas por Estado, sendo cinco em VHF (canais de 1 a 13) e cinco em UHF (do canal 13 para cima)"²
- No § 5º do Artigo 220 da Constituição Federal, Capítulo V da Comunicação Social, está escrito: "Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio".²
Confrontando-se o que diz a lei e os números que a RBS apresenta, pode-se afirmar, com segurança, que estamos diante de um monopólio de comunicação, que possui três características distintas de concentração de propriedade da mídia a saber²:
- concentração horizontal: controla a televisão aberta e paga. As opções são quase inexistentes, uma vez que os mesmos proprietários controlam estas duas modalidades de comunicação.
- propriedade cruzada: é a ampliação do monopólio do setor através da posse de outros meios, como jornais, revistas, editoras, gravadoras, provedores de Internet, além de atuar no ramo do agro-negócio e setor financeiro.
- monopólio em cruz: é a reprodução, em nível regional, do oligopólio de propriedade cruzada, ou seja, nas cidades mais importantes abrem ou compram jornais e instalam repetidoras de rádio e televisão.
A bem da verdade, deve-se dizer que Nelson Sirotsky não deixa de ter razão, ao pensar que vive no mundo da fantasia, porque, quando se trata de cumprir a lei, no que diz respeito à comunicação social no Brasil, a Constituição, sobre este aspecto, é uma peça de ficção. Assim, o que é claramente um monopólio de comunicação, num passe de mágica, transforma-se em "liderança no setor". E toda a vez que alguém resolve discutir publicamente o modelo de mídia que temos neste país; o papel que ela desempenha na construção da realidade e da subjetividade; suas relações espúrias com o poder econômico; a sua parcialidade travestida de isenção, é acusado de fazer um "discurso acadêmico ultrapassado". Nelson Sirotsky e todos os demais patrões da mídia adotam a estratégia de atacar com a desqualificação do discurso aos que tentam esclarecer a população sobre a democratização da comunicação e normatização da mídia que, na sua quase totalidade, opera ilegalmente. A investida contra o mundo acadêmico, feita por Sirotsky, tem a explicação no fato de que é daí que partem a maioria das críticas em relação a RBS. Pedrinho Guareschi e Osvaldo Biz, ambos professores da PUCRS, editaram quatro livros desde 2002, denunciando esse monopólio midiático, sendo que um deles - Diário Gaúcho: que discurso, que responsabilidade social - analisa, diretamente, um de seus jornais. Além disso, demonstraram, através de pesquisa, que 64% das televisões comerciais do RS são da RBS (monopólio ou liderança???). Por outro lado, a RBS se apropria da expressão "responsabilidade social" e a incorpora ao seu guia de ética, expressão esta que já era utilizada freqüentemente pelos seus maiores críticos.Além da estratégia da desqualificação das críticas, o patronato da mídia usa táticas ainda mais insidiosas ao levantar os fantasmas da censura e do autoritarismo, quando se busca regular o seu funcionamento. Um bom exemplo disso foi a investida feroz das empresas de comunicação contra a implantação do Conselho Federal de Jornalismo.
Segunda-feira, Junho 05, 2006
tropicália ou panis et circenses
Retoquemos nossos ouvidos e bebamos os doces acordes até ficarmos feito fim de festa. Fim.
clique aqui. abrirá a página do rapid share. cliqueno botão "free" a direita. outra pa´gina abrirá e começara uma contagem´regresiva. apóso fim da contagem aparecerá um mcapo em branco com um código para digitar. digite e clique em donwload.
Quarta-feira, Maio 24, 2006
"ensaio" de dorival caymmi em mp3

E o pobre falou de amores
Um dos mais brilhantes compositores da música brasileira em um registro de áudio histórico. Dorival Caymmi no famoso programa “Ensaio”, hoje exibido na tv Cultura.
Neste ensaio gravado em 20 de junho de 1970, o cantor, então com 56 anos canta todos seu grandes sucessos e dá depoimentos sobre importantes momentos de sua vida.
Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos, e embora sua produção seja considerada pequena para tantos anos de “trabalho”, pois foram pouco mais de 80 canções, o número de obras-primas compensa. Tanto que é considerado um dos compositores que mais tem versões de músicas gravadas por outros intérpretes.
A música de abertura do ensaio é uma bela cantiga de amor pouco conhecida, “Dona Chica (Francisca Santos Das Flores)”. Caymmi canta: “...e o pobre falou de amores/ botou de lado seus temores...”, e assim resume todo aspecto poético de sua obra.
Neste ensaio, o baiano com sua voz grave e melódica e um violão tocado com maestria, passeia por belas paisagens e ritmos.
A praia, o mar , o pescador e Iemanjá. Assim é no “pout-pourri” da faixa 2, que começa com “Itapuã”. Nesta canção ele canta o folclore do povo d’água: “... tem no seu dorso/ sentada iá-iá/ a moça bonita /de cabelo verde /metade gente/ metade de peixe”. Em “A Jangada Voltou Só” , em tom de dor, a morte do pescador Chico, a desgraça e a simples e fantástica ingenuidade da caracterização da perda : “...e agora que não tem Chico que graça que pode ter?” e emenda cantando o refrão de “É Doce Morrer No Mar”, uma das mais famosas canções do músico. Uma homenagem pra Iemanjá, a rainha do mar na Umbanda com “Dois De Fevereiro”: “dia 02 de fevereiro/ dia de festa no mar/ eu quero ser o primeiro/ pra salvar iemanjá... escrevi um bilhete a ela pedindo pra ela me ajudar/ ela então me prometeu que eu tivesse paciência de esperar/ o presente que eu mandei pra ela é de cravos e rosas...”. Segue com “Promessa De Pescador”, uma de suas primeiras obras-primas. Gravada em 1939, pela Odeon, foi o primeiro grande sucesso do primeiro compacto de Dorival como cantor e violonista. Antes disto, Caymmi trabalhou como jornalista em Salvador até começar a cantar na Rádio Clube da Bahia, onde o radialista Gilberto Martins o lançou com o programa “Caymmi e suas canções praieiras”. Como compositor ganhou um concurso de músicas de carnaval em 1936 . Em 1938 foi para o Rio de Janeiro pensando em seguir a careira de Direito. Por obra do acaso, teve sua música "O Que É Que a Baiana Tem?" incluída no filme "Banana da Terra", estrelado por Carmen Miranda, após a canção “Na baixa do Sapateiro” de Ary Barroso ter sido excluída da trilha sonora, por problemas no acordo financeiro entre Ary e a produção do filme. A música impulsionou a carreira de Carmen para o estrelato. Em setembro de 1939, Carmen Miranda, após forte insistência, convence Caymmi a gravar e o que temos é mais uma música belíssima.
O “puta-pórri” acaba com “Saudade de Itapuã (coqueiro de Itapuã)” e uma bela declaração de amizade a Zézinho. Quando eram crianças, Zézinho tocava cavaquinho e Caymmi o violão de seu pai.
A faixa 3 e a 4, “Canção da Noiva” e “Canção da partida”, foram extraídas do ballet “História de pescadores”. São talvez as principais canções da peça musical feita a base de canto de percussão. A primeira, como diz Caymmi: “ é o momento em que a mulher está.. assim.... incerta do destino de seu amado depois de um temporal”. A segunda é momento anterior, da partida dos pescadores na aurora de um novo dia. Mais cantigas para os mortos.
Na faixa 5 mais um “pout-porri” dessa vez para cantar sua Bahia com músicas que se tornaram retratos da cultura brasileira: “Acontece que eu sou baiano”, “A Vizinha Do Lado”, “O Que É Que A Baiana Tem?”, “365 Igrejas”, “Vatapá”, “Adalgisa”, “Rosa Morena”, “Você Já Foi À Bahia?”, “O Samba Da Minha Terra”. Neste ponto, para acompanhar o samba raiz, entra a banda de apoio de Caymmi. Luiz Mello no piano, Cláudio no baixo e Guilherme na bateria. Caymmi põe para dançar : “quem não gosta do samba/ bom sujeito não é/ é ruim da cabeça/ ou doente do pé”.
Acompanhado da banda ,completa o ensaio mais depoimentos e as músicas “Sábado Em Copacabana”, “Não Tem Solução”, “Das Rosas”, “Nunca Mais”, e destaque para “Marina” e “Só louco”.
Um pouco, muito valioso, do cantor, músico e compositor Dorival Caymmi, e da história da música popular brasileira.
baixe mp3
dorival caymmi- áudio programa ensaio 20/06/1970
f.u.c
Segunda-feira, Maio 15, 2006
convocada a seleção de trinidad e tobago
Kelvin Jack (Dundee)
Shaka Hislop (West Ham)
Clayton Ince (Coventry City)
Defensores:
Dennis Lawrence (Wrexham)
Cyd Gray (San Juan Jabloteh)
Marvin Andrews (Rangers)
Brent Sancho (Gillingham)
Ian Cox (Gillingham)
Atiba Charles (W Connection)
Avery John (New England Revolution)
Meias:
Silvio Spann (sem clube)
Chris Birchall (Port Vale)
Aurtis Whitley (San Juan Jabloteh)
Anthony Wolfe (San Juan Jabloteh)
Densill Theobald (Falkirk)
Carlos Edwards (Luton)
Russell Latapy (Falkirk)
Atacantes:
Stern John (Coventry)
Kenwyne Jones (Southampton)
Collin Samuel (Dundee United)
Jason Scotland (St Johnstone)
Dwight Yorke (Sydney FC)
Cornell Glen (LA Galaxy)
Quarta-feira, Maio 10, 2006
Bolívia

A vitória de Evo Morales na Bolívia foi também a vitória do movimento popular de massa que derrubou os dois presidentes anteriores: Lozada em 2003 e Mesa em 2005. Entre as exigências do povo estava a nacionalização do gás e do petróleo.
A grande mídia brasileira vem misturando diversos conceitos: nacionalismo, populismo,etc...sempre com o intuito de depreciar o governo boliviano. Interessante que fala que o nacionalismo de Evo está separando a América do Sul, quando na verdade o fato de não aceitar a soberania boliviana de decidir seu presente e futuro, e colocar nossos interesses em primeiro lugar significa um ato ultra-nacionalista que não leva em conta a integração Sul-americana de formar um bloco sem desigualdades profundas entre os países membros do continente. Não vou entrar na discussão, pelo menos agora, se é um ato populista ou não. Até porque de uma maneira ou outra foi uma grande vitória para o povo boliviano que reivindicava este direito, votou no candidato que prometeu faze-lo e agora cumpriu. Isso por si só já seria motivo suficiente para aplaudir o presidente boliviano, já que sempre nos queixamos da demagogia de grande parte dos últimos candidatos brasileiros a presidência que prometeram mil e uma coisas e quando chegaram no governo não cumpriram metade. Não foi uma medida autoritária do presidente Evo Morales. A nacionalização é um anseio da grande maioria da população boliviana e tem respaldo da grande mobilização popular que elegeu Evo Morales.
Juan Evo Morales Ayma, antes de ser presidente, era um grande líder do movimento cocalero, que é formado por trabalhadores rurais que tem por tradição milenar o cultivo da folha de coca, que é muito utilizada (mascada) pelos bolivianos para aumentar os glóbulos vermelhos no sangue e facilitar a respiração na altitude. Evo foi um militante assíduo na luta de resistência contra o projeto proposto pelos Estados Unidos de substituir o cultivo de coca por bananas originárias do Brasil, o que aumentaria significativamente os custos dos trabalhadores rurais que são em sua grande maioria pobres e não participam do processo de transformação da coca em cocaína. Morales pertence ao MAS (Movimiento ao Socialismo), também denominado de “Instrumento Político pela Soberania dos Povos”. Ele é o primeiro ameríndio eleito presidente da república na Bolívia. O termo ameríndio é usado para substituir a palavra “índigena”, considerada por alguns povos sul americanos como pejorativa já que leva em conta um nome dado após a colonização européia.Com 54% dos votos, eleito em primeiro turno, assumiu o poder em 22 de janeiro de 2006.
Na sua posse condenou a dívida externa do país, pediu paz na relação de diferença com o Chile em relação ao acesso da Bolívia ao mar e avisou que as terras improdutivas serão transferidas para os mais pobres. Segundo dados bolivianos, cerca de 5.500 posseiros exploram terras ilegalmente somente na região da fronteira entre Brasil e Bolívia. Aliás esta Reforma Agrária que ainda está no papel, mas deve sair, já começa a virar pauta da grande mídia brasileira. È o tema de capa da Zero Hora de domingo dia 07 de maio de 2006. Na reportagem de Marcello Fleury ele entrevista 5 latifundiários brasileiros (3 gaúchos e 2 paranaenses), que possuem 6 mil hectares de plantação de soja. Um deles, Antônio (nome fictício já que o repórter não os identificou), expõe seu preconceito: “...não podemos ser expulsos por um colla...”. Colla é um termo pejorativo usado para falar sobre os ameríndios. E completa: “E se esse homem inventa de distribuir terra para os índios?”. Os brasileiros possuem mais terras destinadas à soja que os bolivianos (35% contra 30%).O presidente Evo Morales decretou no dia 1° de maio, dia internacional do trabalhador, a nacionalização das reservas de petróleo e gás da Bolívia.
O decreto de nacionalização foi decisão de um referendo em julho de 2004, onde população decidiu que o Estado deveria recuperar a propriedade de suas reservas naturais. Na década de 90, as reservas foram privatizadas pelo então presidente Hugo Banzer, ex-ditador militar . Com esse decreto o “Estado recupera a propriedade, a posse e o controle total e absoluto desses recursos". Antes, a empresas estrangeiras tinham direito a 82% da arrecadação e o Estado Boliviano a apenas 18%. O decreto inverte estas porcentagens. Todas empresas que operam na Bolívia são obrigadas entregar todas suas propriedades para a estatal YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos). Ao contrário do que dá a entender as notícias na mídia brasileira, a Petrobrás não foi “sacaneada”, não foi uma medida diretamente contra os interesses brasileiros, como se a Bolívia fosse a vilã e a Petrobrás a injustiçada. Foi sim uma medida a favor dos legítimos interesses bolivianos e não só a Petrobrás foi afetada pelo decreto, mas todas empresas estrangeiras que operam na Bolívia. Além da Petrobrás, operam: Repsol ypf (Espanha), Canadian Energy (Canadá), Total (França), British Gás e british Petroleum (Reino Unido) e Dong Wong (Coréia). A YPFB será responsável pela comercialização do produto, "definindo condições, volume e preços, tanto no mercado interno como para exportação". O governo boliviano deu 180 dias para que as empresas adaptem-se às novas medidas.

Creio que o governo agiu certo ao reconhecer a soberania da Bolívia e o direito de recuperar o controle da exploração de seus recursos naturais. Quanto à oposição, já era esperado que PSDB e PFL se colocassem contra, pois são de outro campo político que prega o livre mercado e a entrega de setores públicos estratégicos para o capital internacional. Assim foram as privatizações do governo Fernando Henrique, o contrário do que está fazendo agora Evo Morales. O que não consegui entender foram as declarações de Heloísa helena, pré-candidata a presidência da república pelo PSOL. Ao dizer que o governo deveria ser mais duro com a Bolívia e ver seus interesses, contradisse todo seu discurso de socialista e de briga para o Brasil ser um país soberano. Parece um discurso de ataque pelo ataque, para enfraquecer o governo na luta eleitoral, o que diminui a possibilidade de aceitarmos o partido não como oposição mas sim como alternativa. E sinceramente cada vez mais me convenço de que a alternativa não está em nenhum partido, mas isto também é tema para outra reflexão futura.
Na grande mídia uma tempestade de baboseiras. Diego Casagrande chamando de “golpe”, Túlio Millman propondo invadir a Bolívia, William Wack dizendo que o fato de Evo querer rever sua soberania é “rancor”.
Os tele-jornais fazem reportagens na fronteira, onde está a maioria dos brasileiros, assim mostram as manifestações contrárias, mas não mostram o resto do país, sobretudo a capital e as grandes manifestações de apoio que o governo boliviano está recebendo da população.
É preciso ter muita atenção ao discurso da grande mídia e tentar entender os verdadeiros motivos da nacionalização e as positivas conseqüências que isto possa ter para os mais pobres. Seja populismo ou não.
Sexta-feira, Maio 05, 2006
DESEMPREGO
De acordo com dados da FGTAS (Fundação Gaúcha de Trabalho e Assistência Social) somente na região metropolitana a taxa de desemprego está em 14%. E não vamos nem falar nas péssimas condições que grande parte da massa trabalhadora está sujeita, com salários abaixo do merecido e sujeitos as relações de opressão (patrão manda empregado não discute). Nem tampouco vamos levantar, por enquanto, a questão da discriminação com a mulher no mercado de trabalho.
Para centrar na questão do desemprego, outro dado importante fornecido pela FGTAS é de que o trabalhador que procura o SINE (Sistema Nacional de Emprego), um programa federal com objetivo de integração no mercado de trabalho, leva em média 38 semanas para conseguir um emprego.
O mais cruel da história é que, no caso dos trabalhadores que procuram o SINE, menos da metade das vagas oferecidas são preenchidas. O principal argumento (ou desculpa?) é de que as pessoas não têm qualificação. E esta qualificação não é no sentido de não saber o que é aquele serviço mas sim em ter a falta da experiência prática na área. Mas se eu não consigo emprego por não ter experiência, como vou ter experiência se não consigo um emprego?
Sinceramente não sei, se soubesse não estava desempregado, mas podemos apontar algumas saídas possíveis.
Evandro Behr, diretor da FGTAS, explica que o empresário sempre vai visar o lucro, ou seja, ganhar mais do que investe. Mesmo que entendamos que é errado o lucro em detrimento das pessoas, é compreensível/não concordável que no sistema capitalista-selvagem o empresário busque o lucro. O empresário não irá gerar mais empregos se ele não receber algo em troca. Quem tem a orbigação são os governos federais, estaduais e municipais. Preste atenção, principalmente neste ano de eleições, que TODOS políticos prometem empregos. Quase sempre não cumprem o número que prometem.
No caso da falta de experiência quem mais sofre são os jovens. Para estes, o governo federal executa um programa através do SINE, chamado Primeiro Emprego. O governo dá incentivos para as empresas que empregam jovens sem experiência. No entanto, Evandro Behr disse que o SINE/FGTAS até abril estava sem condições de realizar o programa, pois o governo não havia liberado a cota deste ano. Sem esses recursos as empresas não entram no programa e assim não há vagas de emprego. O governo não havia liberado a cota porque não tinha aprovado o Orçamento. A demora deveu-se ao fato dos partidos estarem brigando entre si pelo poder, afinal é ano de eleição e boicotar o outro partido é fundamental, na visão deles. Após muito conchavo político, liberação de verba para obras locais da oposição o governo aprovou o orçamento.
De qualquer forma esse programa é (deveria ser) uma medida emergencial. Ataca as conseqüências e não as causas. A questão é estrutural. O que precisa é uma política de geração de emprego séria, com mais recursos para o Fundo de Amparo ao Trabalhador, mais postos de trabalho em serviços públicos básicos como transporte, saúde, segurança e educação, por exemplo, melhorias no ensino fundamental e cursos técnicos no ensino médio, além de dar incentivos as empresas -porém cobrando que estas com esse dinheiro empreguem e dêem bons salários para seus funcionários. Caso contrário a única saída será o emprego informal.
É claro que estas são algumas sugestões e você o que sugere?
Sexta-feira, Março 10, 2006
a volta do senhor f
Voltei pra casa.
As coisas continuam como sempre parecem estar pra sempre.
A disputa pelo poder, o sistema e todas suas falhas- inclusive as partidárias.
A globo atacando o MST.
Parece que tudo se repete, repete, repete...
As mesmas relações de opressão.
Dê um chute no seu patrão!
A revolução de nossa gerãção será(é) a espiritual.
Vivemos presos num mundo de ilusões.
Só o que nos resta é conhecer nossa verdadeira natureza.
Despertar para o caminho sem volta.
Queira!
Ouça o coração!
Amor!Amor!Amor!
f.u.c
mutante, antes de tudo e sempre.
Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
I) Internacional
- O melhor do 1° Acampamento Bi-Nacional Brasil- Uruguay: cerveza Patricia 1L por R$3,50
- Caso Jean. A comissão independente, que investigou o caso do assinato do brasileiro confundido com terrorista, declarou que a Scotland Yard falsificou provas no seu inquérito. A Scotland Yard absolveu os policias envolvidos. Jean morreu
- Um brasileiro, Felipe Barbosa, 22 anos, naturalizado e integrante do exército estaduninse no Iraque, foi morto em Faluja. Desde a invasão já são mais 30 mil civis iraquianos mortos. (www.iraqbodycount.org)
II) Cidades
- Viamão. Sexta tem novo protesto dos moradores contra o abuso da cobrança do pedágio da RS 040. Na última manifestação a truculenta tropa de choque da Brigada Militar do José otávio Germano agiu de novo. O Jonrnal Nacional disse que era "a polícia do governo FEDERAL".
III) Política
- Por falar em governos e mídia...Rigotto não sai das manchetes dos grandes jornais gaúchos. Ora inaugurando obras, ora sendo "aclamado" pela militância. A gestão do governador É uma das piores de todos tempos. Rigotto não faz nada, os problemas continuam e a mídia não fala nada. Lembram como falavam da insegurança na cidade e no estado antes de Rigotto e Fogaça? Para os jornais a violência acabou. Quando o governo faz algo ruim também não sai nos jornais. Somente quando este algo é para os empresários. Quando o governo faz algo bom sai nos jornais. Porém, sai de forma personalizada, com o Esgoto, digo Rigotto, aparecendo como o grande político que faz. Como disse o camarada Licurgo, se fosse o Lula a imprensa estava acusando de se aproveitar de atividades públicas para fazer campanha eleitoral.
Na verdade ninugém acredita que Rigotto vai concorrer a presidência. É óbvio que isto tudo é jogo para ele concorrer a reeleição ao governo do estado. Enquanto isto as manchetes esquecem que ele ainda está no governo e a pauta é sempre na andaças do político em busca de votos para a disputa com Antony Garotinho.
- E o Fogaça então? Onde Está? O que está fazendo? O que NÃO está fazendo?
- Por falar em campanha, Olivio também começou a sua, ao discursar na abertura do 1° Acampamento Bi-Nacional. Lamentável.
IV) Cultura
- Como continuo desempregado, vem bem a calhar
Não há vagas
o preço do feijão não cabe no poema
o preço do arroz não cabe no poema
não cabem no poema
o gás a luz o telefone
a sonegação
do leite da carne do açucar do pão
Ferreira Gullar
- MP3. Anti Copyright
baixe a discografia do Los Hermanos
1998 - Fita Demo http://rapidshare.de/files/5664882/1998_-_Fita_Demo.rar.html
1999 - Los Hermanos http://rapidshare.de/files/5666289/1999_-_Los_Hermanos.rar.html
2001 - Bloco Do Eu Sozinho http://rapidshare.de/files/5668289/2001_-_Bloco_Do_Eu_Sozinho.rar.html
2002 - Luau MTV http://rapidshare.de/files/5681953/2004_-_Luau_MTV_20.04.2004.rar.html
2003 - Ventura http://rapidshare.de/files/5682673/2003_-_Ventura__Oficial_.rar.html
2005 - Ao Vivo Cine Iris Pt-1 http://rapidshare.de/files/5723672/Cd_Ao_vivo_Cine_Iris_Parte_I.rar.html 2005 - Ao Vivo Cine Iris Pt-2 http://rapidshare.de/files/5723893/Cd_Ao_vivo_Cine_Iris_Parte_II.rar.html
2005 - 4 Site: http://www.4shared.com/ Login - loshermanos@yahoo.com.br Senha - loshermanos4
V) Economia
- Esou vendendo algumas camisetas que sobraram do Movimento Metamorfose. Tem: 1 Contra Alca Vermelha, 1 Anti-Capitalista vermelha, 1 MActrouxa feliz amarela. Favor entrar em contato comigo por e-mail. ungaretticoutinho@yahoo.com.br
VI) Culinária
- Brigadeiro "La Madre"
prepare a manteiga. numa panela em fogo baixo coloque 100g de manteiga e 25g de "la madre" esmurrugada. Mexa por uns 10minutos cuidando para não queimar.Misture esta manteiga com 1 lata de leite condensado e duas colheres(sopa) de chocolate em pó. Mexa até ficar no ponto. E aproveite.
VII) Por favor, comente. obrigado.
f.u.c
Quinta-feira, Janeiro 12, 2006
SOMBRAS NA TV: O MST E A MARCHA NACIONAL PELA REFORMA AGRÁRIA NO JORNAL NACIONAL
O trabalho, que teve orientação da professora Ilza do Canto é uma contribuição ao estudo da relação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra com a Rede Globo, através da análise da cobertura feita pelo Jornal Nacional sobre a Marcha Nacional pela Reforma Agrária. A marcha organizada pelo MST teve início bem antes do primeiro passo na rodovia, com as discussões promovidas pelos núcleos através da utilização do caderno de mutirão. Mesmo assim podemos contar como o período da marcha, do dia 02 de maio de 2005(saída de Goiânia) ao dia 18 de maio de 2005(volta de Brasília).
Entende-se que a grande mídia é parte integrante da superestrutura controlada pela classe dominante, que possuidora dos diversos meios de produção, impõe uma dominação ideológica. A luta de classes, então, se dá não somente na parte física, mas também na simbólica e a mídia cumpre um papel fundamental nesta dominação. Por isto a importância do estudo da grande imprensa para entender um pouco como funciona a sociedade.
A escolha pelo estudo da Rede Globo foi definida pelo alcance que esta tem em todo território brasileiro, se configurando na principal meio de comunicação de massa do país e também, pela influência da emissora nos fatos sociais históricos. Para focar mais se escolheu o mais famoso noticiário da emissora, o Jornal Nacional. Este, configura-se no programa jornalístico de maior audiência da televisão brasileira.
A escolha do MST partiu do pressuposto de que ao cruzar o maior meio de comunicação de massa do país, com um movimento social, eu deveria escolher também o maior movimento social brasileiro.
Para entender um pouco mais quem é o Ator (MST) e o veículo de análise (Jornal Nacional), destinei um capítulo histórico para cada. No que se refere ao JN, não apenas foco no tele-noticiário, mas conto a história da própria Rede Globo.
Analisei todos documentos produzidos pelo Jornal Nacional, acerca da marcha. Isto corresponde as 5 matérias que foram exibidas nos dias 02,05,09,17 e 18 de maio de 2005. Como a Rede Globo só liberaria as fitas mediante o pagamento de R$66 por edição (um valor fora de cogitação para um trabalho de graduação), foram extraídos os textos dos discursos das matérias, disponíveis no site do JN. Assim, metodologicamente optei pela análise de conteúdo documental. Este tipo de técnica, observa não somente a mensagem, mas o contexto em que ela foi produzida e quais são as características ausentes no texto.
Quanto à definição do contexto, parto do diagnóstico de três pontos: quem diz (JN/Globo), diz o que (cobertura da marcha) e diz pra quem (receptores heterogêneos, grande massa). Não coube ao trabalho definir com que resultado se diz, pois não houve um estudo na recepção, o que será feito em um estudo posterior. Logo, este trabalho procura contribuir com o estudo de com que intenção se diz.
O paradigma que utilizei para guiar minha análise foi o Materialismo Histórico, ou seja, entender a realidade atual, enfatizando a dimensão histórica-social dos fatos, como um todo e não de forma isolada. Esta pesquisa vai contra o paradigma positivista que domina o antigo pensamento acadêmico, de separação dos objetos para analisa-los de forma distante. Por tratar-se da análise de objetos sociais, a pesquisa assume um outro caráter. Coloca o pesquisador como sujeito deste momento histórico. “O estudo e o conhecimento da realidade são também necessidades imperativas do ponto de vista dos que querem transformá-las” (OLIVEIRA E OLIVEIRA. Pesquisa Social e Ação Educativa: conhecer a realidade para poder transforma-la apud BRANDÃO. Pesquisa Participante. 1990, p.19)
A técnica que utilizei para classificar o texto e por conseguinte fazer as observações necessárias, foi a de divisão do texto em unidades de registro não gramaticais (atores e temas). Definiu-se como ator, aquele que provoca alguma ação. No caso temos dois atores presentes em todas matérias- o MST e o Estado (conjunto de esferas públicas que regula as relações sociais). Na última matéria aparece um terceiro ator – os latifundiários. Definido os atores , classificou-se o texto em temas que correspondem a uma ou mais frases sobre um mesmo assunto. Cada tema (ação) tem apenas um ator. A cada matéria, contou-se o número de temas que cada ator tem. Embora se comente o discurso do JN em relação ao atores estado e latifundiários, estes servem de elo de ligação para uma comparação com o ator principal, sujeito da análise, o MST.
Para referenciar minhas considerações em cada tema, utilizei entrevistas, feitas com integrantes do MST (método de pesquisa social, consciência social do pesquisador e tomada de posição), além de pesquisa bibliográfica, sobretudo a partir do livro Padrões de Manipulação da Grande Imprensa, de Perseu Abramo.
Posso brevemente explicitar alguns conceitos expostos, dia a dia.
A primeira matéria é veiculada no dia 02 de maio de 2005, com o título de “Marcha dos Sem Terra”. Foram encontrados 6 temas para o MST e 1 para o Estado.
Neste primeiro texto a análise foi basicamente a partir do olhar do conteúdo ausente.Uma das formas de manipulação da informação é quando se deixa de apresentar as informações. É selecionado o que é importante ou não de ser divulgado. Nesta primeira matéria, sobretudo, o JN relata o fato, mas de maneira simplista. Assim se observou que o JN deixou de passar várias informações relevantes nos 4 seguintes temas: início da marcha; o quê, quando e onde; objetivos da marcha e acampamento. Estas análises foram basicamente em cima de materiais e depoimentos do MST. O JN não fala no anterior à marcha, ou seja, na preparação que os núcleos fizeram tanto para organizar estruturas quanto para discutir política.
Quando refere-se ao ato de marchar, associa a algo negativo: “o trânsito de carros e caminhões ficou lento”. O efeito é determinado pela causa: “quase 12mil sem-terra formaram longas filas e ocuparam cinco quilômetros do acostamento”. Assim associa um efeito a causa. Se o efeito é negativo, a causa também.
O 5° tema, desta primeiro dia de análise, talvez seja o mais “visível”. Trata-se da questão invasão x ocupação. A grande mídia sempre tenta caracterizar as ocupações de terra como um ato de vandalismo, sempre se referindo a palavra invasão. Na pesquisa (dicionário online da língua portuguesa) invasão quer dizer entrada violenta, ingresso hostil. Já ocupar diz respeito ao cumprimento do artigo 5° inciso 23 da constituição, que fala do respeito a função social da propriedade. Na matéria não aparece se essas propriedades são latifúndios e se são terras improdutivas (o MST sempre leva em conta estes fatores antes de ocupar). Assim a visão do JN é a mesma dos latifundiários. Agora pouco a bancada ruralista atropelou o relatório oficial da CPMI da terra, feito por João Fontes (PSOL). Aprovaram um relatório paralelo que considera, entre outras coisas, que ocupação de terras é um ato terrorista, hediondo.
No dia 05 o título da matéria é: “Dinheiro Público financia Marcha”. Aqui chegamos no primeiro (de dois) pontos críticos observados no discurso do JN que embasa a hipótese de que houve manipulação de informações. Diz respeito ao ataque a moral do movimento. Assim o JN tenta criminalizar o MST perante a sociedade. O título da matéria sequer corresponde ao conteúdo da mesma.
Encontrei nesta matéria “padrões de fragmentação”, segundo o conceito de Perseu Abramo, quando o JN diz que os militantes levavam consigo a “cartilha do movimento”. Fragmentação porque não aprofundam o assunto. A cartilha a qual eles se referem não era institucional, mas sim de formação política com uma análise da conjuntura e os objetivos da marcha. O JN se referia ao caderno de mutirão- que foi distribuído nos núcleos para preparar para a marcha.
Outro padrão de manipulação encontrado foi o “frasismo”. De acordo com Perseu Abramo, frasismo, é “utilizar frases ou pedaços de frases sobre uma realidade, para substituir outra”.
Neste dia o jornal fez uma edição da fala de um integrante do MST. O repórter do JN apresentou apenas parte da fala do militante Valdir. Deslocada do contexto, sem os antecedentes (a pergunta), foi “colada”, após uma outra colocação do repórter, o que levou a um entendimento negativo da resposta do militante.
Nesta matéria classifiquei 4 temas para o ator MST e 2 para o ator Estado. Então a presença do estado na segunda matéria de cobertura da marcha, cresce.Quando aparece na forma do Ministério Público é para acusar o MST. Mesmo assim o próprio discurso legitima a falsa manchete. Enquanto a chamada afirma que houve dinheiro público financiando a marcha o texto diz “o MP estuda a possibilidade”.
Dia 09 de maio é o dia em que o Jornal Nacional apresenta mais padrões de manipulação da informação. Agora o jogo vira. O Estado aparece mais do que o MST tanto na quantidade dos temas quanto na quantidade de frases que compõe os temas.
O JN utiliza o “padrão de inversão da relevância”. È dado um peso maior a determinado ator, no caso o Estado.O secundário é apresentado como principal (a marcha). O intuito, na minha opinião, e já fazendo uma certa conclusão é de que o JN tentou atacar moralmente o movimento. Também posso dizer que houve uma manipulação chamada de “inversão do fato pela versão”. Para legitimar sua versão, o JN usa do “oficialismo” que segundo o Perseu é utilizar uma fonte “oficial” para dar uma “seriedade” as acusações.
Em contrapartida a matéria que tem como chamada “A marcha dos sem terra” só se refere a esta em uma frase e mesmo assim para dizer que ela provocou engarrafamento.
No dia 17, a matéria diz respeito a chegada da marcha em Brasília. O foco é exatamente sobre um ponto negativo: o tumulto, a briga que teve entre alguns militantes e a policia de Brasília. Fala ainda sobre a questão da investigação do financiamento. Mantém características de discurso ausente não colocando os motivos que levaram 12 mil pessoas caminhar 200 quilometros até Brasília e quais eram os 16 pedidos que estavam na carta entregue ao presidente lula.
O segundo ponto crítico (o primeiro foi a criminalização, do ataque a moral) foi em associar as ações do movimento com a violência. Colocam que os manifestantes agrediram os policias e que tiveram que ser “controlados”. Nina, integrante do setor de comunicação do MST, traz o contraponto, esclarecendo que haviam policias infiltrados na marcha e que estes haviam provocado os militantes, com seus cavalos, carros e helicópteros. Isto não foi dito pela matéria do JN.
A última matéria, do dia 18 de maio, fala do que se acordou com o encontro mas não cita que esses acordos eram exatamente o cumprimento do plano nacional de reforma agrária (que aliás nunca é citado nas matérias). É ao mesmo tempo um padrão de fragmentação e descontextualização.
Ainda faço uma comparação entre o ministério da agricultura e do desenvolvimento agrário citando quem é quem e o cabe a cada pasta, por isso a diferença de entendimento em relação a atualização dos índices de produtividade de uma terra.
Quanto ao MST, enquanto ator, proponente de uma ação, é dado o espaço de apenas um tema. O mesmo peso que tem o terceiro ator, dessa cobertura, que até então não havia aparecido: os latifundiários representados pela CNA. O JN se refere a esta entidade com a representante dos produtores rurais, quando na verdade é de alguns poucos, os grandes produtores rurais.
Como conclusão desta pesquisa, cheguei a hipótese de que a relação do JN com o MST, a partir desta análise do discurso das matérias referentes à marcha, foi que houve manipulação das informações e que a intenção do JN foi atacar (ora de forma direta, ora de forma velada) o MST para afetar negativamente a imagem do movimento.
O JN conta a sua versão dos fatos, a maneira como o convém, relatando uma realidade artificial. É quando faço a comparação com o conceito da caverna do Platão. O texto do filósofo grego conta a história de pessoas que passaram a vida presos dentro de uma caverna e viam as pessoas de fora apenas através das sombras que a luz ao incidir sobre os objetos(pessoas) produziam dentro da caverna. Quando um deles consegue fuigr e vê que aquelas sombras que eles viam não era a verdade, não era as pessoas de fora, foi tentar explicar para os que haviam ficado dentro da caverna. Estes o chamram de louco. Pois é exatamente assim que me vejo e nossa fantasiosa relação com o mundo criado pelos tele-noticários dos meios de comunicação de massa. O que vimos na cobertura do JN foram sombras do que foi a marcha e do que é o MST.
Isto especificamente neste caso, mas concluo também levando em conta uma abordagem histórica da relação entre os dois, que essa relação é sistemática, pois ambos estão em lados opostos no meu ver. Creio que a comunicação de massa, do sistema atual, é mais um instrumento a serviço da ideologia da classe da dominante. E que em o MST indo contra essas idéias neoliberais (como disse Noam Chomsky, a idéia de “o lucro em detrimento das pessoas”), jamais terá uma cobertura favorável por parte da rede globo. É uma forma de luta de classe, que chamamos de simbólica.
Isto a meu ver, em grande parte, acontece porque os veículos da grande imprensa concentram o poder da informação nas mãos de poucas famílias. Então eu coloco a urgência de que é preciso uma democratização dos meios de comunicação, a começar com uma troca na política de concessões. È necessária uma regulamentação do poder dado a esses empresários da comunicação e levar a discussão desses problemas sociais para dentro dos cursos de comunicação SOCIAL. Outro absurdo é que os canais do estado como a tv câmara e a tv senado são transmitidos em canal fechado, para aqueles que detém o poder aquisitivo. Ora, o acompanhamento direto dos políticos, nesta democracia representativa, deveria ser acessível a todos. Outro ponto que pode e deve ser melhorado é em relação a uma política de mais apoio a comunicação pública, “reanimando”com verbas as televisões públicas e educativas, no intuito de possibilitar uma maior participação da sociedade(o que tornaria público realmente) e que não ficasse a mercê das trocas políticas partidárias como acontece, além do cessar da perseguição a comunicação popular, representada principalmente pelas rádios comunitárias.
Considero que só assim haverá uma democracia de fato no nosso país
Por fim dizer da importância da mídia alternativa como revistas e jornais subversivos, fanzines, rádio livre e rádio poste, etc...
Mas esse estudo da importância desses meios alternativos para os movimentos sociais eu também deixo para um estudo posterior.
O caminho da consciência é um caminho sem volta. É preciso libertar!
Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
Colônia Z-5, da Ilha da Pintada, busca presevação ambiental e sustentabilidade na geração de renda e trabalho.
Os pescadores da Ilha da Pintada, em Porto Alegre, conservam os hábitos repassados de geração em geração, como a elaboração do peixe na taquara, o artesanato e a lida da pesca no Lago Guaíba. Os problemas ambientais gerados pela extração indevida de areia nas margens, pelo lixo e plásticos que acabam indo para a água e ainda pela substituição da mata nativa pelo cultivo de eucalipto estão comprometendo o sustento das famílias com a pesca. São justamente estes problemas que estão mobilizando as lideranças da Colônia de Pescadores Z-5 para despertar os moradores da Ilha para a preservação deste patrimônio histórico, cultural e turístico.
A colônia de pescadores Z-5 é uma entidade sem fins lucrativos que visa defender o pescador e foi criada em 1924 na Ilha da Pintada. Na época, a fiscalização da Marinha e a falta de representatividade dos pescadores motivaram a criação de colônias no Rio Grande do Sul. Atualmente existem 21 colônias e 3 sindicatos do estado. Com a necessidade de criar uma alternativa de produção de renda para o trabalho dos pescadores da colônia, foi fundada em 1999 a Cooperativa de Pescadores da Colônia Z-5 (Coopeixe), que se constitui em um “braço” da colônia. A cooperativa através de parcerias técnicas e de crédito com o Sebrae, a Smic, a Secretaria de Aqüicultura e Pesca ligada ao Governo Federal, a Emater/RS-Ascar e a Conab, consegue financiamento para compra de equipamentos de pesca.
Aos poucos, a cooperativa foi conquistando espaço e entrou no mercado, abrindo um ponto de comercialização de peixes no Mercado Público de Porto Alegre. Os moradores da Ilha da Pintada também descobriram no turismo uma forma de gerar renda e atrair visitantes para conhecerem um pouco da cultura e da gastronomia dos pescadores. A sede abriga um restaurante que serve o famoso peixe na taquara e dependendo da época, é possível saborear o Biru, o Pintado, a Tainha, o Bagre e a Piava. Para se chegar lá, pode-se ir de barco, com a saída do cais do porto, ou então de carro, atravessando a ponte do Guaíba.
Além disso, a cooperativa se preocupa com a conscientização das famílias para a conservação do meio ambiente, principalmente da água, que é de onde sai o sustento do pescador.
O trabalho ainda é lento e carece de mais parcerias na área de educação ambiental. Esse projeto pode ser desenvolvido também, com estudantes universitários das áreas de biologia, educação e comunicação. Para falar mais sobre a importância da conscientização do uso da água, entrevistei o Presidente da Colônia Z5, Valdir Coelho.
F: Quais os cuidados que o pescador deve ter com o meio ambiente?
Valdir Coelho: Nós deveríamos ter em todo e qualquer projeto, em qualquer local, como assunto principal, o meio ambiente. Especialmente a preservação da água, até porque a gente tira o sustento dali. Uma coisa que está se agravando muito, mas ainda não é alarmante é a poluição gerada pelo plástico. Tu passas pela margem do rio e percebes que até a natureza já se adaptou. Tu olhas tudo verdezinho e, em cima daquele verde, é tudo plástico, garrafas, pneus. Então tu pões uma rede e tu não consegues puxá-la por causa dos plásticos. Além da própria extração de areia indevidamente nas margens dos rios, que é um outro problema ambiental que está ocorrendo muito.
F: Então a culpa da poluição é mais da população ribeirinha ou das grandes empresas?
Valdir Coelho: Todos nós temos uma parcela de culpa. O alarmante mesmo são as reciclagens de lixo nas ilhas. É preciso construir um lugar adequado. Nas cheias vai todo lixo pro rio. Está horrível! Eu que nasci na ilha, acho que daqui uns 30 anos não vai mais se possível colocar uma rede. Hoje, debaixo do rio, quando se larga uma garrateia vem lixo de todos os lados. Pros lados de Guaíba existiam as matas nativas, araçá, butiá, coquinho, tambuim... hoje não existe mais nada, é só eucalipto. Morreu tudo. E Aracruz ainda diz que é tudo em nome da geração de emprego. Mas isso é uma violência, eles colocam veneno nas mudas e isso vai direto para o rio e mata tudo.
F: E a responsabilidade de fiscalização do poder público?
Valdir Coelho: O governo tem uma grande responsabilidade, mas cada um de nós também tem. Só o poder público não vai conseguir frear esse processo. É necessária uma conscientização geral.
F: E como conscientizar as pessoas?
Valdir Coelho: Nós temos que fazer nossa parte pra despertar. Acho que tem que ter uma parceria com as escolas. Existem pessoas com idade avançada que atiram saco de lixo no rio. Tem que trabalhar e começar pelas crianças para que elas conscientizem os adultos. É um trabalho que está parado. Tem mais de 7 mil habitantes na Ilha. As crianças moram e estudam aqui, são ligadas aos pescadores, essa iniciativa seria um despertar.
Terça-feira, Novembro 15, 2005
Mp3
Estou há um certo tempo sem postar. Sabem como é, reta final de faculdade, monografia, surto, etc...
Em breve (dezembro) estarei colocando algo sobre o tema da mono: relação do MST com a rede globo através de uma análise da cobertura da Marcha Nacional pela Reforma Agrária no jornal nacional em maio de 2005.
O que deixo por aqui é uma dica. Para descansar a mente do trabalho mental contínuo, música como remédio.
Tá e daí? Que dica mais boba esta.
Calma, a dica é: Contra burguês, baixe mp3!
Quero divulgar um outro espaço de jornalismo subversivo. A comunidade da revista O Dilúvio, no orkut.
Independente da questão ideológica de usar o orkut (da mega-rede google), este torna-se um espaço importante para tambem disseminar a contracultura. "Para destruir o sistema o vírus precisa estar dentro".
A revista do meu amigo jornalista Tiago Jucá, está na 7ª edição e tem na última capa o músico Bactéria, integrante da banda pernambucana Mundo Livre S.A.
A comunidade virtual no orkut segue a linha da cultura e informação e coloca a questão do copy left.
Copyleft é a livre reprodução de obras, para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.Copyleft é um trocadilho com copyright que é a lei de direito autoral.
Para entender mais recomendo entar na comunidade, pois lá tem bastante informação a respeito.
A outra coisa que você pode achar na comundidade são vários discos em mp3 para baixar. É exatamente isto que estou fazendo nos intervalos de descanso da escrita da mono.
Você encontra discos recém lançados como o último do Zeca Baleiro, último da Vanessa da MAtta, o acústico do Rappa, e o ao vivo do Titãs. Encontra bandas gaúchas novas como a Bléque e a Zumbira e os Palmares. Econtra a discografia completa de nomes consagrados como Roberto Carlos, Raul Seixas, Mutantes e Pink Floyd. Encontra shows de Strokes e Los Hermanos. Ainda tem pérolas do funk(james brown, marvin gaye,etc..). Rap com Sabotage, BlackAlien e 2pac. Classicos como Jovelina Peróla Negra, Bezerra da Silva e Chico Buarque. Enfim, isso e muito, muito, mas muito mais , mesmo.
É a dica.
O endereço da comunidade é: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1952782
Caso você não esteja no orkut, pode saber mais sobre a revista O Dilúvio atráves do site: http://host494anx.plugin.com.br/odiluvio/
ou pelo e-mail :revistaodiluvio@yahoo.com.br
Bons sons!
bônus: baixe por esse link o cd da nova banda de Marcelo Yuka, F.UR.T.O (Frente Urbana de Trabalhos Organizados)
http://www.megaupload.com/nl/?d=71V59OR1
Quinta-feira, Novembro 03, 2005
Visita do Senhor da Guerra

As manifestações contra a visita de Bush unem argentinos e brasileiros.
O ex-jogador Diego Maradona, agora trabalhando como apresentador do "La noche del 10”, no Canal 13 da Argentina, entrevistou recentemente o líder cubano Fidel Castro. Neste programa Maradona chamou Bush de "asesino" e prometeu participar das manifestações contra a presença de Bush durante a reunião da IV Cúpula das Américas, dias 4 e 5 de novembro em Mar Del Plata. Como aconteceu em outras edições, o encontro de todos presidentes do continente, deve acontecer sob fortes protestos populares.
Em oposição, movimentos sociais estarão organizando na mesma cidade, a III Cúpula dos Povos da América. Para tentar coibir estas manifestações, um forte esquema de segurança foi implementado na cidade. Foi criada uma "zona de exclusão", vigiada por 9 mil policiais em terra, água e ar. Para entrar nessa zona, somente com credencial.estima-se que cerca de 60 mil moradores estão nesta área. Nenhum vôo privado poderá entrar nesta zona que tem um raio 176 quilômetros.
A Cúpula das Américas foi uma iniciativa do George Bush Pai em 1990, a partir da “Carta Econômica das Américas” que na prática propunha uma redução do controle econômico por parte do estado e a separação entre economia e desenvolvimento social. Estas idéias denominadas neoliberais são conhecidas como Consenso de Washington e promovem a aberturas dos mercados locais para as grandes multinacionais, em sua maioria estadunidenses. Depois de exercer um controle na América da Latina apoiando as ditaduras, a partir desta nova ordem mundial os EUA exercem, hoje, sua hegemonia a partir de organismos internacionais criados por eles mesmos, como o FMI (Fundo Monetário Internacional), por exemplo. Ao contrário das iniciativas terroristas de invadir países como fizeram mais recentemente no Afeganistão e Iraque ( a Síria e o Irã são os próximos alvos), na América do Sul, controla os países através da imposição da política neoliberal.

Diferente da Argentina que renegociou sua dívida, o Brasil do governo Lula, continua pagando os juros da dívida ao invés de investir no social. Dá continuidade ao projeto do governo FHC. Privilegia, por exemplo, para pagar os juros, uma política de exportação que beneficia os latifundiários e o agronegócio, privando o país da soberania alimentar e deixando milhares de trabalhadores sem terra apodrecendo na beira das estradas (quando não são assassinados por pistoleiros).
Os EUA depois de implementar a política neoliberal no México, em 1994, através do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), vem tentando criar a ALCA (Acordo de Livre Comércio das Américas), de caráter neocolonialista. O secretário do comércio dos estados unidos, Carlos Gutiérrez, tentará coloca-la na pauta de discussões deste 4° encontro. No entanto terá dificuldades já que o projeto não tem apoio da maioria dos países, incluindo o Brasil. Surge como alternativa a nova proposta do presidente venezuelano Hugo Chaves, a ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas), baseada na solidariedade entre os povos e no desenvolvimento social e cultural soberano das nações.
Espera-se da Venezuela, da Argentina e do Brasil, que cumpram seu papel diplomático tendo em vista os interesses populares contrários a qualquer ação neoliberal. Também que indivíduos e movimentos façam barulho em Mar Del Plata e em todo Brasil.
Bush, aproveitará para fazer sua primeira visita ao Brasil e deve ser recebido como merece: “GO HOME”. Que se façam protestos pacíficos em frente aos símbolos imperialistas, como o MacDonalds, CityBank, embaixadas, etc...
Não usar da violência mas resistir sempre. Usar da criatividade e da mística para mostrar a sociedade que George W.Bush não é bem vindo e nunca será.
È bom ressaltar que a luta não é contra o povo estadunidense, mas sim contra política externa do governo dos EUA.
A União da Juventude Socialista (UJS), com apoio da UNE, da UBES, do MST, da CUT e de ONGs de esquerda preparam uma série de atos de protesto. Junte-se ou crie sua própria manifestação.
Esta é a minha!










